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Opinião

O planejamento e o poder executivo 24/08/2014

Marcelo Gomes de Araújo*

Em um reino muito distante, tempos atrás, quando não havia ainda, celular, internet, facebook, etc, morava uma centopeia já idosa, que contraiu reumatismo. Imagine só que tragédia! O bichinho que tem cem pernas, pega uma doença dessa!

Desconsolada, ela foi bater na porta do ministro do planejamento, por conselho de seu próprio médico. O ministro a atendeu com toda atenção, ouviu seus lamentos e respondeu, depois de breve reflexão:

- Vou lhe dar, Dona centopeia, uma solução que vai resolver 98% de seu problema.

A centopeia pensou: 98%, que maravilha! E perguntou ao ministro:

- E então senhor ministro, o que devo fazer?

E ele:

- A senhora se transforma numa galinha, que só tem duas pernas.

Apreensiva, a centopeia indaga:

- Mas senhor ministro, como é que eu faço para virar uma galinha?

Rapidamente, o homem saiu com esta:

- Isso não é comigo! Pergunte ao poder executivo. Eu só planejo!

A fábula da centopeia é lúdica. Entretanto, está presente em nossa vida real, bem mais próxima do que a gente imagina.

A falta de planejamento de médio e longo prazo, da Caixa Econômica Federal, para a rede lotérica, nos empurra cada vez mais para um abismo de incertezas.

Desde 2008, quando realizamos o seminário “Novos Negócios para a Rede Lotérica”, e apresentamos o projeto de “Reengenharia de Loterias”, temos manifestado nossa preocupação com essa questão.

A criação do “Caixa Aqui” corrói diretamente as lotéricas situadas na região onde esses pontos são implantados, contribuindo diretamente para sua desvalorização.

O pior é que se tratam de pontos que colocam em risco a própria credibilidade da rede. São contratos não licitados - como as casas lotéricas -, com comerciantes que muitas vezes sequer têm ativos que garantam a Caixa contra prejuízos causados pela inadimplência por esses pontos chamados de Caixa Aqui.

Esta é uma diferença fundamental entre tais pontos e as casas lotéricas, portadoras de ativos legítimos, garantidores de eventuais prejuízos.

É evidente que tal ação é consequência clara da falta de planejamento. Cerca de sete anos atrás, a direção da FEBRALOT apresentou à CAIXA proposição inédita, cuja essência era prestar serviços a diversos bancos, além da própria CAIXA.

Naquela ocasião, acompanhei o processo de perto, pois eu integrava a diretoria da FEBRALOT.

O objetivo de nossa proposta era ampliar as receitas tanto dos lotéricos quanto da CAIXA.

Passados dois meses, a instituição nos enviou lacônico comunicado, dizendo estar avaliando uma parceria com o Banco do Brasil.

Cabe aqui uma ponderação relevante. Na época, a legislação vigente não vedava os nossos propósitos (Resolução nº 3.110 do Banco Central do Brasil).

Lamentavelmente, em função da recorrente falta de planejamento por parte da CAIXA, nada aconteceu.

No governo é assim: tudo pode acontecer, inclusive nada!

Hoje vivemos em um momento de bancarrota da rede lotérica, causada pela falta de recebimento de tarifas adequadas e compatíveis com os custos dos serviços, e também por falta de planejamento estratégico de negócios.

Aliás, essa situação caótica da rede é consequência clara da falta de planejamento.

O direito à participação da rede lotérica nos lucros proporcionados pela Caixa é absolutamente inegável.

E por que nossos méritos nunca são reconhecidos? Ficam sempre camuflados, dissimulados.

Enfim, quando é que a Caixa vai nos valorizar como merecemos, em todos os sentidos?

Fica aqui, amigos lotéricos, o nosso apelo.

Afinal de contas, todos sabem que a centopeia só vai virar galinha, no dia em que o jabuti subir na árvore!

Grande abraço.

(*) Marcelo Gomes de Araújo é presidente do SINCOEMG