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O foco agora é outro

25/02/2014

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Todo início de ano é possível avaliar as ações, e, as atitudes que foram colocadas em prática no período anterior. Verificar o que deu resultado e pode ser mantido, e o que precisa ser corrigido. Um fato não pode ser ignorado, a visão de resultado em longo prazo permitiu que a Rede Lotérica, pelo menos em São Paulo, tivesse ótimos resultados. Toda a categoria foi contemplada com a lei 12.869/13, que trouxe garantia jurídica; teve ainda o ajuste da Circular nº 621, permitindo a venda das lojas, mas precisamos de mais. Precisamos do reajuste dos valores das apostas das Loterias e do reajuste das tarifas dos serviços prestados, em condições reais de suprir o custo da atividade comercial. Na realidade nas tarifas precisamos de um novo modelo, pois o atual já está por inviabilizar o negócio.

A CAIXA precisa levar em conta o custo do lotérico, antes de efetuar convênios. Não basta ser interessante só para um lado. Toda moeda tem duas faces, portanto devemos opinar no valor que nos cabe, e, não recebe-lo goela abaixo, muitas vezes com prejuízo, conforme demonstramos através de estudos, que parece são jogados no lixo.

É em busca disto que São Paulo vai atuar intensamente neste novo período. Sabemos que o calendário nacional vai contar com alguns intervalos, além do Carnaval e dos Feriados, teremos desta vez a Copa do Mundo e as eleições, ocupando pelo menos dois meses da nossa rotina. Mas, o objetivo será o equilíbrio econômico da categoria.

Não dá mais para aceitar que o preço da aposta da Mega-Sena, carro-chefe das loterias, esteja sem reajuste há 05 anos. A Dupla Sena nunca foi reajustada desde que foi criada (há 13 anos). O mesmo caso da Timemania, com o mesmo preço desde 2008. E o que está ruim, ainda pode ser pior, quando analisamos os números das tarifas pagas pelos serviços realizados. Dos 21 serviços realizados, 16 deles geram prejuízo para a categoria. O valor da tarifa recebida pela abertura de contas na lotérica, por exemplo, tem um custo de R$ 5,06. A Caixa remunera o lotérico em R$ 2,50, o déficit de R$ 2,56 por operação, fica por conta de cada lotérico.rolda

Conseguimos quebrar muitas barreiras e obtivemos boa experiência de negociação ao longo dos últimos tempos. O acesso à Secretaria de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda, para conseguir negociar os valores das apostas das Loterias e bolões, os corredores do Congresso Nacional etc.. Sempre quando atuamos pelo reajuste dos valores das apostas a negativa vem acompanhada do “sermão” de que novos preços impactariam na inflação. Oras, se estamos há pelo menos cinco anos sem reajuste, e nós pelo que parece somos o termômetro, a inflação no Brasil deveria ser ZERO. QUAL O SEGMENTO NESTE PAÍS QUE NÃO REPÔS SUAS PERDAS???? Então, a Rede Lotérica é na verdade o esteio da economia!? Deveríamos receber premiações por manter os números nacionais equilibrados! Desafio o Governo a informar um segmento da economia que está sem reajuste há pelo menos 12 anos!

Em Assembleia Geral a Rede Lotérica votou uma nova estratégia do SINCOESP e vamos acatar. Vamos procurar algo que acrescente à Rede Lotérica.

Temos que repor as nossas perdas e, para que isto seja possível, podemos até mesmo acampar no Ministério da Fazenda, se for necessário. Além de colocarmos em prática, se necessário, uma série de ações: marcar uma audiência pública; envolver a mídia; iniciar ações jurídicas, ou recorrer aos políticos que estiveram engajados com a Rede Lotérica nos últimos anos.

A falta de reajuste das tarifas e dos valores das apostas impede que a Rede Lotérica aplique aos funcionários um piso salarial adequado, conceda benefícios condizentes. No ano passado a convenção coletiva foi encaminhada para dissídio pela Federação Feaac e o Seaac de São José dos Campos, durante cinco anos as negociações foram concluídas na mesa de negociação.

Arrastando um passivo trabalhista para os empresários da região, uma insegurança para o colaborador. E pior, uma rotatividade de funcionários que se recusam a receber um salário de R$ 800,00 [em SP] em vista da responsabilidade que a atividade exige.

VAMOS FOCAR NA REPOSIÇÃO DE NOSSAS PERDAS, E VAMOS CONSEGUIR. TODO LOTÉRICO TEM DIREITO A UMA REMUNERAÇÃO CONDIZENTE COM A GRANDEZA DE SEU TRABALHO.

(*) Jodismar Amaro, é presidente do SINCOESP e assina o texto acima na coluna Panorama Sindical do Jornal do Sindicato dos Lotéricos de São Paulo Janeiro/Fevereiro.