Estudo da FGV subdimensiona tamanho do mercado do jogo do Brasil

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O vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal, Fábio Ferreira Cleto foi ouvido, nesta quarta-feira (02), durante a Audiência Pública da Comissão Especial do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil da Câmara dos Deputados, que está analisando a legalização de bingos, cassinos, jogo do bicho, jogos pela internet e caça-níqueis.

O dirigente, que defendeu a necessidade de criação de um marco regulatório dos jogos no Brasil, apresentou informações de um estudo contratado junto a Fundação Getúlio Vargas – FGV pela Caixa Econômica Federal, a pedido da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) do Ministério da Fazenda. Cleto teve o cuidado de introduzir o resultado do estudo informando que os números da FGV são conservadores e que existem informações mais agressivas como a do levantamento do BNL/IJL comentado pelo dirigente.  

“Estes números são extremamente conservadores eu só o estou citando porque acredito que teve uma metodologia de análise com um critério bem definido, mas existem outros no mercado e aqui cito até um grande conhecedor do mercado de loterias, o Magnho, que tem estudos bem mais agressivos com relação estes números aqui apresentados. Boa tarde Magnho, grande prazer tê-lo aqui”, comentou Fábio Cleto.     

Discordância com a realidade do mercado

Na verdade, causou espanto entre os especialistas presentes à audiência, os valores estimados pela entidade sobre a arrecadação de algumas modalidades clandestinas ao longo do ano passado, mas desajustadas com a realidade do mercado.

Segundo os estudos da FGV, anualmente os bingos arrecadariam entre R$ 620 milhões e R$ 1,810 bilhão, as apostas esportivas R$ 114 milhões, os cassinos (máquinas de caça-níqueis) entre R$ 1,240 e R$ 3,100 bilhões e o jogo do bicho entre R$ 1,360 e R$ 2,860 bilhões. Para que os assinantes entendam a disparidade dos valores apresentados com a realidade do mercado, o jogo do bicho está presente em praticamente todas as 5.570 cidades do país e seus respectivos distritos. Se dividirmos o maior valor divulgado (R$ 2,860 bilhões) pela quantidade de municípios do país representaria que a população de cada cidade/distritos apostou durante um ano cerca de R$ 513.464,99 ou R$ 1.406,75 todos os dias distribuídos em quatro extrações. Ou uma aposta percapta de R$ 14,30.

Outro dado questionável do estudo da FGV com relação a arrecadação das apostas esportivas. As próprias estimativas internas da Caixa sobre esta modalidade apontam para uma arrecadação de US$ 800 milhões ao ano (R$ 3,032 bilhões), que se acrescidos aos valores apostados no e-Gaming (jogos de cassino e videobingos) seriam acrescidos em mais R$ 1 bilhão anual.

Abordagem positiva

Bem preparado, Fábio Cleto apresentou-se na audiência pública da Comissão Especial com uma abordagem positiva sobre a criação do marco regulatório dos jogos no Brasil e destacou o comportamento do brasileiro com relação às apostas.

“O jogo já existe. O povo brasileiro gosta muito de fazer apostas. Ou seja, não existe nenhum problema cultural com relação ao jogo. Obviamente, existe uma outra abordagem que pode ter alguma parcialidade nessas análises, mas de forma geral a receptividade do jogo no Brasil é muito grande. Existe uma cultura do G20, que os países que não tem jogos ou que tem pouca arrecadação são países que tem religião muçulmana predominante, que não é o caso do Brasil e, mesmo estes, no Grupo do G20 tem uma arrecadação maior que a nossa. Ou seja, existe uma parcela do jogo no Brasil que é legal e outra ilegal, que é considerável do total do Movimento Geral de Apostas – MGA e esta parcela representativa em torno de 40% de todo movimento, mas temos estudos mostram que passa de 100% do movimento legal, sendo que não tem nenhum acompanhamento do Estado no sentido de arrecadação de recursos e também não tem no sentido de controle e acompanhamento e até com relação a problemas relativos a ludopatia”, comentou Cleto.   

Temas polêmicos

O dirigente também enfrentou temas polêmicos como os boatos de fraudes na Mega-Sena, admitiu que houve erro da área tecnológica na divulgação do resultado da última extração milionária da modalidade, falou sobre a LOTEX, defendeu aumento do payout das loterias, abordou parcerias/convênios com as loterias estaduais, os problemas da rede lotérica,  compromete-se em ajudar a Comissão Especial no que for necessário e informou que a Caixa não é contra a criação do marco regulatório para este setor.  

“Muitas pessoas dizem que a Caixa é a favor ou contra determinado marco regulatório de jogos, na verdade a Caixa não tem que ser a favor ou contra, ela simplesmente executa uma legislação que é aprovada e discutida aqui pelos Senhores [parlamentares] e que é executada no âmbito da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. A Caixa não tem que ter opinião nenhuma com relação a isso [marco regulatório], mas está totalmente aberta a contribuir para esta discussão do ponto de vista de informação e tudo mais”, comentou Cleto.      

Recomendação

O BNL recomenda aos assinantes que assistam na íntegra a participação do vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal, Fábio Ferreira Cleto na Audiência Pública (assista aqui).

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