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Vamos liberar o jogo de “azar” de sorte

08/03/2013

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Faz já algum tempo, encontrei-me com Dona Terezinha, minha velha amiga. Como de costume, perguntei-lhe:
Como vai a senhora?
Ela respondeu-me: Não tô boa não!
Uai! O que foi Dona Terezinha?
O governo fechou a casa do bingo, agora não tenho o que fazer, minhas tardes estão vazias demais, perdi meu divertimento predileto, pois, além de fazer um joguinho, lá encontrava minhas amigas, conversávamos e divertíamos juntas.
Esse encontro levou-me a pensar mais uma vez sobre a proibição, ou melhor, a ilegalização do chamado jogo de azar no Brasil, medida tomada pelo presidente Eurico Dutra, na década de 40 do século passado. Aquele governo foi de um conservadorismo primário, colocou na ilegalidade o Partido Comunista, cassou mandatos de deputados e senadores e perseguiu os portadores de novas ideias. O atraso tomou conta do País, embora por um curto período.
Acontece que os tempos passaram, já estamos na segunda década do século XXI, mas, infelizmente, predominam nos governos resíduos preconceituosos que os impedem de tomar decisões, ou colocar em discussão assuntos como este. As pressões moralistas, ignorantes, eivadas, às vezes, de um religiosismo primitivo que confunde os efeitos com as causas.
A maioria dos chamados jogos de azar hoje é aceita nos países desenvolvidos e concebidos como parte integrante ao grande universo, que é o entretenimento, visto como fonte de lazer, divertimento, envolvendo um dos principais setores da maior indústria moderna, o turismo. Aqui no Brasil faz-se vista grossa para esta importante questão, que continua na escuridão do nosso atraso endêmico.
O jogo, nas suas diversas modalidades, é explorado por grandes conglomerados empresariais nos principais países do mundo, a começar pelos Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, México, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai. Milhões de empregos são gerados. Aqui o jogo é proibido pela burrice subdesenvolvida. “Tapa-se o sol com a peneira”, porque todos sabem que nas principais ruas, esquinas e avenidas de nossas cidades pode-se fazer sem nenhum problema uma “fezinha”, no jogo do bicho, nas máquinas caça-níqueis, jogar em casa de bingo clandestina ou em cassinos de cartas e roletas, todos obrigados a praticar a contravenção. Esta situação ridícula favorece a quem? Ao crime organizado, aos policiais corruptos que se beneficiam na proteção de tais mecanismos para burlar a lei idiota que regula a atividade.
O governo, através da Caixa Econômica Federal, banca quase uma dezena de jogos diferentes, ao que estou informado paga mal os seus prêmios, isto é, a alta taxa de lucro, mais impostos e a bocada do governo e banco levam uma grande porcentagem do dinheiro dos ingênuos apostadores. Em geral gente humilde, trabalhadores, aposentados, donas de casa e pequenos empresários.
O jogo não é mais o bicho-papão em que quiseram transformá-lo no passado. Pesquisadores americanos e europeus desenvolveram pesquisas com jogadores de diversas idades e classes sociais diferentes. Os resultados foram surpreendentes: quem joga regularmente, segundo os resultados, sente bem-estar, adquire maior capacidade para tomar decisões, aumenta a sociabilidade, libera com mais frequência a dopamina, enzima hormonal que provoca sensação de felicidade e prazer. Milhões de pessoas estão privadas desse saudável entretenimento, principalmente os idosos, aposentados brasileiros que ganham pouco e não podem viajar para fora do País para jogar nos cassinos de Las Vegas, Mônaco, Buenos Aires, Punta Del Leste, e em outras dezenas de países onde o jogo é legal e defendido, porque é lazer e uma grande fonte de emprego.
O ser humano joga desde os tempos imemoriais e continuará jogando até o fim dos tempos. Jogar é um ato voluntário de responsabilidade individual, jogar faz bem, não engorda, não é pecado, nem crime.
Não é possível pensar em uma indústria de turismo, moderna e pujante no Brasil sem a liberação normatizada dos jogos nas diversas formas adotadas pelas empresas de entretenimento, do turismo e do lazer. Centenas de milhares de empregos serão criados, os empresários do jogo que estão na clandestinidade e na contravenção poderão legalizar sua atividade, pagar impostos e sentir-se cidadãos normais.
Tenho certeza e esperança de que os crimes advindos da estúpida proibição do jogo serão, em breve, coisa do passado burro dos nossos governantes, que insistem no atraso preconceituoso. (Diário da Manhã – GO)