Ferj solicita à Polícia e ao TJD-RJ investigação após apostas suspeitas em Madureira 4 x 2 Macaé

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O time do Macaé fez protesto no gramado antes do jogo com o Madureira pelo Campeonato Carioca 2021 (Foto: Reprodução)

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) encaminhou nesta tarde de quinta-feira pedido de investigação sobre suposta manipulação de resultado na vitória por 4 a 2 do Madureira sobre o Macaé, pela 10ª rodada da Taça Guanabara, no dia 17 de abril, do Campeonato Carioca. O caso está entregue à Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM).

O Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro também recebeu cópia do relatório encaminhado à Polícia e vai analisar o caso.

O relatório de cerca de 20 páginas – que narra lances do jogo e cita jogadores envolvidos – produzido pela Sportradar indica movimentação suspeita no volume de apostas de acordo com os lances do jogo. A empresa de dados foi contratada da Ferj para acompanhar oscilações anormais no mercado de apostas envolvendo o Carioca.

O documento entregue à Polícia cita possibilidade de conhecimento prévio dos apostadores em eventos da partida – por exemplo, houve volume fora do padrão de apostas sobre derrota por ao menos dois gols do Macaé na primeira etapa (terminou 2 a 0 o primeiro tempo), depois que o Madureira abriu o placar aos 7 minutos. O segundo gol saiu nos acréscimos.

Outro caso em análise no relatório diz respeito ao número de gols do jogo. Os apostadores marcaram – em volume também acima do habitual, de acordo com o relatório da Sportradar – que haveria ao menos quatro gols no placar final – o Macaé empatou a partida com gols no primeiro e terceiro minuto do segundo tempo e o Madureira completou o placar de 4 a 2 com gols aos 15 e aos 27 da etapa final.

Macaé fez greve antes da bola rolar

O time do Macaé fez protesto no gramado antes da bola rolar. Sem receber salários há alguns meses, os jogadores sentaram no campo e ficaram no chão por alguns instantes. Os macaenses terminaram rebaixados para a Série B do Carioca com apenas um ponto ganho em toda a competição.

Na ocasião do protesto, a diretoria se manifestou em nota nas redes sociais:

“A diretoria do clube respeita o posicionamento do nosso elenco que vem sendo prejudicado com a falta de treinamentos adequados!

Nosso município e os circunvizinhos, devido a pandemia, proibiram o uso de campos e similares por decretos. Enviamos ofício para a FERJ, que respondeu que deveríamos treinar em cidades que estivessem liberadas, porém o clube não recebeu, até o momento, nenhum pagamento referente às cotas de transmissão da TV, inviabilizando o pagamento das despesas com mudança de cidade durante a competição.

Nossos atletas estão prejudicados no aspecto técnico e também financeiro sem o sagrado direito de recebimento de salários (que o clube não tem condições de arcar sem recebimento da única fonte do recurso do campeonato) e tem todo o direito de protestar, até mesmo pela patente ausência de isonomia técnico-esportiva que afeta um clube que não pode treinar por motivo de força maior.

Esperamos que esse protesto espontâneo e legítimo dos atletas produza a sensibilização dos órgãos competentes da administração do futebol carioca e também dos clubes co-irmãos de modo a serem imediatamente adotadas as providências para minimizar nossas dificuldades!” (GloboEsporte – Raphael Zarko — Rio de Janeiro)

 

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