Home Loteria Mais um investigado: 146 prêmios na loteria.
< Voltar

Mais um investigado: 146 prêmios na loteria.

19/05/2003

Compartilhe

Mais um "sortudo" da loteria no Brasil teve os sigilos fiscal e bancário quebrados pela Justiça Federal. O investigado é Adilson Marfil que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), ganhou 146 vezes na loteria, entre 1995 e 2002. A soma dos prêmios ultrapassa R$ 1 milhão.
A quebra dos sigilos bancário e fiscal de Marfil foi decretada pelo juiz Casem Mazloum, da 1.ª Vara Federal, a pedido da procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins. A suspeita sobre os sortudos teve origem no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda, que suspeitou dos ganhadores de diversos prêmios, em especial daqueles com antecedentes criminais.
Marfil, que segundo o Coaf é morador de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, foi considerado suspeito. O órgão informou a Procuradoria da República que ele havia ganho R$ 289.113,28 em 40 prêmios resgatados. Mas a "sorte" dele é maior ainda. Em resposta à procuradora Ana Cristina, a Caixa Econômica Federal informou que Marfil ganhou, na verdade, 146 vezes na loteria e a soma líquida dos prêmios era de R$ 1.133.849,18.
Foram prêmios da Loteca, Lotomania, Lotogol, Mega Sena, Dupla Sena e Quina.
Tudo entre 24 de maio de 1995 e 7 de novembro de 2002. As datas de recebimento dos prêmios também chamaram a atenção do MPF. Todos foram descontados em quatro dias de 1995 e nos dias 29 de julho, 15 de outubro e 7 de novembro de 2002. No dia 29 de julho, por exemplo, Marfil foi à Caixa descontar 40 bilhetes premiados da Dupla Sena, Lotomania, Mega Sena e Quina.
"Esta postura indica que, de fato, não teria sido ele o premiado, mas que teria obtido posteriormente todos estes bilhetes", ressaltou a procuradora no pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal.
Outro "sortudo", o agente de investimentos Sami Goldmann, que ganhou 59 vezes na loteria, também teve a quebra dos sigilos bancário e fiscal decretada pela Justiça Federal, a pedido da procuradora Ana Cristina.
Origem – A compra de bilhetes premiados é considerada pelas autoridades como uma das formas de dar origem a dinheiro ilícito. O MPF sustenta que com o cruzamento dos dados bancários e fiscais, "será possível constatar eventual movimentação financeira de recursos não justificados, que poderiam ter sido usados na compra dos bilhetes premiados."
O juiz Casem Mazloum decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Marfil de julho de 2001 a dezembro de 2002, sob a fundamentação de que o caso apresentado pelo MPF traz "indícios suficientes da conduta delituosa, na medida que é improvável que o investigado tenha de fato resgatado 146 prêmios de loterias, inclusive por diversas vezes no mesmo dia."
O Estado não conseguiu localizar Marfil. A reportagem deixou o telefone da redação com uma cunhada dele, mas não obteve resposta até as 20 horas de ontem. A cunhada disse ainda que Marfil não costuma dar o número de seu telefone e que não sabe com o que ele trabalha.  

Estado de SP – FABIO DIAMANTE