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Turfe perde a genialidade do campeão Juvenal

20/03/2002

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Alagoano, de 47 anos, natural de Delmiro Gouveia (AL), o jóquei Juvenal Machado da Silva, maior ganhador da história do GP Brasil, com cinco vitórias, decidiu que chegou a hora de parar. Segundo ele mesmo afirma, desta vez é mesmo para valer e as malas já estão prontas para, no fim do mês, seguir para a terra natal, onde pretende criar gado, descansar e curtir a família.
Há mais de dez anos sofrendo sérios problemas no joelho esquerdo, já operado duas vezes, e combatendo há tempos um inimigo implacável, o peso, Juvenal diz que montar deixou de ser um prazer e hoje é um sacrifício: — É importante saber a hora de parar. As dores no joelho e na coluna continuam e tenho montado com dois ou três quilos a mais. Não é justo com os treinadores e proprietários.
Tríplice Coroa é a conquista mais emocionante
Montando na Gávea desde 1971, Juvenal obteve a primeira vitória com Eringa, no dia de seu aniversário: 15 de novembro. Soma grandes conquistas no turfe brasileiro e afirma que as emoções foram muitas, mas algumas ficarão marcadas para sempre na memória: — Quando caí do cavalo Rei Nagô, me quebrei e fiquei nove meses parado. Ao reaparecer, venci com uma zebra que pagou mais de 400 por dez e o hipódromo veio abaixo. Foi muita emoção e me marcou.
Juvenal diz que as cinco conquistas no GP Brasil — Aporé (1979), Gourmet (1982), Grimaldi (1986), Bowling (1987) e Flying Finn (1990) —, foram importantes, mas jura que a recente Tríplice Coroa conquistada com Super Power, o deixa emocionado:
— Quando assisto às fitas dos três GPs, não contenho a emoção. Acho que é por que estou ficando velho e não resisto mais às emoções.
Feliz pelos 31 anos de carreira, Juvenal diz que tudo que conseguiu deve ao turfe e vai continuar acompanhado as corridas pela antena parabólica. Afirma que só fez amigos no turfe e não tem mágoas, apesar de não esquecer uma suspensão injusta:
— Quando cheguei aqui não sabia nem andar pela cidade e hoje, sou conhecido e acho que tive alguma importância no turfe. Não posso me queixar e agradeço a Deus por poder parar com dignidade.
O rubro-negro roxo vai ser homenageado domingo, na Gávea, e se tiver que galopar algum cavalo, diz que vai pedir o mangalarga que serve como punga. Tudo para começar a cumprir uma promessa:
— Jurei que nunca mais montaria um cavalo PSI (Puro-Sangue-Ingês). Domingo vou galopar no punga.
Perto do Natal, Juvenal viajava para Delmiro Gouveia para passar as festas de fim de ano com a família. Agora, pretende fazer o contrário: — Quero ficar na fazenda, cuidando do gado, curtindo a família e quem sabe, posso vir passar as festas de fim de ano no Rio, revendo os amigos.
Juvenal foi um caso a parte na história do turfe carioca. Chamado de gênio, Garrincha do Turfe, mestre das rédeas e outras denominações, encantou o público. Alguns tentavam explicar o seu sucesso com teorias científicas. Diziam que ele havia encontrado o ponto certo de equilíbrio dos cavalos e o jeito desengonçado em cima dos corredores era a combinação perfeita entre homem e animal.
A verdade é que Juvenal já está deixando saudade no turfe . Foi um marco na história do turfe carioca, ganhou mais de 4.000 páreos e fez o público vibrar com vitórias espetaculares. Todos que o acompanharam nestes 31 anos jamais vão esquecer das direções dadas pelo alagoano e do famoso slogan criado pelo locutor oficial Ernani Pires Ferreira, que enfatizava: “Lá vem o Juvenal”.
Curiosidades na carreira
Número de vitórias
Mais de quatro mil conquistas só na Gávea. Duas temporadas também vitoriosas em Cidade Jardim (SP).
Seis vezes campeão
Juvenal ganhou a estatística de jóqueis na Gávea em seis oportunidades, chegando sempre entre os primeiros.
A grande rivalidade
Durante dez anos, a rivalidade com Jorge Ricardo, ajudou a promover o GP Brasil. As disputadas entre Flying Finn e Falcon Jet foram incríveis.
A paixão pelo Flamengo
O campeão ficou marcado por sua paixão pelo Flamengo. Diversas vezes levou um rádio de pilha para o alinhamento, só deixando de lado na hora da largada do páreo.
O Globo – RJ – Marco Aurélio Ribeiro