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Opinião Zero Hora – Paulo Sant’Ana: “Eu gosto de jogar no bicho”

13/07/2015

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Um apostador, como eu e milhões de brasileiros, só pode jogar nos jogos da Caixa Federal.

Não temos opção para outras apostas, exclusividade da Caixa Federal.

Então, só posso jogar na Loto, na Mega-Sena, na Dupla Sena, só nos jogos da Caixa.

É um monopólio irritante. Por que a Caixa não estende a outras apostas e a outras iniciativas esse seu exasperante monopólio?

Eu gosto, por exemplo, de jogar no bicho. Só posso jogar no bicho no Uruguai e na Argentina, onde o governo concede a terceiros a exploração desse tipo de aposta. E, se eu por acaso for jogar no bicho clandestino, arrisco ser preso.

Isso está errado. Forçado, aqui no Brasil, o apostador a apostar nos tipos de apostas da Caixa, mesmo contra sua vontade. Isso é uma burrice, se não for safadeza.

O jogo de quaisquer apostas é do instinto humano. O homem criou o jogo para distrair o seu espírito, como forma de premiar apostadores. Só que, da forma como o regime brasileiro instituiu o jogo, ficou sem graça. Porque os ganhadores da Mega Sena ou da Dupla Sena só podem chegar ao sucesso se acertarem um sem-número de dezenas, o que é muito difícil, quase impossível.

Então, inteligentemente, o regime tinha de criar apostas em que os vencedores fossem milhares, em que não fossem exigidas inúmeras dezenas para ser acertador: mesmo ganhando pouco, quem acertasse duas ou três dezenas tinha de ser contemplado.

Assim como é atualmente entre nós, o sujeito passa a vida apostando e nunca é acertador. Ora, isso desanima…

Deixasse então o regime que fossem livres as apostas e quem quisesse bancá-las poderia fazê-lo, claro que os banqueiros tinham de ser registrados e pagariam os tributos respectivos.

Assim não! É aquela monotonia de ninguém acertando todos os dias através dos tempos, desancando todos os dias os apostadores, isso é de uma rotina exasperante.

Não dá esperança…

No Uruguai, por exemplo, joga-se no bicho. Mas acertar uma dezena ou uma centena para cada apostador é frequente.

Aqui no Brasil, para ser acertador tem que acertar quatro entre 60 dezenas. Impossível!!!

A Mega Sena e a Dupla Sena só aparecem com prêmios quando os apostadores atingirem o máximo de acertos, o que é praticamente impossível, tinham de ser também premiados os apostadores que acertassem poucas dezenas.

Eu sou doutor nesse assunto. E vejo que colocaram para administrar as apostas no Brasil pessoas que não entendem desse assunto.

É que no Brasil o jogo foi proibido durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, enquanto prosseguia no Uruguai e na Argentina. Então, eles adquiriram prática e se aperfeiçoaram. E nós ficamos aqui patinando, oferecendo aos apostadores jogos pouco atraentes.

Está tudo errado aqui, alguém precisa modificar tudo.

Tem que pôr a dirigir esses jogos pessoas entendidas que viajem ao Uruguai e à Argentina e tragam de lá modelos interessantes, de aceitação popular generalizada.

(*) Paulo Sant’Ana é colunista diário do jornal Zero Hora.