Home Loteria Waldomiro e Buratti são indiciados pela Polícia Federal
< Voltar

Waldomiro e Buratti são indiciados pela Polícia Federal

08/12/2004

Compartilhe

BRASÍLIA – A Polícia Federal indiciou o ex-assessor parlamentar da Presidência da República Waldomiro Diniz e o empresário paulista Rogério Buratti por tráfico de influência e concussão (extorsão praticada por servidor público), na renovação do contrato entre a Caixa Econômica Federal e a multinacional americana Gtech para operação da rede de loterias do País. Buratti foi secretário de Governo da prefeitura de Ribeirão Preto em 1993, quando era prefeito o atual ministro da Fazenda, Antônio Palocci. O contrato rende cerca de R$ 30 milhões mensais de comissão à multinacional e Buratti, indicado por Waldomiro, teria cobrado propina de R$ 6 milhões para facilitar o negócio, conforme investigações da PF. O delegado Antônio César Nunes, encarregado do caso, informou que pretende fechar o inquérito até terça-feira. Até amanhã, ele decide se convoca a diretoria da Caixa, inclusive seu presidente, Jorge Mattoso, para depôr. Mattoso, assim como o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, segundo o delegado, não estão livres do indiciamento, porque ainda falta ser fechado o cruzamento de dados sobre os crimes de corrupção e gestão fraudulenta e temerária, entre outros. "Eles não se enquadram nos crimes já fechados, mas o inquérito não está concluído", explicou. Segundo Nunes, o mesmo vale para a diretoria da Gtech. Waldomiro foi demitido do cargo, em 13 de fevereiro, após a divulgação de uma fita de vídeo em que ele aparece pedindo a Cachoeira propina para si e doações de campanha para candidaturas do PT na eleição de 2002. Na época em que o vídeo foi gravado, 2001, Waldomiro era diretor da Loteria do Estado do Rio (Loterj), no governo Anthony Garotinho. CONTRATO MILIONÁRIO As investigações constataram que, mesmo depois de ter assumido a chefia de Assuntos Parlamentares do Gabinete Civil da Presidência, subordinado ao ministro José Dirceu, Waldomiro continuou operando e tentou interferir na renovação do milionário contrato entre a Caixa e a Gtech. O ex-assessor palaciano realizou três reuniões com a diretoria da multinacional. Em uma delas tentou emplacar o nome de Buratti para intermediar o contrato. Na outra ponta, conforme as investigações, Waldomiro manteve pelo menos um encontro secreto com diretores da Caixa no dia 25 de março de 2003, véspera da reunião em que a diretoria da estatal aprovou a assinatura do acordo com a Gtech. As provas seriam a agenda de trabalho de Waldomiro, o livro de registro da portaria da Caixa e uma testemunha. Segundo Nunes, o trabalho tem sido longo – três meses só nesta fase do inquérito -, devido à grande quantidade de material que está sendo analisado. Em 14 quebras de sigilo autorizadas pela Justiça, foram capturadas 703 mil ligações, cujo cruzamento só foi concluído esta semana. Pelo crime de tráfico de influência, Waldomiro e Buratti podem pegar de 2 a 5 anos de reclusão. O crime de concussão prevê uma pena de 2 a 8 anos de reclusão. Estadão – Vannildo Mendes