O Tempo: Façamo jogo, senhores

Opinião I 15.09.21

Por: Elaine Silva

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Nacib Hetti*

Retornaram as discussões sobre a reabertura dos cassinos no Brasil, que passou a ser uma questão puramente econômica, envolvendo geração de divisas e tributos para o país. Qualquer manifestação em contrário, alegando aspectos éticos, morais, sociais etc., não tem mais eco na sociedade e passa a fazer parte das muitas hipocrisias do nosso meio político. De uma forma ou de outra, todo mundo está jogando. Proliferam os jogos bancados pelo próprio governo, fazendo do país um grande cassino a céu aberto, sem contar o jogo do bicho e os cassinos clandestinos, passando pelos bingos.

Desde a proibição do chamado jogo de azar pelo governo Dutra, em 1946, diversas tentativas foram feitas para retorno dos cassinos, sempre encontrando alguma resistência por parte dos segmentos mais conservadores. Alguns poucos que são “do contra” alegam que o país tem belezas naturais o bastante para estimular o turismo, mas o brasileiro vai para Punta Del Leste e Viña Del Mar para jogar. É o Brasil gerando empregos e divisas em seus vizinhos. Os que são “do contra” alegam que o jogo no Brasil pode se tornar indutor da corrupção. Conversa fiada: existe cassino na Ásia, na Escandinávia e no Canadá, regiões com índices de corrupção bem inferiores ao nosso.

A reabertura dos cassinos no Brasil poderia gerar até 300 mil empregos, diretos e indiretos, no jogo propriamente dito, no incremento do turismo e no meio artístico, com novos palcos de apresentação e consequente valorização do artista nacional. Na alta temporada, as mesas de jogo do Casino Conrad de Punta Del Leste recebem até 250 mil turistas. No Chile, está permitida a abertura de novos cassinos no país, além do já tradicional de Viña Del Mar. Outros países latinos como Venezuela, Peru, Costa Rica e Argentina estimulam a implantação de cassinos.

Alguns projetos foram apresentados por parlamentares conscientes das vantagens econômicas da reabertura do jogo. Um deles prevê a implantação de cassinos em Pantanal, Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Rondônia, levando o turista para lugares com belezas naturais, mas pouco procuradas pelas agências de viagens. Outro propõe o aproveitamento da estrutura arquitetônica já existente, com a reativação dos cassinos de São Lourenço, Caxambu, Lambari, Poços de Caldas, Araxá, Ilhas Porchat e Quitandinha, com sensível redução nos investimentos.

Assim como os americanos levaram o turista para o deserto, com a inclusão dos índios no processo de concessão, a interiorização dos cassinos brasileiros certamente levaria ao desenvolvimento do turismo interno, com a criação de milhares de empregos e geração de recursos para os programas sociais do governo. Com ou sem cassino, o jogo no Brasil é um processo irreversível. A reabertura oficial dos cassinos só não interessa aos contraventores do jogo e ao cinismo moralista.

(*) Nacib Hetti é Diretor da Associação Comercial de Minas Gerais – ACMinas e veiculou o artigo acima no Jornal O Tempo – MG.

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