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Presidente da Serlopar também questiona contrato.

19/02/2004

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Curitiba – O presidente do Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar), Mário Lobo, confirmou que achou o processo de licitação realizado pelo governo Jaime Lerner (PSB) estranho. ”A empresa estava operando no Paraná depois de ter participado sozinha da licitação. Existiam questionamentos inclusive no TC e no MP. Os indícios não eram positivos”, declarou. O contrato vigorou até abril do ano passado, quando um decreto do governador Roberto Requião (PMDB) revogou uma resolução baixada com o aval do então secretário de governo José Cid Campêlo Filho que regulamentava a exploração de jogos de bingo no Paraná.

Procurado pela Folha, Cid Campêlo disse que a Ghetec nem ao menos conseguiu entregar a proposta da concorrência por ter, supostamente, atrasado com a confecção dos documentos. Ele disse que todas as três empresas credenciadas tiveram que respeitar o edital de licitação e mesmo diante das denúncias da Ghetec, que apontavam Ramos como empresário de péssima reputação em Goiânia, a concorrência não podia ser anulada. ”Aqui todas as exigências foram cumpridas. Não podíamos anular a concorrências por feitos dele em outros estados”, justificou.

Campêlo era, na época, também o presidente do Conselho do Serlopar. ”Não havia nada concreto que desabonasse a concorrência”, complementou. Campêlo se diz favorável à regulamentação federal do bingo. Para ele, a ”desregulamentação” é que favorece o crescimento da corrupção política e financeira. O ex-secretário confessou que teve contato com o empresário por duas oportunidades. A primeira quando ainda era secretário, para o desenvolvimento do contrato. ”Falei com ele apenas uma vez. Meus contatos eram sempre com os argentinos”, disse ele. A segunda teria sido para assuntos profissionais, depois que deixou o governo.

O advogado da Larami Diversões e Entretenimento, Willian Esperidião David, disse que a empresa participou com lisura da concorrência pública em 2001. Atualmente, com as portas fechadas, a Larami tenta reverter na Justiça o decreto do governador Roberto Requião (PMDB) que proibiu o funcionamento de máquinas de videoloteria no Paraná. As máquinas, todas arrendadas, foram devolvidas para os fabricantes.

Quarenta e dois funcionários foram dispensados. Nos despachos iniciais, o pleito dos empresários foi negado. O assunto está sendo analisado agora no Superior Tribunal Federal (STF). L.P.
Folha de Londrina (PR)