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Opinião

Turfe: Como apostar com algum sucesso 16/01/2005

Passando, como é do conhecimento geral, o turfe nacional por dramático momento histórico, no afã de prestar ao público apostador efetiva colaboração, humildemente, venho apresentar algumas sugestões, hauridas de longa experiência no assunto, para, senão obter consideráveis vantagens econômicas, ao menos, minimizar, tanto quanto possível, prejuízos emergenciais. No entanto, ressalto que as sugestões ora alinhavadas não têm o condão de ser a última palavra sobre o assunto, sendo óbvio que se dirige mais aos estudiosos do turfe, pois a análise, ora preconizada, requer espírito crítico e raciocínio lógico-dedutivo.
Preliminar:
a advertência inicial recai sobre a não ouvida das opiniões indicativas emitidas por comentaristas, radialistas, jornalistas ou eventuais “experts”, já que as mesmas influenciam negativamente as conclusões resultantes das análises realizadas com percuciência e esmero. Aquelas marcações, em geral, são feitas às pressas, portanto, sem maiores indagações e estudos responsáveis, sendo certo que incidindo em área especializada onde inexiste a mínima concorrência. Logo, o primeiro passo para o sucesso do apostador é a auto-confiança na adoção de suas premissas e correspondentes conclusões. Como se sabe, o turfe comporta, como atividade complexa que é, uma plurifatorialidade de itens desconexos entre si, em sua maior parte, obrigando, assim, a estudo minucioso, com a atribuição de valores distintos e variáveis para cada caso particular.
Retrospecto:
Contido na revista “Turf Brasil”, hoje felizmente unificada, visou congregar as corridas de todos os hipódromos oficiais do país – a da semana deverá ser adquirida preferentemente já na quarta-feira, quando é distribuída nas bancas e, para consulta necessária, no futuro, ser posta em arquivo memorativo – poderá oferecer os dados pertinentes à análise dos páreos que interessam para as apostas, v.g., colocações anteriores, tempo, distância, raia, rateio, etc etc. Procurar reunir os cavalos que enturmaram juntos, isto é, que correram no mesmo páreo, cotejando-os com os outros corredores só na mesma raia e distância, naturalmente, em data próxima, pois em longínqua a forma dos mesmos poderia ser diferente. Os páreos de importância para a análise sempre devem ser levados em consideração em função da raia e distância do páreo a ser corrido. Cavalos têm suas preferências (algumas manifestas), não podendo servir como base para confrontações raias e distâncias muito diferentes. Na inexistência de páreos anteriores que possam promover os cotejamentos, parametrar por aproximação da distância, tendo-se em vista a natureza preferencial do animal, classificados, a grosso modo, como ligeiros, meio ligeiros, milheiros, milheiros alongados, fundistas e super fundistas, o que significa dizer, respectivamente, especializados em 1.000m/1.200m, 1.300m, 1.400m/1.600m, 1.700m/2.000m, 2.100m/2.400m, 2.800m/3.500m. Evitar ilações subjetivas, desde que o trabalho intelectivo deve arrimar-se em raciocínio fático, tanto quanto possível.
“Handicap”:
é em corridas de cavalos de primacial valor, haja visto que em todos os hipódromos do mundo uma diferença de ½ Kg, aparentemente insignificante, às vezes, é mortal. Excepcionando os páreos destinados aos potros de 2 e 3 anos, além de alguns clássicos, quase todos os demais, apresentam diversidade de pesos, com ênfase nos de 4 anos, provas especiais e “listed races”. Portanto, deve-se observar com todo o cuidado este fator, sob pena de jogar-se por terra irremedialmente ganhos eventuais.
Ferrageamento:
por vezes, constitui-se em item de certa relevância, pois aumentam ou subtraem, de forma absurda, a chance dos litigantes inscritos para competir. A grosso modo, os desferrados levam nítida vantagem na Grama Leve, os de alumínio e filete na A, e assim por diante, um contra-senso, já que o correto seria a competição em igualdade de condições. Infelizmente, trata-se de uma dificuldade adicional a ser considerada.
Filiação:
item deveras importante, embora desprezado no Brasil, que o relega a plano secundário. Nos países com maior tradição turfística publicam-se amiúde tratados de realce de autoria de especialistas sobre a matéria. Classificados como “sprinters”, “flyers” e “stayers”, além da preferência atenuada ou manifesta por esta ou aquela distância e raia, esses estudos individualizam as características básicas dos reprodutores utilizados para a formação da raça PSI. Para servir como elemento essencial para a escolha final do eleito (ou eleitos) dever-se-á elaborar uma relação dos sementais do país, a saber, pais, mães, avós paternos e maternos, pelo menos, atendendo sempre as peculiaridades genéticas de cada um deles (exemplos: Dodge e Magical Mile, para os 1.000m GL/M – Spring Halo e Punk, para os 1.200m – Minstrel Glory, para os 1.300m/1.400m – Choctaw Ridge, para os 1.600m AL/M – Fast Gold, para 2.000m AM/GM/P, Know Heights, para os 2.400m GL/M – Baynoun, para os 3.000m GL/M/P, metros, etc etc.).
Balizamento:
também se constitui em fator de grande relevância, face ser as balizas de dentro nitidamente as privilegiadas (a rigor, em páreos de até 7 animais, as demais, 1 a 3, nos de 8 ou mais, de nºs. 1 a 4). Contudo essas preferenciais devem ser consideradas com a máxima prudência, visto que, em caso de raia encharcada, a tendência é oposta, recaindo sobre as de fora. As piores são as do meio, com raríssimas exceções, sendo certo que a preferência que é dada às balizas de dentro assenta-se em vários fatores, tais como: percurso menor a ser desenvolvido pelos cavalos concorrentes, no referencial da cerca interna, que garante àqueles de melhor alinhamento e aos jóqueis maior segurança psicológica, menor possibilidade de sofrer peripécias desfavoráveis ao longo da prova, especialmente nas curvas e partida mais facilitada, observada continuamente pelo fato de que os cavalos saem brigando pela ponta, na maioria das vezes.
Estreantes e Reaparecimento:
com relação ao 1º item, estudar os mesmos em função, principalmente, da filiação e, secundariamente, nos aspectos criação, treinador e jóquei, que devem ser escolhidos não pela fama, mas sim pela estatística atualizada; referentemente ao 2º item, inicialmente, conhecer os treinadores que, via de regra, apresentam bem preparados os seus pupilos que reaparecem (por exemplo: A.Alvani, em CJ), e, depois, pesquisar os trabalhos e aprontos junto aos mesmos e jóqueis, ou mediante outras fontes idôneas, sempre tomando o cuidado máximo com animais que vêem de parada superior há 2 meses, os quais, apesar de aparentemente estar em turma acessível, tendem a fracassar por completo na corrida. É aconselhável, assim, evitar fazer altas apostas em páreos formados apenas com estreantes, ou quando por grande maioria, a menos que se obtenha, “a priori”, informação sólida a respeito.
Tempo:
quando à validade desse fator, exageradamente endeusado pelos turfistas em geral, a minha experiência diz que isso somente procede, para o efeito de marcação, nos páreos “desdobrados”, disputados quase sempre no mesmo dia de corrida, pois confrontações, na mesma raia e distância, em dias diferentes, têm o condão de induzir em erro comezinho a indicação, em vista da incidência de inúmeros fatores, entre os quais, pode-se citar os seguintes: a) “Train de corrida”, mais lento ou ligeiro; b) Estado da raia (AL, M, P, E, GL, M, P, E); c) Direção dos ventos, com predominância nas retas ou curvas; d) Páreos menos ou mais reforçados, quando os cavalos têm que dar tudo que podem correr, ou não; e) etc. Um lembrete interessante que ora me lembro é o representado pelo exemplo significativo da fabilididade desse fator, pelo qual o eminente físico teórico brasileiro Mário Schoenberg (catedrático da USP e tangenciador do Prêmio Nobel, dado injustamente ao rival apenas por ser mais conhecido nos meios científicos e ser menos abstrata sua teoria física) desistiu de seus profundos estudos no turfe, após decorridos aproximadamente 2 anos, por ter tomado como supedâneo básico o fator tempo.
Estatística:
diz, depois de exaustivos levantamentos por mim realizados, que somente deve-se apostar importâncias mais elevadas em páreos de retrospecto inteiramente (ou quase) formados, isto é, destinados a cavalos de 4 ou mais anos, provas especiais e alguns clássicos e “listed races”, valendo nesta hipótese também a idade, arrimando-se a razão na existência de mais fatores para os estudos. Claro, é bem mais demorado e complexo, mas os resultados de acerto são bem maiores e o que se tem em mente aqui é o lucro deles decorrentes.
Plano de Apostas:
organizar um plano econômico-financeiro, adotando-se uma sistemática racional de apostas, seja por progressão aritmética, mais aplicável para vencedor; geométrica, para placê; idêntica, para dupla exata, que deverá ser cercada tanto quanto possível, como se fosse aposta em “betting”, ou qualquer outra opção válida, sob aquele ponto de vista, deixando de lado, salvo raras exceções, trifetas e, principalmente, quadrifetas, pois 3ºs e 4ºs lugares têm caráter aleatório (cavalos sem maior chance para vencer ou fazer 2º procuram apenas colocações honrosas, seja para adquirir aguerrimento, esperar páreos mais acessíveis, ou, simplesmente, desonerar grandes prejuízos decorrentes do valor da pensão mensal, hoje proibitiva em função dos prêmios irrisórios outorgados aos proprietários. Este item reveste-se de primacial importância para a colimação dos fins pleiteados, porque dele fugir significa desastre econômico-financeiro certo e líquido. Repito: sem a elaboração de um plano consistente e racional de apostas, tendo como ponto de apoio as posses do interessado consciente, não se chega a lugar algum, ainda que sejam seletas as indicações dos cavalos obtidas pelos estudos efetuados.
Lasix:
lamentável foi a decisória de utilização dessa medicação, altamente prejudicial à saúde dos animais, de um, e, por outro lado, o registro da alteração da capacidade locomotora dos mesmos, mas atualmente é uma realidade, e, como tal, deve ser enfrentada. Segundo opiniões de tratadistas sobre a matéria, assinadas por veterinários de escol, o rendimento locomotriz dos cavalos passa por uma parábola ascendente e descendente, incidindo nesta última hipótese o uso contínuo de, em regra, 4 corridas, especialmente, quando seguidas. O ideal é sua ministração em intervalos de pelo menos 1 mês, para não provocar lesões pulmonares irremediáveis àqueles, o que raramente é feito, dada a ganância revelada por proprietários desprovidos de poder econômico suficiente para suportar os encargos inerentes à manutenção ou a provocação do sufoco em que se acham a maioria dos nossos treinadores, que, comumente não recebendo o valor do trato, se vêem obrigados ao supra apontado procedimento, para animais sangradores, de resto, quase todos, pelo menos, no grau I. Como o lasix melhora, geralmente, o rendimento do cavalo na escala ascendente, quando criteriosamente usado, deverá levar a preferência para o feito de apostas em relação aquele não ministrado, sendo certo que quando ocorre aparente igualdade de possibilidades de vitória.
Rateio:
via de regra, não se constitui em item de maior valor para o efeito de apostas, salvo quando há acentuada queda repentina de rateio na pedra de apregoações, hipótese que o mesmo deverá ser devidamente levado em consideração. Agora, há um ponto que deve ser inteiramente levado na devida conta: é o consubstanciado pelos rateios dos concorrentes, os quais para compensar fatores aleatórios de corrida (acidentes de percurso, peripécias desfavoráveis, má direção dada por jóquei, manqueiras, não confirmação das corridas anteriores, sem razão aparente, etc), deve, no mínimo, pagar 3 por 1. Lembro-me sempre do conselho sábio dado para mim pelo jóquei sorocabano Olavo Rosa, que montava o campeão Gualicho, “verbis”: “jovem, nunca aposte em cavalo que pague menos de 30, o risco dos grandes favoritos fracassar é de 40%, no mínimo.” Lembre-se de que um rateio elevado vale 15, 20, 30 vezes o capital empregado, o que significa dizer compensação certa para o investimento feito (você poderá perder, 15, 20, 30 vezes e ainda assim estará empatando nas apostas).
Treinador:
fator mais importante que o do jóquei, sem dúvida. Escolher os mais credenciados em qualquer circunstância, dando maior atenção aos que correm somente para ganhar, v.g., os que pouco inscrevem e vencem muito, o que poderá ser facilmente constatado nas estatísticas oficiais. Há os especializados em distâncias curtas, médias, longas e de grande fundo, os em provas de grupo, páreos comuns, potros, “claimings”, etc. Portanto, necessário se faz conhecer de perto essas especialidades, bastando, para tanto, consultar as revistas de turfe da semana e as anteriores, ou pela internet, para os que nela navegam.
Jóqueis:
sempre dar preferência para os mais atuantes, técnicos, corajosos e confiáveis, já que a máxima de todos conhecida e amplamente alardeada é verdadeira, “verbis”: “jóquei não dá pernas para cavalo, mas que as tira, tira.” Efetivamente, mesmo os mais famosos, não raro, dando direções imprecisas aos seus pilotados, colocam a perder animais com visíveis chance de vitória. Logo, é preciso considerar como até comum essa “defiance”, o que não aproveita aos que apostam em favoritos destacados, o que não é o caso do apostador inteligente e preocupado em ter lucros ou, pelo menos, não ter prejuízos maiores.
Ocorrências:
não me parece item de especial importância, porque, a par de sua validade ser apenas para 20 dias – decorridos 21 dias, consoante o Código Nacional de Corridas, o cavalo fica livre de qualquer punição por disparidade de atuação -, poucos são os jóqueis e treinadores que levam no Livro de Ocorrências os eventuais prejuízos sofridos durante o percurso pelos seus montados ou seus pupilos.

Precauções:
a) animais sadios tendem a manter os respectivos pesos, enquanto os doentios (nervosos, anêmicos, etc) tendem a oscilar frequentemente os mesmos, assim, significando, em caso de dúvida, dar-se preferência aos primeiros, quando na eleição correspondente; b) animais que se esforçam em demasia quando correm provas de grupo, especiais ou “listed races” e por essa razão geralmente se colocam, tendem a fracassar no páreo subseqüente, especialmente na hipótese de inscrição em exígua faixa temporal (aparecem amiúde como favorito ou uma das forças nas apostas); c) quanto à escolha entre 3 cavalos é preferível não apostar, a não ser em caso de existência de média aritmética superior a 3 por 1, rateio como se viu, mínimo para aquele ato; d) não confiar na intuição, em contrário ao conceituado pelo filósofo francês Henri Bergson, o qual, teorizando genialmente, criou um 3º modo de conhecimento, desde que, “in casu”, constitui-se, na maioria das vezes, em mera ilusão desfiguradora da verdade.

Jornal do Turfe - Alexandre Baraldi