Home Destaque “O jogo é milenar, queira o Estado ou não as pessoas vão jogar e apostar”
< Voltar

“O jogo é milenar, queira o Estado ou não as pessoas vão jogar e apostar”

07/08/2014

Compartilhe

Com esta afirmação Javier Chá, Diretor Geral de Casinos del Estado do Uruguai, órgão vinculado ao Ministério da Economia e Finanças daquele país definiu para a reportagem do BNL durante a assinatura do convênio entre Brasil e Uruguai no Jockey Club do Rio Grande do Sul a necessidade do Estado regulamentar o jogo.

A estatal Casinos del Estado do Uruguay, além de ser responsável pela modernização dos hipódromos do país vizinho, como observado em Maroñas e Las Piedras através da gestão da HRU, também opera e controla 30 salas de jogos estatais, sendo 5 cassinos e 25 salas de jogos, que contam com 5,3 mil máquinas de caça-níqueis (tragamonedas). A maior sala do Uruguai chega a contar com mais de 600 máquinas em operação.

Segundo o responsável pelos cassinos do Uruguai, Javier Chá em 2013 as operações dos jogos arrecadaram cerca de US$ 240 milhões e empregaram 1,2 mil funcionários. Os resultados dos cassinos Conrad e Carrasco não estão computados nestes números porque são operados por empresas privadas.

Com relação ao acordo hípico entre os dois países, o dirigente comentou “as corridas de cavalo são centenárias no Brasil e no Uruguai e este protocolo integra os objetivos dos dois países. A indústria hípica do Uruguai de criação de cavalo puro sangue inglês movimenta cerca de US$ 120 milhões ao ano e gera 8 mil empregos diretos e 8 mil indiretos. “Esta atividade envolve 50 mil pessoas e para um país pequeno, como o Uruguai, é considerado um setor produtivo muito grande. Este acordo significa um crescimento importante para os dois países”, comentou.

Sobre a possibilidade do Brasil legalizar o jogo, Javier Chá disse que não acredita que a criação de um marco regulatório aqui afete substancialmente o movimento do jogo no Uruguai, mas entende que haverá impacto nas operações de Punta del Leste. Chá esclareceu que o jogo em outras cidades do país é sustentado pelo mercado interno. “Os turistas brasileiros continuarão frequentando o país independente do jogo legalizado no Brasil. O impacto deverá ser notado em Punta del Leste, pois o balneário é mais frequentado por brasileiros, mas não em outras cidades do Uruguai”, informou.

Segundo o dirigente, os argentinos jogavam mais que os brasileiros no Uruguai, mas em função das questões econômicas do país governado por Cristina Kirchner eles estão impossibilitados de jogar mais no Uruguai e em Punta del Leste.

Perguntado sobre quais recomendações daria as autoridades brasileiras que podem regulamentar o jogo em breve, Chá disse que preferia não emitir opinião nem recomendação “em respeito à autonomia e soberania do Brasil e também por entender que o país tem características diferentes”. Mas comentou sobre a forma liberal do Uruguai pensar sobre a indústria do jogo.

“O jogo é milenar, queira o Estado ou não as pessoas vão jogar e apostar. O que temos que fazer é canalizar estes recursos para o desenvolvimento social. É melhor o jogo legal com controle do que ilegal sem controle. Além disso, com o jogo legal é mais fácil dar garantias para o Estado e para o cidadão”, ensinou.

O dirigente também informou que atualmente está tramitando no Congresso uruguaio um projeto de lei que melhora ainda mais as condições de operações do jogo no Uruguai, além de modernizar a legislação atual. A proposta cria um organismo central (espécie de agência reguladora) específico de controle de todo o jogo no país, pois “atualmente é fragmentado” e vai facilitar a fiscalização.

A nova legislação também vai regulamentar as máquinas de rua e jogo online no Uruguai. Atualmente, existem cerca de 18 mil máquinas ilegais espelhadas pelo país.

“Não temos pretensão de acabar com o jogo clandestino, mas reduzi-lo. A pior lei é que não se cumpre”, finalizou Chá.