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Morte de Stanley Ho não afetará a SJM

27/05/2020

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Analistas de Bernstein observaram que Stanley Ho havia efetivamente se retirado da SJM desde 2009, depois de sofrer um ferimento na cabeça e uma série de cirurgias cerebrais

A morte de Stanley Ho não afetará as operações da SJM Holdings, segundo analistas de Bernstein.

Analistas de Bernstein observaram que Ho havia efetivamente se retirado da SJM desde 2009, depois de sofrer um ferimento na cabeça e uma série de cirurgias cerebrais.

Embora ele tenha mantido o cargo de presidente até 2018, ele não estava envolvido nos assuntos da empresa, tendo participado de sua última reunião do conselho da SJM em 2015.

No entanto, existe uma preocupação entre os investidores sobre uma briga entre as partes interessadas na SJM, o que poderia afetar o cronograma de abertura do novo projeto da SJM, o Grand Lisboa Palace.

Segundo Haitong, a próxima assembleia geral, que será realizada no dia 9 de junho colocará quatro das 12 cadeiras para a reeleição.

Daisy Ho, presidente da SJM e diretora financeira da Shun Tak Holdings, poderia ter direitos de voto suficientes por meio do STDM para forçar mudanças de assento no conselho. (Focus Gaming News Ásia)

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Mário Assis Ferreira: Sucessora vai continuar “obra de Stanley Ho em Portugal”

O gestor que trabalhou com Stanley Ho durante 30 anos acredita que a família do empresário pretende manter a sua participação majoritária na dona dos cassinos do Estoril, Lisboa e Póvoa de Varzim. O vice-presidente da Estoril-Sol deixa elogios a Pansy Ho, filha do empresário nascido em Hong Kong

Mário Assis Ferreira liderou os cassinos do Estoril-Sol durante 28 anos até 2013. Desde então, já ocupou o cargo de presidente do conselho de administração e agora é o vice-presidente da dona da empresa que detém os cassinos do Estoril, Lisboa e da Póvoa de Varzim, controlada majoritariamente pela Finansol de Stanley Ho (57,79%), seguida da Amorim, Entertainmet e Gaming Internacional com 32,67%.

O gestor trabalhou décadas com Stanley Ho e no dia da sua morte recorda o empresário de Hong Kong que viu pela última vez em 2015.

“Tenho 35 anos de Estoril sol, e 30 anos de convívio permanente com o Stanley. Tenho, portanto, vivência da superioridade daquele homem, na sua intuição, na sua objetividade, no seu amor por Portugal”, recordou Mário Assis Ferreira ao Jornal Económico. “É um homem que vai fazer muita falta porque era absolutamente ímpar, para além disso, era para mim um grande amigo, um irmão mais velho”.

“Hoje em dia quando se fala nos investimentos chineses em Portugal, as pessoas esquecem que há 35 anos, um grande empresário chinês foi o pioneiro dos investimentos chineses em Portugal, e foram muitos, muitos, para além da Estoril-Sol, tantos que fica difícil enumerá-los assim de repente”, sublinhou.

Stanley Ho era um dos homens mais ricos da Ásia com uma fortuna estimada em 6,4 bilhões de dólares (5,8 bilhões de euros).

Mário Assis Ferreira deixou elogios a Pansy Ho, filha do empresário e que ocupa atualmente o cargo de vogal na Estoril-Sol. “A única coisa que eu confio é que a sua sucessora, que foi indicada há mais de seis anos quando ele entrou numa fase de doença que o impossibilitava de uma vida ativa, que é a Pansy Ho, não deixará de ser a continuadora da sua obra em Portugal”.

Questionado sobre se acredita que a família de Stanley Ho pretende manter a sua participação na Estoril Sol, o gestor diz que sim. “Sem dúvida, essa é a minha profunda confiança”.

Os cassinos da Estoril-Sol, tal como os restantes no país, estão encerrados desde meados de março devido à pandemia da Covid-19, não havendo ainda data para a abertura dos cassinos. A 11 de abril, a empresa anunciou que colocou os seus trabalhadores em layoff, não avançando quantos foram abrangidos pela medida.

Mário Assis Ferreira recorda também a capacidade que o empresário de Hong Kong teve de reconhecer a forma diferente de fazer negócios em Portugal face à China.

“Deu-me uma margem de confiança, sem querer intervir assiduamente na nossa gestão. Deu-me uma margem porque sabia que toda a sensibilidade cultural e humanística ocidental era diferente daquela que ele tinha que enfrentar, em Hong Kong, Macau e na China. Isso foi altamente positivo”, afirmou.

Casado quatro vezes, o empresário teve 17 filhos. Antes de deixar a liderança da SJM Holdings em 2018, dividiu o seu império entre vários membros da sua família, que agora ocupam lugares de destaque nas suas empresas, como Pansy Ho, Daisy Ho, Lawrence Ho, ou a sua quarta esposa Angela Leong.

A SJM Holdings (Sociedade de Jogos de Macau) detém licença de jogo na antiga colônia portuguesa até 2022, contando com 20 cassinos e três hotéis em Macau.

Recordando o último encontro que teve com Stanley Ho, em Hong Kong em 2015, recorda que o empresário pediu para o auxiliarem a levantar-se da cadeira de rodas para dar um abraço a Mário Assis Ferreira. “Ele pediu para o levantarem da cadeira. Foi o último encontro que tive com ele, depois ele praticamente passou a viver no hospital”.

“Stanley era profundamente grato a Portugal pelo fato de enquanto Macau foi um território sob administração portuguesa, a sua relação com os governadores e consequentemente com as autoridades políticas portuguesas, lhe ter permitido desenvolver uma atividade que transformou uma vila de pescadores, Macau, num verdadeiro império de atividades econômicas em que os cassinos tinham uma prevalência total e representavam uma enorme maioria do PIB de Macau”, recordou o gestor.

“Há um reconhecimento que ele tinha por Portugal pelo fato de lhe terem facultado os meios para ele fazer aquilo que achava que devia fazer para trazer Macau para o plano que conseguiu, de fato, elevá-la”, concluiu Mário Assis Ferreira. (Jornal Económico – André Cabrita-Mendes)