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Qualidade da Gestão Caixa atinge população

28/06/2013

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Jodismar Amaro*

A Rede Lotérica caminha na contramão da modernização quando o assunto é prestação de serviços à população. E a responsabilidade pelo caos enfrentado diariamente pelas Casas Lotéricas está diretamente ligada à gestão inversa adota pela Caixa Econômica Federal.

Por que gestão inversa? Sem capacidade técnica suficiente, em 2005 quando o contrato da Gtech encerrou, a Caixa decide realizar a gestão total do sistema da Rede Lotérica. Já as empresas privadas adotam a terceirização de serviços como a estratégia adequada para garantir qualidade no atendimento, rapidez, economia, credibilidade.

Mesmo após uma paralisação nacional, com divulgação na mídia, a Caixa não adotou mudanças tecnológicas para o sistema da Rede. A gestão desastrosa da Caixa é sentida pela Rede Lotérica há pelo menos oito anos. E só agora, com o caos social causado pelo boato de extinção do benefício social do Governo Federal “Bolsa Família”, o desserviço tecnológico da Instituição Financeira atingiu a população.

Se a equipe tecnológica demorou oito dias para responder ao presidente da CEF Jorge Hereda, o que tinha acontecido para que os beneficiários de 13 estados corressem aos caixas eletrônicos para realizaremos saques (entre os dias 18 e 19 de maio). Uma crise em âmbito nacional. Quanto tempo é necessário para resolver o problema tecnológico da Rede. Isso mesmo, oito anos. E até agora, nenhuma decisão efetiva.

Baseado na experiência ao longo dos anos de carreira na Instituição, o que sugerem os executivos da Caixa que o empresário lotérico faça para recuperar o prejuízo, cobrir os custos do investimento e, finalmente retirar um lucro em sua Lotérica? Ou só estão preocupados com a própria carreira?

Como continuar trabalhando tendo despesas que aumentam todo ano, enquanto as tarifas repassadas pela Caixa estão abaixo do custo, e o valor das apostas estão congelados pelo Ministério da Fazenda, alguns a mais de 10 anos?

Como atender as necessidades básicas dos nossos colaboradores, e aplicar reajustes salariais condizentes com o trabalho que realizam na Rede Lotérica, se a atividade lotérica não apresenta lucro?

Como obter um retorno financeiro em um serviço que o produto carro-chefe foi reajustado pela última vez quatro anos atrás? Quando em 2009 a Mega-Sena passou de R$ 1,75, para R$ 2,00.

Perseverança é a maior característica da Rede, que, além de cuidar de uma crise financeira sem precedentes, ainda precisa lutar juridicamente para garantia da sua permissão lotérica.

Durante cinco anos, o PL 4280/08, que regulamenta a atividade lotérica, tramitou na Câmara dos Deputados, até ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, e seguir para o Senado. O projeto determina, principalmente, a garantia jurídica do contrato e a renovação automática por até 40 anos.

A luta pela garantia do contrato continua. Em conjunto com a atuação por um reajuste urgente, e verdadeiro, para os serviços prestados pela Rede Lotérica. E também, para as apostas das Loterias da Caixa.

A cobrança pela qualidade oferecida à população chega. E, não deve demorar muito. O caso com o Bolsa Família pode ser o primeiro, de uma série em cadeia.

(*) Jodismar Amaro é presidente do SINCOESP e assina a coluna Panorama Sindical no Jornal do Sincoesp