BiS Brasília reúne autoridades e empresários para debater mercado de apostas no Brasil

O BiS Brasília, evento sobre o mercado de jogos, apostas e loterias no Brasil, reúne autoridades governamentais e representantes do setor na capital federal. O encontro, organizado pela BiS SiGMA em parceria com associações nacionais, acontece nesta terça e quarta-feira (21 e 22 de outubro) em Brasília. Especialistas discutem os desafios e perspectivas do setor para os próximos anos.
Durante o painel “A Arena dos Números: O Mercado de Apostas na Visão dos Empresários e do Governo no Brasil”, representantes do governo e de entidades do setor apresentaram dados e compartilharam visões sobre o futuro do mercado regulado no país. O evento está sendo realizado no Royal Tulip Brasília Alvorada, reunindo especialistas para discutir o setor de jogos e loterias no país.
Crescimento do setor e combate ao mercado ilegal
Giovanni Rocco, Secretário Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte do Ministério do Esporte, destacou que “a regulamentação de dezembro de 2018 autorizou apenas as apostas esportivas”. Ele apontou como prioridade para 2026 a consolidação dos recursos de patrocínio ao esporte.
Dados apresentados por João Gallucci Rodrigues, Sócio Diretor do Poder360 e moderador do debate, mostram que 35% dos brasileiros realizaram apostas online em setembro de 2025, representando um aumento de 12 pontos percentuais em comparação a outubro de 2024.
“O crescimento é significativo e reflete a popularização das apostas no país. A pergunta que fica é: como será 2026?”, questionou Gallucci.
Plínio Jorge Lemos, Presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), alertou sobre o mercado ilegal: “pelo menos metade das apostas feitas no Brasil ocorre hoje no mercado ilegal, que drena recursos do Tesouro e representa grave risco à imagem do setor”.
A ANJL tem tomado iniciativas próprias para combater operações ilegais. “Não vamos esperar o governo. Assumimos isso como nosso propósito”, afirmou Lemos. Ele acrescentou que a associação “assinamos termo de ajustamento de conduta com a Anatel e, em breve, com o Banco Central, para bloqueio de sites e meios de pagamento”.
Tributação e integridade esportiva
A proposta de cobrança retroativa de impostos, estimada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em R$ 5 bilhões, gerou debate entre os participantes.
“Como tributarista, não enxergo base legal para essa cobrança. O caminho da arrecadação está em canalizar o mercado ilegal para o regulado”, argumentou Lemos. Ele defendeu que “quanto mais empresas se mantêm regulamentadas, maior é a arrecadação natural, sem recorrer a aumentos de tributos retroativos, cuja viabilidade jurídica é muito questionada”.
Rocco propôs uma abordagem conciliatória: “Precisamos encontrar um meio termo. Essa discussão não passa só pelo Executivo, passa pelo Legislativo também”.
A proteção da integridade esportiva foi outro tema central. Rocco revelou que 90% dos jogadores de futebol no Brasil recebem até um salário mínimo, o que os torna vulneráveis a propostas de manipulação.
“Muitos atletas não entendem que tomar um cartão amarelo combinado é crime”, alertou o secretário. Ele trabalha na implementação de uma política nacional contra manipulação de resultados em parceria com o Ministério da Justiça e a Polícia Federal.
Lemos complementou: “A manipulação existe desde antes das apostas, mas agora temos ferramentas de monitoramento que nos permitem combatê-la efetivamente”.
Caixa Loterias e o mercado de apostas
Renato Silva Siqueira, Diretor-Presidente da CAIXA Loterias, informou que a estatal “entende que o mercado de apostas de quota fixa tende a crescer” e prepara sua entrada no segmento. A Caixa acumula 64 anos de experiência em loterias.
“Nosso grande compromisso é com o jogo responsável, oferecendo entretenimento com consciência de que o apostador está ali para se divertir, não para buscar exclusivamente ganho financeiro”, declarou Siqueira. Ele destacou que a Caixa repassou R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre de 2025 para áreas como saúde, segurança e educação.
Siqueira, que assumiu o comando da CAIXA Loterias em 24 de setembro deste ano, enfrenta o desafio de implementar a operação das marcas de apostas esportivas e jogos online da Caixa. A instituição planeja lançar as marcas BetCaixa (betcaixa.bet.br), MegaBet (megabet.bet.br) e Xbet Caixa (xbetcaixa.bet.br) no dia 26 de novembro.
O executivo já demonstra envolvimento com questões regulatórias do setor. Em 9 de outubro, ele se reuniu com Regis Dudena, Secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, para tratar da Regulamentação de Apostas de Quota Fixa, acompanhado de diretores executivos e do Superintendente Nacional de Loterias.
Em julho deste ano, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda publicou a portaria que autoriza a Caixa Loterias S.A a explorar a modalidade lotérica de apostas de quota fixa, com validade até 31 de dezembro de 2029. O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, anunciou que a instituição espera arrecadar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões com apostas em 2026.

Prioridades para o setor
Os participantes concordaram sobre quatro prioridades para 2026: intensificar a educação de atletas e árbitros contra manipulação de resultados; ampliar a fiscalização entre poderes e agências reguladoras; fortalecer o combate ao jogo ilegal; e buscar estabilidade regulatória para atrair investimentos.
Rocco enfatizou a importância dos atletas com a frase “sem o atleta não há partida, sem a partida não há aposta”, reforçando que “é fundamental proteger a integridade das competições”.
Lemos encerrou sua participação expressando um desejo: “Espero que logo possamos nos apresentar em qualquer roda de amigos sem precisar explicar o que fazemos. Que a atividade seja reconhecida como séria e responsável”.
O BiS Brasília continua hoje com painéis sobre tecnologia, compliance e inovação no mercado de apostas esportivas.


