Termina o I Congresso Brasileiro de Jogo realizado no Rio de Janeiro
Terminou nesta quarta-feira(21), o I Congresso Internacional do Jogo, realizado no Windsor Hotel no Rio de Janeiro.
A abertura do terceiro dia do evento contou com a participação do ex-juiz, ex-desembargador, ex-deputado Federal, advogado e professor da USP, Regis de Oliveira, que foi o relatar do Projeto dos Bingos no ano de 2010 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. O ex-parlamentar foi convidado a fazer um panorama das dificuldades enfrentadas pelos defensores da regulamentação, quando o assunto é jogos de azar.
“Lastimável que o país não tenha o jogo. Os avanços no parlamento são pequenos por conta de setores conservadores da sociedade”.
Regis também comentou sobre as resistências dos parlamentares com relação às propostas de criação de um marco legal para o setor, da influência da bancada religiosa e de como os deputados limitam os avanços dos projetos.
“Infelizmente, a Igreja ainda tem muita força no Congresso, basta ver a questão do aborto. Temos um parlamento conservador, basta olhar a bancada evangélica com 62 deputados. Além disso, sem o apoio do Executivo nada passa no Congresso”, informou.
O ex-deputado sugeriu algumas iniciativas para o setor que poderão ajudar no lobby em Brasília junto ao Executivo e Legislativo: unidade de comando na defesa da regulamentação, produção de estudos técnicos sobre o segmento com o tamanho deste mercado e a expectativa de arrecadação com impostos.
A visão dos operadores de apostas esportivas
O primeiro painel do dia contou com a participação de Mickey Kalifa (Sportech), Hervé Schlosser (France Pari e Sportnco), Kip Peterson (Thorsborg Institute), Suren Khachatryan (Betconstruct), Ofri Noier (Tradelogic), moderado por Eamonn Toland, (Paddy Power).
Mickey Kalifa apresentou as operações da Pool Game da Sportech, modalidade de apostas rateadas, semelhante a Lotogol e Loteca. Segundo o executivo, 500 mil pessoas jogam toda semana em jogos de futebol no Reino Unido, que já premiou mais de 60 milhões de pessoas.
“Em uma loteria com muitos jogos é impossível manipular o resultado de vários jogos, pois seria inviável economicamente”, comentou.
Kalifa comentou a força da China nas apostas. “Apesar do futebol não ser um esporte popular na China, em apenas uma província em que se opera um jogo similar, vende-se US$ 600 milhões por mês no Campeonato Inglês. Na Índia, onde as apostas são ilegais, o cricket movimenta US$ 40 bilhões por ano. Esta na hora de mudarmos este cenário, pois com a paixão do brasileiro pelo futebol esta receita seria imensa no Brasil”, comentou.
Suren Khachatryan comento que as pessoas que veem apostas esportivas pela primeira vez podem achar complicadas, mas é fácil. Informou que aposta-se em tudo hoje em dia, mas que a In-play betting (apostas durante as partidas) é a mais forte da indústria.
Hervé Schlosser disse que a França tinha as mesmas duvidas e os mesmos problemas que o Brasil esta tendo.
Segundo o executivo, a primeira licença foi expedida a três dias antes do primeiro jogo da abertura da Copa do Mundo da França em 1998.
“Operar apostas esportivas na França é muito difícil devido a grande tributação na legislação francesa. Atualmente, são 10 operadoras licenciados, mas no início eram 20 empresas e com o tempo ou se fundiram ou encerraram suas atividades”, informou.
A operação, que reúne apostas esportivas, pôquer e turfe, movimentou R$ 1,8 bilhão em 2011, R$ 2,2 bi em 2012 e vai fechar 2013 com uma arrecadação de R$ 2,5 bi. As apostas esportivas têm a preferência e as apostas no pôquer estão em queda entre os franceses. A Betclic é a principal operadora e a preferência nas apostas é no futebol e no tênis, que detém 80% do mercado. Também informou que 50% das apostas são antes do jogo e 50% in play (durante o jogo). As operadoras têm que oferecer várias opções para dar certo. Dá para fazer apostas em cerca de 35 esportes com 35 mil partidas por ano.
O setor na França teve um crescimento fantástico com a entrada da telefonia móvel dentro do mercado de apostas e com a melhoria das conexões.
Hervé garantiu que a regulamentação desta modalidade é uma oportunidade para o crescimento econômico do país. “Tenho certeza será muito popular no Brasil”, comentou.
“A Copa do Mundo no Brasil deverá representar para os operadores franceses cerca de R$ 300 milhões em apostas somente na França. Por isto que estamos comemorando a classificação da França para o Mundial”, concluiu, sugerindo uma possível final entre o Brasil e a França.
Ofri Noier apresentou como a Tradelogic opera apostas em chances no mercado financeiro em índices, bolsas de valores, cotação das empresas, entre outros indicadores.
Loterias estaduais e Caixa juntas pela primeira vez
O painel ‘Modernizando as loterias no Brasil’ contou com participação de Gilson Braga (Superintendente Nacional de Loterias da Caixa Econômica Federal), José Maria Alberich (vice-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro – LOTERJ), Marcel Rabello (advogado da Associação Brasileira das Loterias Estaduais – ABLE), Ronan Moreira (diretor de Operações de Loteria do Estado de Minas Gerais – LEMG), Sérgio Alvarenga (CEO da Intralot Brasil), com moderação do editor BNL, Magnho José.
Marcel Rabello abriu o painel falando sobre a legislação brasileira que permite as operações das loterias estaduais por força do Decreto-Lei 204/1967. Ronan Moreira apresentou as operações da Loteria do Estado de Minas Gerais e destacou o apoio do governador a LEMG.
Sérgio Alvarenga apresentou a visão da empresa privada na operação de três modalidades no estado de Minas Gerais e sugeriu que as loterias sejam agências.
“O meu entendimento é que as loterias devem ser agências reguladoras e fiscalizadoras e entregar as operações para empresas da iniciativa provada”, comentou.
José Maria Alberich apresentou as exitosas operações da Loteria do Rio de Janeiro com as loterias instantâneas (Raspadinhas) e de múltiplas chances (Rio de Prêmios).
Gilson Braga fez um balanço das Loterias Caixa, informou sobre lançamentos de novos produtos como o ‘Dia de Sorte’, ‘Super Sete’ e sobre a concorrência para a operação de loteria instantânea.
O dirigente também afirmou que “existe espaço para todos” neste mercado, numa saudável referência que as operações da Caixa e as loterias estaduais podem compartilhar e operar o serviço de loterias no país.
Perguntado se a Caixa já tinha feito o dever de casa com relação as apostas esportivas, Gilson foi taxativo “Estamos prontos!”.
Social Games ou jogos sociais
O último painel do BgC 2013 abordou os jogos sociais com as apresentações de Vicenç Marti da Akamon, André Faure da Gamehouse, moderado por Carlo Costanzia, ex- CEO, bwin.party França e Fundador, Gioco Digitale.
Vicenc Marti explicou que nos jogos sociais não tem valor quando o jogador ganha e registrou que esta modalidade teve um crescimento exponencial no Brasil, já que o país representa 50% deste mercado.
Andre Faure informou que a Gamehouse está presente no Brasil desde o advento do Orkut e que o tráfego do brasileiro continua muito alto neste setor.


