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“O negócio de Loterias tem como foco vender sonhos através dos jogos”

19/08/2008

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Recentemente, a Timemania foi lançada pela Caixa para agregar os jogos existentes nas loterias e, principalmente, pagar as dívidas dos times de futebol com o Governo Federal.
Porém, a Timemania ainda não conseguiu alcançar índices de venda favoráveis. Como se diz: ainda "não caiu no gosto popular".
Ao fazer um retrospecto, recordei que o primeiro sorteio de loterias no Brasil foi realizado na antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto, e com a arrecadação obtida foi construída a cadeia pública.
Hoje, a Timemania foi criada para resolver os problemas dos clubes de futebol.
Loterias são criadas para resolver problemas?
Acredito que sim, principalmente as demandas sociais, que as verbas Federais não conseguem resolver.
É certo que quase todos os jogos são cópias. No Brasil nada se cria, tudo se copia, se não me engano apenas a Loteca (Loteria Esportiva) foi criação brasileira. Apenas são feitas algumas modificações como, por exemplo, nome, formato, premiações.
Mas a questão não é copiar. É tornar o jogo atrativo, rentável.
Antes de lançar a Timemania, a CAIXA deveria ter formado uma comissão de pessoas especialistas em jogos, inclusive com a participação dos sindicatos lotéricos, para juntos elaborarem um jogo de sucesso.
Quem foi convidado para acompanhar a criação da Timemania? Quanto se gasta em mídia para consertar um produto? Quem pagará esta conta? Quanto se gastou na época do lançamento da Trinca da Sorte?
Só o lotérico é que continua na pior, pois segundo as estatísticas da CAIXA deveríamos vender este ano 8 bilhões em loterias. Pasmem, é isto aí mesmo, mas acredito que venderemos apenas 5 bilhões, o que representa uma queda de 40% nas vendas. Fazendo os cálculos, se colocarmos 60% a mais no faturamento de loterias, quanto deveríamos estar ganhando a mais por mês?
Para mim, o negócio de Loterias tem como foco vender sonhos através dos jogos.
Com a implantação do serviço de correspondente bancário nas casas lotéricas, gradativamente o nosso negócio está mudando de foco. De vendedores de sonhos para prestadores de serviços bancários.
Aliás, temos as responsabilidades de um banco, mas estamos longe, bem longe, dos privilégios de um banco.
O nosso desafio agora são as filas. Qual de vocês não conheçe alguém que já desistiu de fazer jogos por causa das filas nas loterias? E nosso negócio como fica?
O serviço de correspondente bancário não pode ser a atividade principal da empresa contratada por instituições financeiras. É isso que consta no art. 2º, da Resolução CMN/BACEN n. 3110, que veda as instituições financeiras de contratem empresas cuja atividade principal ou única seja de correspondente bancário, para executar serviços de "recepção e encaminhamento de propostas de abertura  de contas de depósitos à vista, a prazo e de poupança" (art. 1º, inc. I) e "recebimentos  e  pagamentos relativos  a  contas  de depósitos  à  vista, a prazo e de poupança, bem como a  aplicações  e resgates em fundos de investimento" (art. 1º, inc. II).
Mas o que está acontecendo nas casas lotéricas? Qual tem sido a nossa principal atividade?
Se não forem criadas rapidamente alternativas, que possamos retornar ao nosso verdadeiro negócio que é a venda de jogos, teremos um problema maior para resolver que o de receita para sobreviver!
Soluções existem para as filas nas casas lotéricas.
Já apresentei a proposta Reengenharia de Loterias que consta entre outras alternativas a implantação de caixas eletrônicos. A internet é também um potencial a ser explorado. Já a abertura de novas casas lotéricas não resolve esse problema. Em Belo Horizonte há um excessivo número de lojas mas as filas continuam…
Temos que refletir para agir!

(*) Marcelo Gomes de Araújo é presidente do SINCOEMG e veiculou o texto acima no Informativo Sinncoemg Edição 181.