Nova ‘frente conservadora’ acena com pauta armamentista e legalização de jogos de azar

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O deputado Cezinha da Madureira será presidente da Frente Parlamentar Evangélica em 2021 (Foto: Agência Câmara)

A bancada evangélica do Congresso se reuniu na manhã desta quinta-feira para eleger o presidente da Frente Parlamentar Evangélica pelos próximos dois anos. Foi fechado um acordo por uma liderança compartilhada: Cezinha da Madureira (PSD-SP) será presidente no próximo ano e Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), no ano seguinte.

Ambos são ligados à Assembleia de Deus, mas em denominações rivais. Sóstenes é apadrinhado do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVC). Já Cezinha é próximo de Samuel Ferreira, influente líder da Assembleia de Deus Madureira.

O acordo foi anunciado em um jantar da bancada evangélica na noite de quarta-feira em Brasília. Estavam presentes os ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), André Mendonça (Justiça), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Milton Ribeiro (Educação) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

A Frente Parlamentar Evangélica tem 105 deputados e 15 senadores, correspondendo a 20% do Congresso Nacional, sendo um dos principais colegiados de apoio do governo.

‘Frente conservadora’

O Globo desta sexta-feira (18) revela que embora alinhada com o presidente Jair Bolsonaro, a bancada evangélica acumulou frustrações nos dois primeiros anos de governo com a dificuldade de avançar na pauta de costumes e nas questões tributária de entidades religiosas, que vêm ganhando espaço na Câmara.

O jornal destaca a decepção com temas como a o veto de Bolsonaro a anistia das multas pelo não pagamento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) em templos e a indicação do Nunes Marques para a vaga do ministro Celso de Mello ao invés de um nove “terrivelmente evangélico”.

A análise do O Globo também destaca que a tentativa de acelerar uma pauta conservadora, preterida pela agenda econômica do primeiro ano de governo e deixada de lado em 2020 em meio a pandemia da Covid-19, tem mais obstáculos à vista em 2021.

“Deputados bolsonaristas articulam o lançamento de uma “frente conservadora” na Câmara, função que, na prática, é preenchida hoje pela bancada evangélica. A nova frente acena com bandeiras como a pauta armamentista e a legalização de jogos de azar, dois temas que fazem parte da agenda de Bolsonaro”, revela o colunista Bernardo Mello.

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