Saiba quem está lucrando com os cassinos indígenas.

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Anita Hollow Horn, uma atraente e brilhante membro da tribo oglala sioux, é uma típica beneficiária do jogo indígena. Ela vive em Pine Ridge, Dakota do Sul, na reserva da tribo dela, com suas moradias lotadas, 88% de desemprego e taxa de evasão escolar de quase 50%. Anita, 37 anos, e seus quatro filhos dividem uma casa de três quartos, em frente a um aterro sanitário, com a mãe e o padrasto dela, e sete outros parentes. Quatorze pessoas vivendo em uma casa térrea com um único banheiro. Anita e sua filha de 9 anos dormem em uma cama em um canto do porão; os outros filhos dela dormem no chão do quarto acima. O irmão dela de 35 anos, Reginald, que tem câncer, dorme em outro canto com seus dois filhos, um de 10 e outro de 15 anos. Fica mais difícil quando o porão alaga.
"Às vezes o esgoto volta", disse Anita, "e ele alaga tudo aqui embaixo". O mofo preto já tomou conta totalmente de uma parede sob a escada e está tomando conta de outra. Assim, como Anita está se beneficiando com a indústria indígena do jogo de US$ 12,7 bilhões? Como a maioria dos nativo-americanos, nem um pouco. No ano passado o Prairie Wind Casino dos oglala, abrigado em um estrutura temporária, branca, parecida com uma tenda de circo menor do que um campo de beisebol, obteve um lucro de US$ 2,4 milhões em uma receita total de US$ 9,5 milhões. Grande parte do dinheiro custeou programas gerais, como serviços para os idosos e jovens, assim como desenvolvimento educacional e econômico. Mas mesmo se houvesse divisão de lucros, o pagamento resultante seria um salário diário de apenas US$ 0,16 para cada um dos 41 mil membros da tribo. Mas isto não significa que os membros de algumas pequenas tribos próximas de grandes cidades não estejam se dando bem com o jogo. Em Minnesota, 300 membros da comunidade shakopee mdewakanton sioux estão levando para casa mais de US$ 1 milhão por ano.
Mas casos como este são uma exceção. Apenas 25% das tribos que exploram o jogo distribuem dinheiro para seus membros, e geralmente não mais do que uns poucos milhares de dólares para cada.
Mas se a grande maioria dos nativo-americanos como Anita não estão se beneficiando do boom dos cassinos indígenas, quem está? Em muitos casos, os grandes vencedores são os investidores não-indígenas, alguns dos quais embolsando mais de 40% dos lucros dos cassinos indígenas. Na verdade, chamar estas pessoas de investidores minimiza seus papéis. Elas geralmente atuam como estrategistas que traçam os planos e então subscrevem o financiamento do custo total de botar o cassino em funcionamento: selecionando uma tribo tratável, pagando um bônus de assinatura, colocando em ordem as despesas tribais e pagando os salários das autoridades da tribo, tudo isto antes que qualquer coisa seja feita. E se um grupo indígena não está reconhecido federalmente como tribo e portanto está excluído do empreendimento de jogo, estes financiadores pagam para que genealogistas reconstruam a árvore da família, então contratam advogados e lobistas em Washington para ajudar a mudar o status do grupo. E se a reserva não é a propriedade ideal para um cassino, os investidores às vezes compram um terreno mais adequado, e orientam seus advogados e lobistas a persuadirem o governo a designar a terra como sendo uma reserva. Construir o cassino é o passo mais fácil.
Os homens do dinheiro
Praticamente os financiadores não são supervisionados. A Comissão Nacional para o Jogo Indígena (Nigc), a agência carente de pessoal, carente de recursos, que atua pouco e é mal supervisionada, que deveria policiar o jogo nas reservas indígenas, sabe muito pouco sobre a maioria dos investidores. Segundo suas normas, a agência deveria aprovar os contratos de administração entre empresas externas e as tribos. Mas uma brecha bilionária permite que as tribo fechem contratos de consultoria sem a aprovação da Nigc. Nem as empresas, seus investidores e nem os termos de consultoria estão sujeitos à análise da comissão.
Uma investigação do Departamento do Interior de junho de 2001 mostrou que havia 323 operações de jogos indígenas, de bingos do corpo de bombeiros até grandes cassinos, mas que apenas 31 estavam operando sob contratos de administração aprovados pela Nigc. Como o Escritório do Inspetor Geral do departamento concluiu posteriormente, "quase todas as tribos estão utilizando contratos de consultoria para contornar a regulamentação e a autoridade da Comissão Nacional para o Jogo Indígena".
Desta forma, as tribos estão praticamente livres para fechar acordos financeiros como bem entendem. Às vezes os nomes dos investidores vêm à tona, às vezes não. Os líderes tribais não precisam revelar o pagamento para os executivos ou os acordos administrativos, declarar seus lucros, emitir declarações financeiras auditadas ou divulgar os contratos para o público ou para os membros da tribo. Nem todos estes acordos dão certo para os homens do dinheiro, mas os que dão geram lucros espetaculares. Alguns poucos investidores de fora possuem passados distintos -alguns diriam controversos. Aqui estão os perfis de três:
O jogador de pôquer
Diga o que quiser sobre Lyle Berman -e as pessoas já o chamaram de muitas coisas: pit bull, intimidador, competidor temível -mas ninguém nunca o acusou de modéstia. Sobre sua empresa de desenvolvimento de cassinos, a Lakes Entertainment Inc., Berman certa vez disse aos repórteres: "Nós somos a empresa mais bem-sucedida no jogo indígena". Devido ao segredo que cerca o jogo nas reservas indígenas, é impossível saber se isto é verdade. Mas Berman claramente tem se saído bem desde que começou a desenvolver e administrar os cassinos indígenas há mais de uma década. Entre suas propriedades estão: um rancho na elegante Telluride, Colorado; uma casa em Palm Springs, Califórnia; uma propriedade chamada Casa Berman Palmillia na Riviera Mexicana; um condomínio em Las Vegas; e um imóvel de US$ 5 milhões em Wayzata, Minnesota. Segundo seus cálculos, em setembro de 2001, ele valia quase US$ 69 milhões. Um empreendedor nato, Berman revelou seu toque quando transformou o negócio de atacado de couro da família na maior empresa de varejo de acessórios de couro do país, agora conhecida como Wilsons the Leather Experts Inc. Mas a verdadeira paixão de Berman era o jogo: ele já ganhou três títulos nacionais de pôquer, e é um membro do Salão da Fama do Pôquer no Binion’s Horseshoe em Las Vegas.
Na mesa de pôquer, a revista "Gaming" escreveu certa vez, Berman joga "com a percepção de um psiquiatra e a determinação de um lutador". De todas as apostas feitas por Berman, a mais esperta foi apostar no jogo indígena, com sua decisão em 1990 de juntar forças com uma tribo de Minnesota, os mille lacs dos índios ojibwe, e construir um cassino na reserva deles a 112 quilômetros ao norte de Minneapolis. Em troca da administração do lugar, Berman e seus parceiros receberam 40% dos lucros por sete anos, período após o qual a tribo assumiu. Ansioso para repetir o modelo, Berman apoiou outros três empreendimentos indígenas: o Grand Casino Hinckley, também em Minnesota, e dois cassinos na Louisiana.
Em 1999 uma empresa predecessora, a Lakes Gaming Inc., uma empresa de capital aberto, ganhou US$ 57,7 milhões em taxas de administração e teve um lucro líquido de US$ 28,8 milhões. Berman se saiu tão bem que em 1997, Graef Crystal, o guru da compensação executiva, chamou seu pacote de compensação para o ano anterior -que totalizava US$ 18 milhões em salários e opções de ações- como "o terceiro mais escandaloso" nos Estados Unidos. Mas nem todos se saíram bem nos empreendimentos de Berman. Em meados dos anos 90, sua firma, chamada na época de Grand Casinos Inc., investiu pesadamente em um badalado cassino e resort de Las Vegas, o Stratosphere, que terminou no tribunal de falências nove meses depois de sua ruidosa inauguração. Os acionistas perderam milhões.
Quanto a Berman, ele vendeu as ações antes que despencassem. Os acionistas irritados processaram, alegando que foram ludibriados em relação aos lucros potenciais. O processo foi concluído com um acordo de US$ 9 milhões, mas no acordo Berman negou as acusações. Hoje Berman tem acordos para desenvolver mais cinco cassinos indígenas: três na Califórnia, um em Massachusetts e um em Michigan, em um ponto excelente a apenas 112 quilômetros a leste de Chicago.
A conexão africana
É difícil ser mais controverso do que Solomon Kerzner. Há o cassino extravagante que ele construiu em sua terra natal, a África do Sul, tirando proveito do apartheid; o escândalo financeiro que o ligava a um primeiro-ministro que teve que renunciar; a sucessão de esposas, incluindo uma ex-Miss Mundo; e atualmente o Mohegan Sun, um cassino indígena bilionário em Connecticut que ele fez acontecer.
Kerzner, 67 anos, se encontrava em posição ideal para enriquecer como financiador do jogo indígena. Ele já teve sucesso antes em sistemas de jogos com regulamentação branda. A África do Sul tinha proibido o jogo, mas o permitiu em áreas tribais, estabelecidas pelo governo branco da época do apartheid para serem habitadas pelos negros.
Tendo iniciado sua carreira como contador, Kerzner abriu seu primeiro hotel-cassino em 1977 em Mmabatho, a capital da terra dos bophuthatswana, a cerca de 240 quilômetros de Johannesburgo. Naquele ano ele começou a planejar o que viria a se tornar o opulento complexo de resort-cassino-entretenimento-parque temático Sun City. Quando foi inaugurado em 1979, o Sun City -contando com quatro hotéis, uma arena com 6.000 lugares e um lago artificial de 186 mil metros quadrados para esportes aquáticos- se tornou o destino favorito para os brancos de Johannesburgo e Pretória que queriam escapar das restrições morais de seu país e jogar, assistir filmes pornográficos leves e showgirls brancas e negras de topless.
Rotulado como o homem mais rico da África do Sul, Kerzner se envolveu em confusão em 1986, quando ganhou a permissão para um hotel e cassino em outro território, Transkei. Para obter uma licença de jogo exclusiva, ele pagou mais de US$ 900 mil para o primeiro-ministro de Transkei, George Matanzima, que foi forçado a renunciar e posteriormente foi preso por fraude. Kerzner alegou que Matanzima extorquiu o dinheiro, e o governo sul-africano não quis processá-lo. Kerzner mudou sua base de operações para a Grã-Bretanha, e de lá ele expandiu seu império de hotéis e cassinos para a França, Marrocos e Bahamas, onde ele abriu o muito lucrativo Atlantis Casino and Resort.
Em 1994, assim que o Bureau de Assuntos Indígenas (BIA) reconheceu formalmente os mohegans como tribo, Kerzner e vários parceiros fecharam um acordo para desenvolver e administrar o cassino proposto da tribo. A taxa deles: mais do que os legalmente permitidos 40% da renda líquida. O acordo com a Nigc foi negociado privadamente, e o então diretor Harold Monteau o assinou.
Os outros dois comissários e vários membros da agência fizeram objeção, reclamaram que Monteau acertou o pacote generoso em segredo. Monteau atualmente é lobista para questões de cassino para mais de uma dúzia de tribos. O Mohegan Sun copia a sensibilidade escandalosa do Sun City. Sua lucratividade é igualmente imoderada. Neste ano ele se tornou o segundo cassino bilionário de Connecticut e dos territórios indígenas (atrás do Foxwoods) quando sua receita anual atingiu os 10 dígitos. O crescimento de 32% em relação ao ano passado é resultado da abertura de um segundo complexo, que torna a área total de jogo do Mohegan Sun maior do que a área somada dos cassinos Mirage, Stardust e Tropicana na Las Vegas Strip.
Kerzner, os mohegans e Nigc não divulgam detalhes do acordo de administração, mas com base nos dados financeiros tirados de registros do governo, Kerzner sairá com cerca de US$ 400 milhões. Seus parceiros dividirão outros US$ 400 milhões. E Kerzner irá atrás de mais. Ele e seus parceiros fecharam um acordo com os sockbridge-munsee dos índios moicanos, em Wisconsin, para desenvolver um cassino em Catskills.
O bilionário malaio
O maior vencedor até o momento no jogo indígena é certamente Lim Goh Tong, o empresário chinês-malaio de 85 anos que bancou o Foxwoods, no nordeste de Connecticut. O Foxwoods, o maior espaço de jogo do país, é na verdade uma constelação de cinco cassinos a cerca de 16 quilômetros do Mohegan Sun. Em um dia normal, 40 mil pessoas passam pelo que antes era uma tranqüila área rural da Nova Inglaterra. Lim sabe como disputar favores do governo. Ele fez fortuna como empreiteiro da construção de grandes projetos de infra-estrutura do governo malaio. Em meados dos anos 60, enquanto construía uma represa hidrelétrica em Cameron Highlands no país, ele sonhou em desenvolver um resort e cassino na área, que conta com fácil acesso de Kuala Lumpur, a capital.
Apesar de a Malásia ser um país predominantemente muçulmano e o Islã proibir os muçulmanos de jogarem, ele conseguiu aprovação do governo em menos de um dia. Nas mais de três décadas que se passaram, seu acordo de exclusividade para aquele que ainda é o único cassino da Malásia eqüivale a uma licença para imprimir dinheiro.
Seu acordo de 1991 para financiar o desenvolvimento do Foxwoods para os índios mashantucket pequot, uma tribo que contava com menos de 200 membros na época, provou ser igualmente lucrativo. Apesar dos detalhes financeiros não serem revelados, é possível estimar a sorte do magnata. Lim fez dois empréstimos, um de US$ 60 milhões, e outro de US$ 175 milhões. Sua empresa, a Kien Huat Realty Ltd., receberá juros dos empréstimos ainda por muitos anos. Mas Lim realmente tirou a sorte grande com uma cláusula que lhe dá 10% da renda líquida do Foxwoods até 2018. A renda bruta do Foxwoods é de mais de US$ 1 bilhão por ano. Presumindo que não haja um reverso da fortuna do cassino, estima a "Time", Lim e sua família ganharão US$ 1 bilhão ao longo da vida do acordo. A mordida do imposto americano? Como investidor estrangeiro, Lim pagará uma taxa altamente descontada -menor do que a que paga uma família americana que ganha menos de US$ 20 mil por ano.
A grande corrida por terras
Quando o jogo foi proposto pela primeira vez como instrumento para o desenvolvimento econômico dos índios, esperava-se que os cassinos ficassem confinados às reservas rurais onde as tribos empobrecidas vivem há gerações. Mas como qualquer transação envolvendo imóveis, tudo gira em torno de localização, localização e localização. Os cassinos em reservas próximas de áreas urbanas, com uma pronta oferta de jogadores, se saíram bem. As mais remotas, sem causar surpresa, fracassaram. O resultado: uma corrida louca das tribos e de seus parceiros financiadores não-indígenas para encontrar propriedades de qualidade que pudessem reivindicar como sendo terra para "reservas" -e então construir nelas reluzentes novos cassinos. Os pontos preferidos eram próximos de grandes cidades e ao longo de importantes rodovias. Não importa se as tribos tenham alguma vez vivido lá.
Com a benção do BIA, estas reservas instantâneas estão despontando por todo o país. A nova reserva da comunidade dos Índios Auburn Unidos fica em um parque industrial em Roseville, Califórnia, a poucos minutos da Interestadual 80, uma das rodovias mais movimentadas da Califórnia. Os até então sem-terra match-e-be-nash-she-wish -também conhecidos como gun lake dos índios potawatomi- agora possuem uma reserva de 200 mil metros quadrados à margem da movimentada rodovia federal 131 no sul de Grand Rapids, Michigan. Mais a oeste, no estado de Washington, o BIA reservou 226 mil metros quadrados à margem da Interestadual 90 ao leste de Seattle para a tribo snoqaulmie desenvolver um cassino.
Reserva de lucros
Para perceber o quão frenética se tornou a atividade dos investidores, veja a ação que se formou em torno de um trecho de terra que em outras circunstâncias despertaria pouco interesse do outro lado do rio Sacramento, para quem vem da capital da Califórnia. Os upper lake dos índios pomo, uma tribo de 150 membros, disseram nos autos do tribunal que a terra natal de seus ancestrais, a duas horas de carro de Sacramento, tinha "pouco valor econômico". Assim eles queriam desenvolver um cassino na área do rio, apesar de não ser dona das terras nem ter dinheiro para comprá-la. Mas a tribo tem amigos com poder de influência e bolsos profundos.
Um grupo de ricos investidores liderados por Roy Palmer, um ex-advogado briguento de Chicago, obteve os direitos sobre a área de 270 mil metros quadrados em nome da tribo, e passou a arcar com as despesas para tentar obter a aprovação do governo para a criação da reserva e cassino. Palmer e dois amigos da Flórida, Robert Roskamp e Philip Kaltenbacher, o ex-presidente do diretório de Nova Jersey do Partido Republicano, formaram uma empresa chamada SRQ Inc. para desenvolver e administrar o cassino. Eles planejam um complexo ostentoso ao estilo Las Vegas projetado para imitar o prédio do legislativo estadual. Se o BIA aprovar o plano e conceder a área, o grupo de Palmer transferirá a propriedade para os upper lake. Em troca, a SRQ administrará o cassino por sete anos e ficará com 30% de seus lucros líquidos anuais.
Para Palmer, que gosta de gravatas borboleta e paletós esporte espalhafatosos, isto pode representar um replay de um dos capítulos mais lucrativos de sua carreira. No início dos anos 90, quando o jogo indígena ainda dava seus primeiros passos, Palmer e um parceiro formaram a Buffalo Brothers Management Inc. para desenvolver e administrar dois cassinos para os índios chippewa, em Wisconsin. A empresa negociou um acordo para ficar com 40% da receita total dos cassinos para administrar suas operações. Então recomendou que a tribo alugasse os caça-níqueis da Interstate Gaming Services Inc., uma empresa de propriedade do próprio Palmer e de seu sócio. A taxa: 30% da renda obtida por cada máquina. Como os caça-níqueis respondem por grande parte da receita de jogos nos cassinos indígenas, a Buffalo Brothers ficou com 70% dos lucros -muito mais do que os 40% permitidos pela lei. Apenas em um ano, 1992, as duas empresas faturaram US$ 14 milhões.
Apesar do BIA ter aprovado os acordos dos chippewa, alguns membros da tribo sentiram que estavam sendo enganados. Após uma investigação, Michael Liethen, o diretor do Escritório para Jogo Indígena da Comissão de Jogo de Wisconsin, recomendou em 1993 que o estado revogasse a licença da Buffalo Brothers. Em vez disso, o estado demitiu o diretor. (Alguns anos depois, o estado pagou para ele US$ 290 mil como acordo no processo pela sua demissão.) Os membros irritados da tribo processaram a Buffalo Brothers, e em 1994, os chippewa compraram a parte dela do contrato, por mais de US$ 30 milhões. Palmer e seu sócio deixaram o estado como homens muito ricos.
"Eu estava no local certo na hora certa", ele disse posteriormente para a revista "Sarasota". Palmer contestou a noção de que tirou proveito da tribo e disse que foi vítima da política tribal: "Nós não fizemos absolutamente nada errado. Eles perderam o caso em todos os pontos, em todas as jurisdições. Foi apenas um trabalho para manchar a reputação".
Quanto aos 30% que sua empresa recebia para o fornecimento dos caça-níqueis, ele disse: "Nós usamos todo aquele pagamento para pagar pelas máquinas". Mesmo na Califórnia, onde as tribos não hesitam em reivindicar terras que nunca foram delas, a proposta do casino de West Sacramento fica em uma categoria à parte. Não apenas um grupo de cidadãos de West Sacramento está lutando contra, mas outras oito tribos do Norte da Califórnia se opõem a ela. Em uma carta conjunta redigida em abril deste ano, as tribos disseram que se os upper lake forem autorizados a "mudar suas terras para qualquer área que desejarem, isto representará uma ridicularização da própria história e demografia indígenas na Califórnia e arranhará a credibilidade e a legitimidade das tribos por todo o estado".
Pressão e desafio
Pela própria audácia, é difícil derrotar a visão compartilhada de um desenvolvedor da Flórida e de uma tribo indígena de Oklahoma para a construção de um cassino no Kansas. O desenvolvedor é Alan Ginsburg, que comanda a North American Sports Management (Noram), que já fechou acordos de desenvolvimento de cassinos com tribos de cinco estados. A tribo é a Wyandotte de Oklahoma, que possui 3.900 membros, e possui uma reserva no canto nordeste do estado. Oklahoma proíbe cassinos ao estilo Las Vegas, e este é o motivo dos wyandottes quererem uma reserva satélite no Kansas, que permite o jogo. Como os ancestrais da tribo viveram no Kansas no século 19, ela teve pouca dificuldade para persuadir o BIA a consignar um templo maçônico vizinho a um cemitério indígena no centro de Kansas City, em frente à prefeitura. Isto torna a antiga loja maçônica e o pequeno lote ao seu redor apto ao jogo indígena. Não que os wyandottes e Ginsburg quisessem construir um cassino lá.
Mas eles certamente conseguiram chamar a atenção das autoridades. O que eles realmente queriam era uma grande propriedade na área metropolitana. Quando as negociações empacaram, a tribo transferiu os prédios temporários para a propriedade no centro e ameaçou abrir um minicassino. Eles também impetraram um processo contra os 1.300 proprietários de um distrito industrial próximo, os acusando de estarem ocupando terras tomadas indevidamente da tribo há 200 anos. A pressão nada sutil dos wyandottes aparentemente funcionou. As autoridades locais concordaram em permitir que a tribo construísse um cassino e hotel em uma área de 210 mil metros quadrados na divisa oeste de Wyandotte County. O deputado federal Dennis Moore, o representante democrata da região, apresentou uma legislação para ratificação do acordo pelo Congresso, contornando assim o BIA. Se for aprovada, a tribo passará a ter três reservas -em dois estados.
Não há tribo? Sem problema
O cassino imaginado pelos lytton dos índios pomo deve se tornar um dos mais lucrativos do país. No início dos anos 50, os lyttons consistiam de duas grandes famílias, os Steeles e os Myerses, que eram as únicas ocupantes de uma reserva de 200 mil metros quadrados para índios sem-terra no norte de Healdsburg, Califórnia. As famílias às vezes brigavam, mas eventualmente passaram a compartilhar um sonho comum: elas queriam ser proprietárias de terras, não inquilinas de uma reserva. Em 1952, John e Dolores Myers escreveram ao BIA pedindo "os direitos e a posse desta propriedade". Os Steeles enviaram uma carta semelhante: eles também queriam que a posse das terras da reserva fosse dada a eles. Por vários anos as famílias escreveram muitas cartas ao bureau -e para membros do Congresso- defendendo seu caso. Finalmente, em 1961, após uma lei do Congresso ter aberto o caminho para que as terras das reservas fossem divididas entre os membros individuais das tribos, elas conseguiram o que queriam e o BIA transferiu a propriedade para elas. Em dois anos as famílias venderam as propriedades. Duas décadas depois, quando os salões de bingo começaram a proliferar pelo estado, os descendentes dos lytton decidiram se reformar e assegurar o reconhecimento oficial, que é necessário para a abertura de um cassino. Eles contornaram o processo regulatório tradicional e pegaram carona em um processo impetrado por um grupo de índios do Norte da Califórnia que reclamavam que o governo federal extinguiu indevidamente suas tribos nos anos 60. Quando o juiz decidiu a favor do grupo em 1991, os lyttons também foram formalmente reconhecidos. Obter terras de reserva nas quais construir o cassino foi ainda mais fácil. Sam Katz, um financiador da Filadélfia que acertou pacotes multimilionários para a construção de estádios esportivos de Denver até Miami, se tornou o anjo da guarda dos lyttons. Katz e seus sócios encontraram e compraram uma área de 40 mil metros quadrados para um cassino em meio às velhas lojas e casas modestas de San Pablo, na Baía Leste, a 25 minutos de carro de São Francisco. Você poderia chamá-la de "reserva de jogo", porque os lyttons não pretendem viver lá. Katz adquiriu uma segunda propriedade -perto de Windsor, a 96 quilômetros de distância- para a reserva "residencial" da tribo. Como Katz disse à "Time": "Nós pagamos todas as despesas de requisição junto ao Bureau de Assuntos Indígenas para ambas as propriedades, o que envolveu extensas pesquisas ambientais, de trânsito, arqueológicas e históricas e muitas outras".
Katz fez muito mais: ele também pagou pela equipe de governo tribal, pelo aluguel das propriedades e equipamentos da tribo e pelas questões públicas. Ele também pagou as despesas legais e contratou lobistas, consultores e conselheiros. Assim, quando ficou claro que as petições podiam definhar no BIA, os lyttons e seus financiadores tinham tudo pronto para seguir por uma rota alternativa. Eles abordaram George Miller, um antigo congressista da Baía Leste, cujo distrito inclui San Pablo. Líder democrata no Comitê de Recursos da Câmara, Miller fez o que apenas um antigo membro do Congresso poderia: ele adicionou uma emenda de três linhas a um projeto de lei não relacionado que concedeu aos lyttons a sua reserva. Posteriormente, tal emenda foi criticada. Frank Wolf, um congressista republicano da Virgínia, a considerou uma desgraça. Mas para os 200 lyttons e seus financiadores, ela é uma história americana de sucesso.
Time – Donald L. Barlett e James B. Steele – Com reportagem de Laura Karmatz/Nova York e pesquisa de Joan Levinstein, Mitch Frank e Nadia Mustafa – Tradução: George El Khouri Andolfato

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