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Vício é vício.

16/01/2003

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Dom Tito Buss*

Em artigo no semanário da arquidiocese, o cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, aborda o tema da jogatina. Comenta ele a tentativa sempre renovada de se legalizarem os cassinos no Brasil. Os argumentos são sempre os mesmos: criariam empregos e evitariam a fuga de dinheiro para fora do Brasil. Os viciados vão jogar em cassinos de outros países. Não só o senhor cardeal, mas tantas outras pessoas que analisam o jogo, chegam à conclusão que se trata de um vício. Concluem que vício é vício.

Nada justifica legalizar um vício. Além do mais é altamente discutível se a legalização das casas de jogos trariam reais vantagens para o país. São nefastas as conseqüências da prática de qualquer vício.

Espalhados pelo País, existem as diferentes loterias e semelhantes. Além do jogo do bicho, famoso, mas ilegal. Loterias e semelhantes são exploradas pelos poderes públicos. Não deixam de ser jogos de azar. Também elas viciam. Iludidos pela esperança de ganho fácil, os fregueses não conseguem passar a semana sem fazer sua fezinha. Ficam fascinados pelos felizardos que ganharam e levaram milhões. Esquecem os muitos milhões que deixaram aí seu dinheirinho que talvez fez falta na mesa.
O jogo de cartas que acontece entre amigos é divertimento gratificante. Quem ganha, festeja porque ganhou o jogo. Quem perde, sofre porque perdeu. E só. Puxando pela memória, não custa recordar casos de pessoas para quem tais jogos se tornaram vício pernicioso. Homens sentados à mesa do jogo durante noites inteiras. Enquanto em casa há uma mulher sem marido e crianças sem pai. Situação pior ainda é a daquele que nos azares do jogo mandou pelo ralo todo o patrimônio da família. Vício sempre é vício. Compromete a vida. Estraga. Destrói. Isto vale também para outros vícios tão comuns em nossa sociedade de consumo. Procura-se o máximo de prazer. Mencionemos a bebida. A melhor bebida e a única com que nem se recomenda moderação é a água. Outras bebidas são boas. Fazem parte da vida e de qualquer festinha. O exagero faz mal. Isto vale também para os refrigerantes. O álcool pode levar ao vício deletério do alcoolismo. O consumo de refrigerantes e chocolates também pode viciar.

Além de outros, a lista dos vícios conta ainda com o tabagismo e uso permissivo do sexo. O vício escraviza. Vício é vício. Virtude é virtude. O psiquismo humano está programado de tal maneira que ele jamais vai encontrar a felicidade na prática do vício. Pode encontrar prazer, mas não a paz e harmonia interior. O ser humano está programado para encontrar a felicidade na prática da virtude. A virtude exige domínio sobre si. O prazer nem sempre é o melhor caminho. A virtude exige saber dizer um “não” a si mesmo. Ensinar os filhos a fazê-lo. Renunciar a suas preferências. Dizer “não” a si e “sim” aos outros.

Continua sempre valendo a máxima de Jesus: “Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz de cada dia, e então me siga. Porque quem quiser salvar sua vida vai perdê-la, mas quem perder sua vida por minha causa vai salva-la” (Lc 9, 23).

(*) Dom Tito Buss é bispo emérito de Rio do Sul.

Jornal A Notícia – Joinville