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Virando o jogo – Peralta apresenta ao Governador e a Lula os principais problemas lotéricos

11/11/2002

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Jornal do Sincoesp
Em contato com governador do Estado de São Paulo, Geral Alkimin, o presidente do Sincoesp, Luiz Carlos Peralta, deu início à implantação de uma dinâmica Loteria Estadual que vai trazer liberdade e novos lucros para o empresário lotérico.
Com o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva, Peralta expôs os principais problemas que atingem a rede lotérica do país, e dele obteve o compromisso de que, no futuro, se eleito, um novo cenário de administração das loterias e correspondentes bancários surgirá.
Lula recebe dirigentes do Sincoesp. – Presidenciável determina ao coordenador de seu programa de governo que se inteire sobre os principais problemas dos empresários
Os principais problemas enfrentados atualmente pelos empresários lotéricos do país – como a falta de remuneração adequada e de segurança – foram apresentados ao presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva pelo presidente do Sincoesp, Luiz Carlos Peralta em encontro que durou aproximadamente meia hora, nem hotel em São Paulo.
Lula ouviu atentamente e incumbiu o coordenador de seu Programa de Governo, Antonio Palocci de promover novas reuniões com o Sincoesp para que a futura administração das loterias e correspondentes bancários da Caixa passe a tomar decisões depois de ouvir os líderes da categoria, caso seja eleito.
A reunião foi agendada pelo presidente do Partido Liberal, deputado Waldemar da Costa Neto que, ao lado do deputado José Dirceu, presidente do Partido dos Trabalhadores, viabilizaram a aliança PT-PL formando a chapa Lula/José de Alencar, senador por Minas Gerais. Waldemar que já tomou outras iniciativas em favor da classe lotérica, está recebendo total apoio dos líderes do Sincoesp em sua campanha pela reeleição.
Lotéricos estão mais frágeis que os funcionários da Caixa
No encontro com Lula, Luiz Peralta frisou que embora o Sincoesp sela um sindicato patronal, os empresários lotéricos vivem numa situação de fragilidade e insegurança, mais grave que os próprios funcionários da Caixa. Enquanto esses têm as garantias trabalhistas, os lotéricos estão jogados à própria sorte, apesar de terem bancado todo os investimentos para o sucesso da implantação Caixa Aqui. Demonstrou que a administração empreendida pelos altos executivos da Caixa é ditatorial e toma decisões sem ouvir qualquer representante dos lotéricos. Comunica suas decisões através de circulares, repetindo um hábito do regime-militar que editava decretos-leis.
Peralta explicou que, apesar de todos os aumentos de custos verificados nos últimos anos, como salários, impostos, energia elétrica, telefones, combustíveis etc. a Caixa se nega sequer a dialogar sobre reajustes de tarifas e comissões. Mesmo tendo em mãos um minucioso estudo, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas apontando, tecnicamente, a grande defasagem da remuneração.
Insegurança ameaça lotéricos, funcionários e clientes
Descreveu, ainda, o alto nível de insegurança enfrentado pelos empresários lotéricos, seus familiares, funcionários e pelos clientes, sem qualquer providência da Caixa para assegurar um mínimo de segurança.
Acompanhado pelo vice-presidente Jodismar Amaro, dos diretores Lídio Perez, Luiz Carlos Brentigani e dos assessores Egeferson dos Santos Craveiro e Édson Motta, Peralta lembrou ao presidenciável que as Casas Lotéricas prestam relevantes serviços à comunidade em todos os rincões do País. Além dos jogos legalizados que rendem recursos para área social do Governo, faz também pagamentos de benefícios sociais e recebimento de contas, atendendo principalmente a camada mais simples da população que não tem contas em bancos.
Peralta questionou a pressa com que a atual administração da Caixa pretende comprometer R$1,5 bilhão para aquisição de equipamentos de informática e contratação de empresas para captura, transmissão e processamento de jogos e operações bancárias, deixando a conta para o próximo governo pagar. Lembrou ainda a incoerência nos argumentos de que não existem recursos para melhor remunerar os lotéricos e dar-lhes segurança quando a instituição apresenta lucro R$564,4 milhões no primeiro semestre deste ano. No final, agradeceu o interesse do presidenciável uma vez que um manifesto semelhante foi encaminhado a todos os candidatos à Presidência da Republica, sem que os líderes lotéricos tivessem recebido qualquer retorno até aquele momento.
Lula mostrou-se simpático ao pleito do Sincoesp e encarregou o responsável pela coordenação de seu programa de governo, Antônio Palocci, prefeito licenciado de Ribeirão Preto/SP de detalhar o assunto em próximas reuniões.
Veja a integra do manifesto entregue a Lula.
Manifesto dos Empresários Lotéricos do Estado de São Paulo ao Candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
EMPRESARIOS LOTERICOS DENUNCIAM:
Caixa tem lucro recorde, pendura conta de R$ 1,5 bilhão no próximo governo, enquanto lotéricos e população entregues a criminalidade.

Os empresários lotéricos do Estado de São Paulo, preocupados com o alto índice de insegurança e inadimplência que ronda nossa rede – somos mais de 2.300 pequenas empresas no Estado de São Paulo e mais de 9 mil no País – vimos à presença de V.S. para denunciar a omissão da Caixa Econômica Federal diante de sua obrigação em prover segurança para empresários lotéricos, funcionários e clientes da Rede Caixa Aqui. Mesmo com lucro recorde de R$564,4 milhões neste último semestre, a instituição não reajusta comissões por serviços prestados há mais de 4 anos, não adotou qualquer medida de segurança e ainda pretende comprometer R$1,5 bilhão de reais na captura e transmissão de jogos e operações bancárias, jogando a conta para o próximo governo pagar.
1-Empregamos mais de 10 mil funcionários em nossos estabelecimentos no Estado de São Paulo. No país, são aproximadamente 40 mil empregos, mantidas por nossas pequenas empresas.
2-A rede lotérica recebe mais da metade de todas as contas públicas do País (água, luz, telefone, impostos etc). Viabiliza os projetos sociais do Governo Federal (Bolsa-Escola, Vale-Gás etc) além do pagamento de pensões, aposentadorias, FGTS, PIS, atendendo a população mais humilde, especialmente aqueles que não podem ter contas bancárias. Nas casas lotéricas, atuantes em 3.516 municípios do País, foram efetuadas no primeiro semestre deste ano, 410 milhões de transações bancárias e 847 milhões de jogos, com arrecadação de R$1,3 bilhão.
3-Todo o resultado líquido das loterias é destinado também aos projetos sociais do Governo Federal.
4-Os empresários lotéricos, seus familiares e funcionários, assim como a população assistida pela rede lotérica nos mais distantes rincões do Brasil, estão à mercê da ação de criminosos, tal é a omissão da Caixa Econômica Federal no que diz respeito à nossa segurança. Ao transformar a nossa rede em agências bancárias sem qualquer ônus ou investimentos, a Caixa enxugou seus quadros, demitiu funcionários, eliminou custos e deixou empresários e população totalmente desprotegidos diante da ação de criminosos. Os assaltos, muitos deles com mortes, são diários.
5-Sem cumprir com esse dever histórico a Caixa (que anunciou em agosto do ano passado destinar R$81 milhões/ano para a segurança da rede lotérica e até agora o projeto não saiu do papel) volta-se agora para uma licitação envolvendo R$1,5 bilhão para processamento das loterias e operações bancárias da rede.
6-A referida mudança no processamento de loterias e operações bancárias se desenvolve sem a devida transparência, uma vez que nós – a quem serão destinados os serviços e os novos equipamentos de informática – jamais fomos consultados ou participamos de qualquer discussão sobre tema tão fundamental em nossa atividade.
7-Não sendo uma necessidade ou prioridade, de vez que o sistema funcione a contento atualmente não entendemos a alegada “falta de recursos” para prover-nos da tão necessária segurança e justa remuneração.
8-Além de inseguros, somos pessimamente remunerados. A quatro anos não conseguimos sensibilizar os altos dirigentes da Caixa para esta prioridade. Mesmo tendo eles em mãos minucioso estudo que encomendamos à Fundação Getúlio Vargas, comprovando o alto desequilíbrio econômico-financeiro da atividade. Mais uma vez deixa a Caixa de cumprir com seu dever diante de serviço público tão relevante. Nosso desequilíbrio econômico-financeiro agravou-se ainda mais com a ampliação em 63% da rede de casas lotéricas no período, dividindo-se o bolo, sem qualquer compensação financeira. Querem agora expandir a rede de correspondentes bancários para 20 mil pontos, em todo o País, seguindo o mesmo critério.
9-Diante de tamanha insensibilidade e da ameaça em se comprometer R$1,5 bilhão com algo que pode ser dispensado, entendemos que prioridade mesmo é garantir aos empresários lotéricos, seus familiares e funcionários, assim como aos aposentados, pensionistas e à população mais humilde desse País, um mínimo de dignidade, na forma de segurança, ao procurarem a rede de Casas Lotéricas.
10-O presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de suspender a licitação de US$700 milhões para a aquisição de 12 caças para a Força Aérea Brasileira. Se assunto de tamanha relevância e segurança nacional pôde esperar, porque então a urgência da Caixa em comprometer o orçamento do futuro governo? O montante da referida licitação significa o lucro de um ano e meio da Caixa.
11-Diante de tamanha inoperância e desprezo por parte dos altos executivos da Caixa, as loterias legalizadas, que poderiam gerar milhões de empregos e recursos para os projetos sociais do Governo Federal estão definhando. Ao mesmo tempo em que prospera o jogo ilegal na forma de caça-níqueis e bingos, muitos deles porta de entrada para a lavagem de dinheiro que sustenta o crime organizado, incrementando ainda mais os níveis de violência e insegurança que assolam a população brasileira.
12-Entendemos que somente uma administração profissional e competente das loterias, realizada de forma transparente, em que as instituições representativas dos empresários lotéricos sejam ouvidas, será possível reverter o quadro de desmonte que nos ameaça. Neste sentido, pleiteamos o compromisso de que o governo de V.S., eleito pelo voto da maioria dos brasileiros, voltará sua atenção para questões tão relevantes que atingem não apenas uma categoria mas expressiva parcela da população brasileira. Cordialmente,
Luiz Carlos Peralta – Presidente do Sincoesp.