Pesquisa da Loft avalia o impacto das apostas online no pagamento de aluguel; veja os números

Apostas I 22.10.25

Por: Magno José

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Pesquisa da Loft avalia o impacto das apostas online no pagamento de aluguel; veja os números
Foram entrevistados 1,3 mil inquilinos, sendo que 13% afirmaram já terem atrasado ou deixado de pagar o aluguel diretamente por causa de apostas (Foto: Marcio Bruno/Loft)

Os gastos com apostas online chegaram ao mercado imobiliário. Uma a cada três pessoas que vivem de aluguel afirma já ter atrasado ou conhecer alguém que atrasou o pagamento do aluguel por causa de jogos de azar. E a perspectiva é que o cenário se intensifique nos próximos anos, principalmente entre os mais jovens, registra reportagem do Estadão.

É isso que mostra um estudo da Loft, em parceria com a Offerwise, que ouviu 1,3 mil inquilinos, entre 26 de setembro e 6 de outubro de 2025. Entre os entrevistados, 13% afirmaram já terem atrasado ou deixado de pagar o aluguel diretamente por causa de apostas.

Outros 10% disseram ter sentido dificuldade para pagar por causa de apostas online, embora não tenham chegado a atrasar.

“Ainda que não seja o fator mais determinante quando pensamos em inadimplência, as apostas online já têm efeito na dinâmica do pagamento de contas. É um elemento que precisamos considerar”, analisa Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.

Somando os que afirmaram ter atrasado o próprio aluguel ou conhecer alguém que passou pela situação, 31% dos entrevistados foram afetados.

“Tínhamos a hipótese de que parte das pessoas entrevistadas não se sentiriam confortáveis em falar que estão perdendo dinheiro e atrasando contas. Por isso, deixamos a pergunta mais abrangente. A pessoa pode realmente conhecer alguém passando pelo problema, mas também pode ser uma forma de dizer que ela mesmo passa por isso”, diz.

De fato, um estudo da Serasa, realizado no último ano, mostrou que quase a metade (46%) dos 73,1 milhões de inadimplentes já haviam feito aposta online ao menos uma vez na vida. Desses, 44% apostaram com a expectativa de conseguir dinheiro para pagar dívidas.

Além disso, só em 2024, o setor varejista perdeu R$ 109 bilhões devido às apostas, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O levantamento da Loft indica que 37% dos entrevistados que jogam gastam até R$ 50 mensais com os jogos (a faixa com mais respondentes), porém 18% despendem mais de R$ 300. Entre os mais jovens, de 18 a 24 anos, o índice chega a 36%, caindo para 27% entre pessoas de 35 a 44 anos e 24% acima dos 45 anos.

“O impacto das apostas é transversal, aparece em todas as classes e perfis, afetando algo tão essencial quanto a moradia”, observa Takahashi. Enquanto isso, o faturamento das bets chegou a R$ 17,4 bilhões no primeiro semestre deste ano, de acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

Alessandra Moreira, gestora de cobrança da Lello Imóveis, indica que existe um crescimento consistente no endividamento das famílias, inclusive de aluguéis. “Nos últimos anos, o mercado tem mostrado um comportamento de oscilação seguido de retomada de alta na inadimplência”, pontua.

“É possível que as apostas e jogos online tenham algum peso nesse contexto, mas, por enquanto, isso é apenas uma percepção, não uma evidência”, acrescenta a executiva.

Ela contrapõe ao dizer que ainda é cedo para pesar o impacto das apostas nesta inadimplência. “É possível que as apostas e jogos online tenham algum peso nesse contexto, mas, por enquanto, isso é apenas uma percepção, não uma evidência. O que vemos de forma concreta é um aumento da exposição ao crédito e um orçamento doméstico mais pressionado”, pontua.

Apostadores recentes e alta inadimplência

A despeito dos debates sobre a regularização das bets no Brasil, a perspectiva do segmento imobiliário é que o cenário de inadimplência se intensifique nos próximos anos por causa das apostas.

Um indicativo disso é que o estudo da Loft mostra que 57% dos inquilinos que apostam começaram há menos de 1 ano e apenas 27% começaram há mais de um ano e meio. “O impacto na moradia pode ainda crescer”, afirma Takahashi.

Vinte por cento dos apostadores afirmam que perderam até R$ 50 nos últimos 12 meses, mas 21% afirmam que a perda ficou acima dos R$ 500.

Somente 9% afirmaram que não perderam dinheiro. “A falta de instrução formal, a falta de educação financeira e o envolvimento das bets com o futebol formam uma combinação explosiva no País”, comenta Marcelo Pereira de Mello, professor do Departamento de Sociologia e Metodologia e Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Assim como a bebida alcoólica e as drogas, uma parte das pessoas que aposta vai se tornar adicto dos jogos de azar. E não há um medicamento ou vacina que cure isso”, acrescenta.

A percepção dos jogos de azar como uma prática nociva para a sociedade também ficou explícita no levantamento da Loft, ao mostrar que metade dos entrevistados (49%) acredita que eles são nocivos e 75% defendem regras mais rígidas para o setor.

Além disso, 74% dos entrevistados consideram que as apostas aumentam, de fato, o endividamento das famílias. Por outro lado, 37% afirmam que as apostas podem ser um lazer saudável quando feitas com moderação, e 29% as veem como uma forma de ganhar dinheiro extra.

 


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