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Stanley Ho passa para a família o controle da SJM

16/04/2018

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Stanley Ho, o homem forte dos cassinos de Macau, vai aposentar. O empresário, de 96 anos, abandona, em junho, os cargos de presidente, diretor executivo e membro do Comitê Executivo da direção do grupo Sociedade de Jogos de Macau.

Aos 96 anos, o magnata dos casinos de Macau Stanley Ho prepara-se para sair de cena e abandonar a liderança da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), a mais antiga operadora de jogo no antigo território administrado por Portugal. Num comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong, a empresa – uma das seis concessionárias do jogo em Macau – anunciou que, a partir de 12 de Junho, a presidência do Conselho de Administração passa para as mãos de Daisy Ho, filha de Stanley Ho com a sua segunda esposa, Lucina Laam, que passa também a ser administradora executiva da empresa.

O anúncio inclui ainda a ascensão ao cargo de vice-presidente da quarta mulher de Stanley Ho, Angela Leong, atual diretora executiva e deputada na Assembleia Legislativa de Macau. Respondendo à necessidade de manter equilíbrios entre as diversas fações da família, espelhadas nas quatro mulheres e respetivos filhos do magnata, a terceira esposa, Ina Chan assumirá um cargo na direção executiva da SJM.

Daisy, a sucessora

Na nova balança de poderes, ganha força a linha que descende da segunda mulher de Stanley Ho. Daisy é irmã de dois outros filhos de Lucina Lamm, empresários que se têm vindo a destacar na indústria do jogo em Macau ao longo da última década: Pansy Ho, que firmou uma parceria com a empresa norte-americana MGM para operar casinos em Macau, e Lawrence Ho, que também se aliou a um investidor estrangeiro, a australiana Crown que entretanto já vendeu a sua participação na operadora de jogo Melco Entertainment. Ou seja quer Pansy quer Lawrence têm papéis de liderança em duas das cinco companhias concorrentes da SJM no mercado do jogo de Macau.

Daisy Ho não é uma novata no mudo da gestão de empresas de jogo. Aos 52 anos, passou pela administração da MGM Macau, em que a sua irmã Pansy tem uma posição chave, e, mais recentemente, desde Junho de 2017, já como uma das administradoras executivas da SJM. O percurso de Daisy tem estado, aliás, ligado quase umbilicalmente a Pansy, dois anos mais velha, que lidera a empresa Sun Tak, companhia criada em 1972 centrada em negócios na área dos transportes marítimos, entre Macau e Hong Kong, propriedade e hotelaria. Daisy ocupa o cargo de número dois na administração executiva da Shun Tak.

O papel de Ambrose So

Apesar de os olhos estarem postos na nova divisão de poder entre as diferentes facções da família, para o economista Albano Martins, português radicado em Macau há mais de 30 anos, há um nome que, não sendo do clã, tem sido de grande confiança de Stanley. Trata-se de Ambrose So, que passa a ser um dos vice-presidentes do Conselho de Administração, permanecendo como CEO da SJM. “Neste momento haverá uma substituição na Comissão Executiva mas na prática as coisas vão continuar muito na mesma porque o homem que fica lá é o homem que sabe do negócio e que é o Ambrose So”, afirmou Albano Martins em declarações à Rádio Macau. Ambrose So, que também é Cônsul Honorário de Portugal em Hong Kong, tem sido a tem sido a face principal das operações da companhia a par de Angela Leong.

A disputa pelo controlo da STDM

Após um incidente em 2009 que o deixou incapacitado, Stanley Ho deixou de ser visto em público, alimentando especulação relativamente à sua sucessão no império que construiu ao longo das últimas seis décadas. O processo conheceu episódios algo turbulentos, sobretudo em 2011 quando se instalou uma “batalha” entre as mulheres do empresário. A questão prendia-se com o controlo da empresa-mãe do grupo, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), entidade que deteve o monopólio da exploração de casinos em Macau entre 1961 e 2002, ano em que, já após a transição para a China, o governo de Macau legislou sobre a liberalização do jogo, abrindo a porta à entrada de seis operadoras, uma das quais a SJM, detida em 54 por cento pela STDM, empresa com investimentos em Portugal nas áreas do imobiliário e jogo, controlando os casinos do Estoril, Lisboa e Póvoa do Varzim. Em causa, em específico, estavam os 31,6 por cento que a empresa Lanceford, detida a 100 por cento por Stanley Ho até 2011, ocupa no capital social da STDM. Após uma acesa polémica entre os diferentes ramos da família, a Lanceford foi divida entre as quatro mulheres de Stanley e repetitivos descendentes.

SJM a perder terreno

A SJM tem vindo a perder quota de mercado no lucrativo sector do jogo de Macau, região administrativa especial da China, que desde 2006 se assumiu cimo a capital mundial do jogo, tendo em 2017 registado o equivalente a cerca de 26 mil milhões de euros em receita, ou seja cinco vezes mais que Las Vegas. Em 2017, obteve 16 por cento da fatia das receitas do jogo, a sua percentagem mais baixa de sempre, ao mesmo tempo que os lucros baixaram 15 por cento em comparação com 2016. A SJM é, neste momento, a única operadora de jogo sem propriedades no Cotai, zona de aterros entre as ilhas da Taipa e Coloane em que estão concentrados os mega casinos-resorts. Esta situação ira mudar assim que abrir o resort Grand Lisboa Palace, que deverá abrir as portas no próximo ano. (Dinheiro Vivo)