O mercado que está engolindo as bets

Apostas I 27.10.25

Por: Magno José

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Pense numa bolsa de valores em que, em vez de ações, o que se negocia são chances de algo acontecer

Está na camisa dos clubes de futebol, nas propagandas da novela e do Jornal Nacional, com campanhas estreladas pelos principais rostos do país.

O mercado de bets é realmente impressionante, mas, e se te falássemos que há algo maior por vir? Nos Estados Unidos, uma nova tendência vem — literalmente — engolindo o mercado de apostas.

Chamado de PREDICTION MARKET, a nova aposta está em adivinhar o futuro, seja lá do que for…

Pense em votar qual será o nome mais pesquisado no Google em 2025 ou na raça de cachorro mais vendida em um país específico?

Essa é a dinâmica do mercado de previsões, que já movimenta +US$ 2 bilhões de dólares por semana, contra US$ 17 bilhões anuais das apostas. Em apenas dois meses, as previsões movimentam praticamente o mesmo valor que as bets ao longo do ano todo.

O movimento é tão forte que as empresas de bet listadas na bolsa de valores americana, como é o caso da Draft Kings, tiveram que comprar empresas menores do setor — mesmo com o CEO tendo criticado o mercado há alguns meses:

CEO da DraftKings (Bet) dizendo que apostadores jamais trocariam apostas por previsões

Corte para a manchete dessa semana: “DraftKings compra RailBird para entrar no mercado de previsões”

Logo após o anúncio, as ações da DK subiram 6%, confirmando a expectativa do mercado de que esse é o futuro.

Ok, mas eu acho que ainda não entendi bem

Pense numa bolsa de valores em que, em vez de ações, o que se negocia são chances de algo acontecer.

Se um contrato paga US$ 1 caso Lula vença as eleições e hoje vale US$ 0,70, o mercado está dizendo que a probabilidade de vitória é de 70%.

Na prática, é uma mistura de investimento, rede social e casa de apostas — mas com uma diferença importante: o foco está menos em torcer, e mais em prever.

Os preços mudam conforme novas informações aparecem, transformando esses espaços em um termômetro coletivo da verdade.

Se as bets aqui movimentam bilhões, imagine esse mesmo volume apostado não em jogos de futebol, mas em decisões políticas, econômicas e até sobre o roubo do Louvre:

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Para ter uma ideia da dimensão: Só em outubro, os chamados mercados de previsão movimentaram mais de R$ 10 bilhões em apenas um mês, ultrapassando o total das bets brasileiras em seis meses.

De Wall Street ao blockchain

Nos Estados Unidos, a Kalshi é o grande nome do momento. Ela funciona como a “B3 das previsões”: uma plataforma licenciada por um órgão federal (a CFTC) onde dá pra investir em perguntas como:

⇒ “O Fed vai cortar juros este mês?”

⇒ “A inflação vai subir mais de 3%?”

⇒ Quão rico Elon Musk ficará antes de 2026?

Em setembro, a Kalshi registrou US$ 1,3 bilhão em volume e hoje domina mais de 60% do mercado global.

Para você ter uma ideia, nesse momento, enquanto acontece o shutdown nos Estados Unidos, as pessoas estão pagando para prever, dentro da Kalshi, que ele dure mais de 36 dias.

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Já a Polymarket, que roda em blockchain, é como a versão “cripto” desse modelo — aberta e descentralizada. Ali, o usuário escolhe o que quer prever:

⇒ “Trump vence em 2028?”

⇒ ‘‘A Apple lança um carro elétrico até 2026?’’

⇒ ‘‘O novo álbum da Beyoncé ganha o Grammy?’’

Cada contrato funciona como uma ação: quanto mais gente acredita que algo vai acontecer, mais caro ele fica.

E quando o evento realmente ocorre — digamos, Trump vence ou a Beyoncé leva o Grammy — quem comprou o contrato certo recebe US$ 1 por unidade.

Parece simples, mas o impacto é gigante. Em meses de alta tensão política, como nas eleições americanas de 2024, a Polymarket chegou a movimentar US$ 2,6 bilhões só em previsões sobre política.

O mercado que está engolindo as bets

É como se cada tweet, discurso ou escândalo fosse precificado em tempo real — um reflexo coletivo do que o mundo acredita que vem a seguir.

Esses mercados transformaram o “achismo” em ativo financeiro. Quem lê melhor os sinais do mundo — de indicadores econômicos a tendências culturais — sai na frente.

Para aprofundar: Esse podcast, ainda pouco assistido, mostra a visão de Tarek Mansour, o founder de 29 anos da maior empresa desse setor, avaliada em US$ 2 bilhões.

(O texto foi veiculado pela The News).

 

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