Disputa por cargos no alto escalão da Caixa atrasa acordo com o Centrão

A disputa por duas vagas no alto escalão da Caixa Econômica Federal travou a mudança na presidência do banco, que deverá ser entregue à ex-deputada Margarete Coelho, aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos principais caciques do Centrão. Além do comando da instituição, o grupo político quer indicar todas as 12 vice-presidências, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja manter Inês Magalhães no área de Habitação e Marcelo Bomfim no de Governo.
Segundo interlocutores, a escolha de Inês a uma vice-presidência foi um compromisso de Lula com o PT. Ao indicar Jader Filho, nome do MDB, para o Ministério das Cidades, o partido do presidente da República assegurou a vaga na Caixa como contrapartida. A ideia era deixar o jogo equilibrado: enquanto o ministério de Jader tem o Minha Casa, Minha Vida como uma das principais vitrines, Inês controla “a chave do cofre” dos recursos do programa.
Já Marcelo Bomfim teria as bênçãos do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com quem Lula deseja manter uma boa relação.
Diante do impasse, o combinado é primeiro bater martelo sobre a presidência do banco. A favorita para substituir Rita Serrano, atual ocupante da cadeira, é Margarete Coelho, que hoje ocupa a diretoria de administração e finanças do Sebrae.
Apoio de ministro
A indicação de Margarete também encontra apoio do ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento Social — ela foi sua vice-governadora no Piauí.
A ida de Margarete para a Caixa ampliaria o espaço do PT no Sebrae, comandado por Décio Lima, ligado a Lula e a Paulo Okamotto, presidente da Fundação Perseu Abramo. Em uma articulação, o governo conseguiu retirar Carlos Melles da presidência da entidade de apoio às micro e pequenas empresas. Ele fora indicado ao posto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O plano é botar na vaga de Margarete alguém alinhado a Okamotto, pois a direção do Sebrae funciona como um colegiado.
Em que pese a dança das cadeiras no Sebrae favorecer aliados de Lula, algumas pessoas do partido veem a possível ascensão de Margarete com desconfiança pela proximidade que ela tem com o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), que foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro. Além disso, servidores do banco têm apresentado resistências e ressaltado que ela não conhece a instituição, que tem em seus quadros atualmente cerca de 86 mil funcionários.
Na sexta-feira, nove entidades representativas dos empregados da Caixa divulgaram uma nota em apoio a Rita Serrano. De acordo com o texto, a veiculação de notícias sobre a saída sem qualquer manifestação por parte de Lula é um “desrespeito”.
O texto afirma que é um risco politizar a Caixa:
“É um risco para o sucesso da implementação dos programas operados pela Caixa, dada a posição estratégica que ocupamos. Politizar a Caixa é entregar a principal ferramenta de realização dos sonhos do povo brasileiro e dos objetivos do governo (…) as entidades externam sua preocupação e seu comprometimento com os valores e princípios necessários para a efetivar o papel público e social (do banco)”.
O ex-presidente da Caixa Gilberto Occhi, nome que foi cogitado antes de Margarete, também agradaria o Centrão e conhece o banco por ser servidor de carreira. Mas a veiculação de uma investigação interna contra ele reduziu suas chances de assumir o posto, embora não seja ainda uma carta fora do baralho, segundo pessoas próximas às negociações.
A expectativa era que os nomes fossem sacramentados nesta semana, mas diante do feriado de 7 de setembro, o anúncio pode ser adiado. Segundo interlocutores do governo, falta também uma conversa entre Lula e Lira para bater o martelo.
Travas para a negociação
Presidência: A atual presidente da Caixa, Rita Serrano, está praticamente de saída para dar lugar a Margarete Coelho, aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos principais líderes do Centrão.
Vice-presidência de Habitação: Chefe do núcleo, Inês Magalhães foi indicada por Lula, que nomeou Jader Filho (MDB) para o Ministério das Cidades — gestor do Minha Casa Minha Vida —, mas deixou os recursos do programa com ela.
Vice-presidência do Governo: Marcelo Bomfim é outro que o presidente deseja manter no posto. Ele ganhou o cargo sob as bênçãos do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com quem Lula deseja manter boa relação. (O Globo)


