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Médico recomenda ajuda mútua contra a compulsão por jogo.

13/05/2004

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Médicos psiquiatras de Campo Grande comemoram a possibilidade de criação de um grupo de jogadores compulsivos anônimos em Mato Grosso do Sul. A proposta será discutida na próxima quarta-feira e tem como reforço o apoio dos profissionais que atendem as pessoas viciadas em bingo, loterias, vídeo-pôquer, corrida de cavalos, Cassino e outras formas de jogo de azar que envolvem aposta de dinheiro. O psiquiatra Fabiano Horimoto considera os grupos de ajuda mútua como os maiores responsáveis pela recuperação dos jogadores patológicos. "Os remédios ajudam pouco a frear a vontade de apostar. Os grupos dão o reforço positivo, a motivação. Quem freqüenta passa a assumir uma responsabilidade com os demais e isso é o que recupera". No dia-a-dia do consultório o médico percebeu que só o fechamento dos bingos não resolveu o problema da compulsão em Campo Grande. "Clientes, que não têm o bingo regularizado para jogar, procuram os bingos clandestinos. Onde existe procura, existe oferta", disse Horimoto citando relatos de parentes dos jogadores. Para o psiquiatra Juberty Antônio de Souza maior problema está no nível de comprometimento do paciente ao encontrar ajuda médica. "Na maioria das vezes eles não procuram o tratamento. São as famílias que levam quando o jogador já gastou tudo o que podia". A dependência ocorre de maneira muito rápida. Na primeira fase do vício, estes jogadores perdem a dimensão do lazer e jogam para ganhar cada vez mais dinheiro. O segundo estágio é marcado pela perda de grande quantia de dinheiro e também do auto-controle. Nessa fase, a pessoa promete que não vai mais jogar, mas acaba apostando novamente. A crise toma proporções maiores no terceiro estágio, quando o jogador faz dividas e chega a vender objetos pessoais na expectativa de conseguir dinheiro.
Jogadores compulsivos podem ganhar grupo de ajuda mútua em Campo Grande.
Membros do Escritório Central do A.A (Alcoólicos Anônimos) vão se reunir na próxima quarta-feira para discutir a criação de outro grupo de ajuda em Campo Grande, o Jogadores Compulsivos Anônimos. A idéia tem como principal defensor um dos membros do A.A que disse ter voltado a beber depois do fechamento dos bingos. O homem, que não autorizou a identificação por causa do anonimato obrigatório, disse que pretende reunir as pessoas que também se sentiram "desesperadas" com o fim das casas de jogos. "Na verdade troquei uma droga por outra e só percebi que isso havia acontecido quando não pude mais jogar. Sei que existe muita gente precisando de ajuda também".
"Órfãos" dos bingos procuram ajuda após casas fecharem.
Sem um grupo de ajuda específico em Campo Grande, os jogadores compulsivos acabam procurando o N.A (Neuróticos Anônimos). Segundo a coordenadora de um do grupo que funciona na Paróquia São Francisco, pelo menos seis pessoas já procuraram apoio depois do fechamento das casas de bingo. "Nós recebemos os jogadores porque tratamos a compulsão como um todo e eles sofrem do mesmo mal", disse a mulher que só autorizou ser identificada como Aparecida. As reuniões ocorrem três vezes por semana, as terças, quintas e domingos. Outros dois grupos de N.A também funcionam na cidade, um na Paróquia São José e outro na Perpétuo Socorro. A procura por apoio despertou no A.A (Alcoólicos Anônimos) a necessidade de criar um grupo de jogadores compulsivos, o assunto será discutido em uma reunião na próxima quarta-feira. 
Campo Grande News – Ângela Kempfer