Análise: Falta de regulamentação das apostas esportivas estimula a manipulação

Apostas, Opinião I 21.06.22

Por: Elaine Silva

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Tramitação do projeto de proibição de pagamento das apostas esportivas vai demorar
Jogo regulamentado e limpo para o setor é sinônimo de sobrevivência

Mesmo com toda legislação vigente para coibir a manipulação de resultados, a prática está crescendo no país e um dos principais motivos é a falta de regulamentação das apostas esportivas pelo governo federal.

Em 2010, foi incluído o artigo 41-D na Lei do Estatuto do Torcedor, que considera crime qualquer tipo de manipulação de resultados, com pena de dois a seis anos de reclusão, e ainda o pagamento de multa. É uma garantia fundamental para o jogo limpo e para a proteção de toda a cadeia do esporte.

No Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), no artigo 242, afirma que quem dá ou promete vantagem indevida para árbitro ou atleta com o objetivo de interferir no resultado de um jogo pode sofrer multa de R$ 100 a R$ 100 mil e ser banido do esporte. O mesmo cabendo para intermediários e membros da arbitragem que aceitarem a vantagem.

“Era só questão de tempo. O governo está há quase quatro anos ‘fingindo que não vê’ o crescimento desordenado de um setor que já está gigantesco. E o crescimento sem um controle rígido certamente acabaria nisso. É só mirar na Itália há muitos anos atrás”, comentou o especialista e CEO da Hebara, Amilton Noble.

Ainda segundo Noble, os eventos de manipulação vão piorar com a ausência de regulamentação de punição.

“Vai piorar, exceto se houver uma regulamentação séria e rápida. Enquanto isso os “mercadores da fé” defendem que continue tudo como está. Até quando continuaremos vendendo o sofá da sala?”, comentou.

Monitoramento e prejuízo

Maiores patrocinadoras do futebol do Brasil e anunciantes da grande mídia, as casas de apostas são as maiores prejudicadas com a manipulação de resultados e que investem milhões no combate a fraudes e esquemas que envolvam o esporte.

As operadoras de apostas esportivas entendem que, com a regulamentação, haverá um reforço a integridade do esporte e fortalecerá os mecanismos para garantir a segurança dos apostadores, desenvolver redes de proteção às pessoas vulneráveis e outorgar ainda mais transparência às operações.

Além disso, existem no mundo dezenas de empresas de monitoramento de risco, que trabalham ininterruptamente para garantir a integridade do esporte e evitar a manipulação de resultados.

Os especialistas trabalham para detectar atividades de apostas suspeitas através de softwares, algoritmos e agentes presentes nos eventos, fazendo monitorando constante para os operadores de apostas e evitando, assim, prejuízos para os cofres destas empresas e, principalmente, para a imagem do esporte.

Jogo regulamentado e limpo para o setor é sinônimo de sobrevivência.

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