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Editorial BNLData: O jogo é anterior a religião e a cultura 07/09/2016

Nas últimas décadas, vários temas têm gerado polêmica no Brasil e entre eles está a legalização do jogo, mas questões religiosas, políticas, ideológicas e morais, acabam contaminando o debate.


O Brasil tem que amadurecer e enfrentar a questão do jogo de forma pragmática, sem o envolvimento de questões de ordem moral ou religiosa

Nas últimas décadas, vários temas têm gerado polêmica no Brasil e entre eles está a legalização do jogo, mas questões religiosas, políticas, ideológicas e morais, acabam contaminando o debate. A única verdade é que no caso do jogo só temos duas opções: jogo legal ou ilegal. Respeitamos a posição da Frente Parlamentar Evangélica, mas acreditamos que a manifestação merece uma reflexão.

O debate sobre a legalização do jogo no Brasil está atrasado em mais de 70 anos. Sua proibição, em 30 de abril de 1946, pelo presidente Marechal Eurico Gaspar Dutra, a pedido de Dona Santinha, retirou o entretenimento de milhares de frequentadores e o emprego de mais de 53 mil trabalhadores dos 71 cassinos que existiam no Brasil naquela época. Apesar de termos um Estado laico, uma das considerações era “que a tradição moral jurídica e religiosa do povo brasileiro é contrária à prática e à exploração de jogos de azar”.

O jogo é anterior a religião e a cultura, portanto jogar e apostar faz parte de uma terapia, além disso, não é uma atividade pecaminosa. A paixão por jogos é tão antiga que talvez remonte à pré-história da humanidade. Nas milhares de páginas da Bíblia não existe uma linha que condene a prática do jogo, até mesmo nos sete pecados capitais o jogo não está incluído. A Bíblia registra, em passagens de seus livros mais antigos, o uso de sortes indicando fortuna e desgraça.

O Livro dos Números (quarto livro da Bíblia, vem depois do livro de Levítico e antes de Deuteronômio) conta que, após realizar o censo dos israelitas, Moisés dividiu entre o povo as terras que existiam a oeste do Rio Jordão, de acordo com o número de letras de seus nomes. Os jogos de sorte e de azar remontam a mais de dois milênios atrás. Já os antigos sumérios, considerada a civilização mais antiga da humanidade, tinham os seus jogos a dinheiro, onde a sorte era o fator principal.

Outros povos da Antiguidade, como os egípcios, romanos e os chineses, também estão entre os pioneiros em loterias. Os primeiros embriões das loterias com prêmios em dinheiro, entretanto, teriam surgido em Roma, na Idade Média e se difundido pela Europa. Nesse período existiam as chamadas "Urnas da Fortuna", que consistiam em caixas de madeira colocadas em estabelecimentos comerciais, cheias de bilhetes dobrados onde estavam escritos os nomes de produtos comercializados no local. O cliente retirava um bilhete e recebia seu prêmio. Com as viagens marítimas os jogos e os sorteios chegariam a novos continentes.

Na época da antiga Roma, apareceram os primeiros dados, e os jogos de cartas surgiram no século IX na China, aparecendo apenas alguns séculos mais tarde na Europa. Os jogos de sorte e de azar quase que segue a história civilizacional do Homem.

O curioso é que na história do jogo existem fortes vínculos com a Igreja Católica, como que o bingo nasceu na Igreja, que a roleta foi inventada por um padre e que o Banco do Vaticano já foi detentor de 8% dos Casinos Áustria e que é atualmente acionista dos transatlânticos Alínea C, que têm cassinos em suas instalações.

O Brasil tem que amadurecer e enfrentar a questão do jogo de forma pragmática, sem o envolvimento de questões de ordem moral ou religiosa. É necessário legalizar e regulamentar o jogo antes de proibi-lo, pois a proibição leva ao jogo clandestino e o jogo clandestino leva a corrupção. Além disso, com o jogo legal ganham Estado e sociedade.


Comentários (2)
Waldomiro
07/09/2016 às 14:08h

Enquanto isso: viajo para os países vizinhos e viajando de navios para poder brincar nos cassinos. Como eu, existem milhares de brasileiros indo gastar fora, aquilo que poderíamos gastar aqui!!!

Leandro Narciso
07/09/2016 às 18:58h

Waldomiro Com isso o imposto que vc deixaria a qui esse dinheiro esta sendo direcionado para outro lugar comi vc falo muiras pessoas fazem isso E todo esse imposto não fica aqui tem outro destino . Legalizar é preciso urgente .

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