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Terminais Diebold/Procom ainda são mais lentos que os Isys

26/07/2006

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Os terminais Isys/Gtech estão fazendo uma simples operação lotérica, como um jogo da Mega Sena, com a metade do tempo que os Terminais Financeiros Lotéricos (TFLs) da Diebold/Procom. Os novos TFLs estão sendo utilizados pela Caixa Econômica Federal na implantação do Novo Modelo Tecnológico e Logístico da Rede Lotérica.
A comparação foi realizada em quatro lotéricas de São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Para realizar o teste, o BNL selecionou lotéricas que tivessem os dois equipamentos em operação nestas capitais. Foram feitos 10 jogos da Mega Sena, no valor de R$ 1,50 cada, nos dois terminais Isys/Gtech e TFL/Diebold/Procomp.  A partir do registro do horário do primeiro e do último jogo, chegou-se ao tempo médio de cada terminal para processar uma simples operação lotérica.

São Paulo
Os testes de São Paulo foram realizados na terça-feira, dia 11 de julho, quando a Mega Sena, concurso 780 estava acumulada em R$ 21 milhões. Na capital paulista o terminal Isys/Gtech realizou a operação no tempo total de 1m02s e o TFL/Diebold/Procomp em 3m58s.

Resultado: Tempo de Resposta dos terminais
10 apostas na Mega Sena, valor de R$1,50 cada – Concurso 780

      ISYS
TFL
 
Número de apostas
  10   10    
Início da operação
  15:20:41 tempo 15:35:55 Tempo  
 
 
    (seg)   (seg)  
Fim da operação
  15:21:43   15:39:53    
Tempo Total
    00:01:02
  00:03:58
 
Média
 
    6,2s
 
23,8s
 

Rentabilidade para o lotérico de São Paulo
Se considerarmos que uma lotérica fica aberta 8h por dia, cada terminal fica disponível por 28.800 segundos por um dia de trabalho.
Portanto, naquela data em São Paulo, o lotérico teria condições de realizar, atualmente, 4.645 jogos da Mega Sena no terminal Isys/Gtech, que garantiria uma receita em potencial de R$ 599,90 (comissão de 8,61% para o lotérico).
Já no terminal TFL/Diebold/Procomp, o lotérico teria condições de realizar 1.210 jogos da Mega Sena, obtendo receita em potencial será de R$ 156,27 (comissão de 8,61% para o lotérico).
Com base nestes cálculos, pode-se concluir que ao final de uma semana de operação, o lotérico paulista estará perdendo uma receita potencial de R$ 2.661,78.

Rio de Janeiro
Os testes do Rio de Janeiro foram realizados na segunda-feira dia 17 de julho, quando a Mega Sena, concurso 782 estava acumulada em R$ 25 milhões. Na capital carioca o terminal Isys/Gtech realizou a operação no tempo total de 22s e o TFL/Diebold/Procomp em 56s.

Resultado: Tempo de Resposta dos terminais
9 apostas na Mega Sena, valor de R$1,50 cada – Concurso 782. No Rio de Janeiro foram realizados apenas nove apostas, pois o terminal TFL/Diebold/Procomp não processou um dos volantes de apostas.

      ISYS
TFL
 
Número de apostas
  9   9    
Início da operação
  15:19:35 tempo 15:20:00 Tempo  
        (seg)   (seg)  
Fim da operação
  15:19:58   15:20:55    
Tempo Total
    00:00:23
  00:00:55
 
Média
 
    2,45s
 
6,23s
 


Rentabilidade para o lotérico do Rio de Janeiro
Naquele dia no Rio de Janeiro o lotérico tem condição potencial de realizar 11.755 jogos da Mega Sena no terminal Isys/Gtech, convertendo numa receita potencial de R$ 1.518,17 (comissão de 8,61% para o lotérico).
Já no terminal TFL/Diebold/Procomp, o lotérico tem condições potenciais de realizar 4.622 jogos da Mega Sena e uma receita potencial de R$ 597,03 (comissão de 8,61% para o lotérico). No Rio de Janeiro, a perda semanal será de R$ 5.526,84.

Belo Horizonte
Os testes de Belo Horizonte foram realizados na segunda-feira dia 17 de julho, quando a Mega Sena, concurso 782 estava acumulada em R$ 25 milhões. Na capital mineira o terminal Isys/Gtech realizou a operação no tempo total de 31s e o TFL/Diebold/Procomp em 53s.

Resultado: Tempo de Resposta dos terminais
10 apostas na Mega Sena, valor de R$1,50 cada – Concurso 782.


 

    ISYS
TFL
 
Número de apostas
  10   10    
Início da operação
  13:29:22 tempo 13:28:41 Tempo  
 
      (seg)   (seg)  
Fim da operação
  13:29:53   13:29:34    
Tempo Total
    00:00:31
  00:00:53
 
Média
      3,1s
 
5,3s
 

Rentabilidade para o lotérico de Belo Horizonte
Naquele dia em Belo Horizonte,  o lotérico teria condições de realizar 9.290 jogos da Mega Sena no terminal Isys/Gtech, que vai garantir uma receita potencial de R$ 1.199,85 (comissão de 8,61% para o lotérico).
Já no terminal TFL/Diebold/Procomp, o lotérico teria condições de realizar 5.433 jogos da Mega Sena e uma receita potencial de R$ 701,67 (comissão de 8,61% para o lotérico). Neste caso, a perda semanal do lotérico seria de R$ 2.989,08.

Goiânia
Os testes de Goiânia foram realizados na terça-feira dia 18 de julho, quando a Mega Sena, concurso 782 estava acumulada em R$ 25 milhões. O teste não pode ser realizado ne segunda-feira, pois os terminais Diebold/Procomp estavam inoperantes. Na capital de Goiás o terminal Isys/Gtech realizou a operação no tempo total de 26s e o TFL/Diebold/Procomp em 1m11s.

Resultado: Tempo de Resposta dos terminais
10 apostas de Mega Sena, valor de R$1,50 cada – Concurso 782.


 

    ISYS
TFL
 
Número de apostas
  10   10    
Início da operação
  09:01:36 tempo 09:01:14 Tempo  
 
      (seg)   (seg)  
Fim da operação
  09:02:02   09:02:25    
Tempo Total
    00:00:26
  00:01:11
 
Média
      2,6s
 
7,1s
 


Rentabilidade para o lotérico de Goiânia
No dia 18 de julho em Goiânia, o lotérico teria um potencial de realizar 11.076 jogos da Mega Sena no terminal Isys/Gtech, o se traduz numa receita potencial de R$ 1.430,58 (comissão de 8,61% para o lotérico).
Já no terminal TFL/Diebold/Procomp, o lotérico teria condições de realizar 4.056 jogos da Mega Sena e uma receita potencial de R$ 523,87 (comissão de 8,61% para o lotérico). Neste caso a perda semanal do lotérico seria de R$ 5.440,26.

Prejuízos
Os valores acima refletem apenas a perda potencial com a lentidão do novo sistema que está sendo implantado. Seria importante a divulgação da perda total considerando o tempo em que os sistemas ficam fora do ar. Qual será o tempo disponível de cada um desses terminais numa semana de trabalho? Será que o lotérico terá o seu terminal disponível durante 28.800 segundos por dia? Algumas reflexões que só o tempo poderá esclarecer e responder.
Mas vale destacar que a própria Caixa está tendo prejuízos com a implantação do Novo Modelo Tecnológico e Logístico da Rede Lotérica. Afinal, a CEF está deixando de arrecadar com os serviços lotéricos e não lotéricos em proporção semelhante ao do empresário. Qual terá sido até o momento a perda de receita da Caixa?  O prejuízo de cada casa lotérica (reconhecido pela Caixa quando aceita indenizá-la) tem de estar refletido nos resultados da própria CEF. No mínimo, representam a soma dos prejuízos dos lotéricos.

Multas
A Caixa declarou, reiteradas vezes, que decidiu adotar este novo modelo (em que ela própria integra os sistemas), pois seria imperioso o controle da inteligência.  Mas questões políticas como a CPI dos Bingos, não permitiu a Caixa assegurar que a transição ocorresse de forma tranqüila, sem problemas e dentro de um prazo confortável. Nos contratos com os novos fornecedores deve estar previsto que a transição não colocaria em risco a operação regular da loteria e os serviços sociais prestados pela rede à população. Nestes contratos estão previstas multas pesadas pelo descumprimento de prazos e ocorrência de problemas, como os que estamos testemunhando. Essas multas devem ressarcir os cofres da Caixa pelos prejuízos sofridos mas também deveriam ressarcir a rede pelos seus prejuízos. Seria importante para o setor que a Caixa divulgasse o valor das multas cobradas pelos problemas causados pelos novos fornecedores. Afinal, a Caixa está se livrando da Gtech, mas passará a depender da Diebold/Procomp, da Vicom/Consat, da Wintech e dos Correios.

Agilidade
A Caixa também prometeu que com a utilização de equipamentos mais modernos o Novo Modelo Tecnológico e Logístico da Rede Lotérica iria proporcionar melhoria e agilidade no atendimento à população. “Os novos terminais deverão economizar quatro segundos em cada operação, o que daria, em média, mais de uma hora por dia de tempo economizado na prestação de serviço em cada lotérica da CAIXA, aumentando a performance dos empresários lotéricos e conseqüentemente melhorando o atendimento à população”, informou texto divulgado pela Caixa durante os pregões eletrônicos para contratação dos novos fornecedores.

Conclusão
Pelo menos por enquanto, os terminais TFL/Diebold/Procomp não estão apresentando a performance desejada pelos técnicos da Caixa e nem pelos lotéricos. Os terminais da Isys/Gtech, com uma tecnologia de 15 anos atrás, estão realizando as mesmas operações com a metade do tempo. O tempo médio das quatro capitais foi de 3,61s para os equipamentos Isys/Gtech e 10,6s para os terminais TFL/Diebold/Procomp.
Sabemos que ainda é cedo para conclusões e comparações definitivas entre os dois equipamentos e sistemas que estão sendo utilizados, principalmente pelo fato do Novo Modelo ainda estar em fase de implantação e também que um sistema deste porte leva pelo menos um ano para se estabilizar, mas o teste acima foi útil para determinar alguns parâmetros e derrubar paradigmas. Um deles é com relação à estimativa de tempo da transação, pois será impossível economizar “quatro segundos em cada operação”.
Como o setor acredita que a performance dos terminais TFL/Diebold/Procomp poderá melhorar com os ajustes que estão sendo realizados pelos técnicos da IBM, o BNL vai realizar novos testes antes do prazo final do contrato de transição com a Gtech para determinar uma nova diferença do tempo em que os dois sistemas operam.

Lotérico
Os empresários lotéricos, que estão na ponta do processo, devem informar aos usuários da rede que esse período é transitório. Além disso, deverão ter um pouco mais de paciência com o novo sistema tecnológico que está sendo implantado pela Caixa, pois com os ajustes a performance deverá melhorar.
Mas uma pergunta está deixando o setor intrigado: a lentidão do novo sistema está nos terminais ou na transmissão dos dados?