Proibição de jogos online na Índia aumenta uso de plataformas offshore, aponta pesquisa

A organização de defesa do consumidor CUTS International identificou um crescimento no uso de plataformas de jogos de azar offshore entre jogadores indianos após a proibição de jogos online com dinheiro real no país. O levantamento foi divulgado na semana passada, três meses depois da implementação da medida restritiva pelo governo indiano.
O estudo entrevistou 1.000 ex-usuários de jogos com dinheiro real na região metropolitana de Delhi NCR, comparando seus hábitos antes e depois da proibição que entrou em vigor em setembro de 2025.
Os resultados mostram que a utilização de sites estrangeiros não regulamentados subiu de 68,3% para 82% após a medida governamental. Aproximadamente 25% dos participantes declararam ter começado a acessar plataformas offshore apenas depois que as opções nacionais foram fechadas.
A pesquisa revelou também mudanças nos padrões de gastos dos usuários. O percentual de jogadores que desembolsam mensalmente entre 5.000 INR (US$ 55) e 9.999 INR (US$ 120) em sites estrangeiros aumentou de 7,6% para 26,2%. Já a parcela dos que gastam acima de 10.000 INR (US$ 120) por mês chegou a 13,5% dos entrevistados.
O tempo dedicado a essas plataformas também se intensificou. O acesso diário a sites offshore saltou de 3,4% para 42% após a proibição. Na mesma linha, a proporção de usuários que permanecem mais de duas horas por sessão nessas atividades cresceu de 3,4% para 44%.
A CUTS International limitou seu estudo à região de Delhi NCR, importante centro populacional e econômico indiano. A organização informou que está realizando pesquisas semelhantes em outros estados para verificar se o mesmo comportamento ocorre em escala nacional.
De acordo com a entidade, a proibição não diminuiu a demanda por jogos de azar, apenas redirecionou os usuários para plataformas internacionais. A CUTS manifestou preocupação com a proteção dos consumidores nesse novo cenário, já que os sites offshore não estão sujeitos às regulamentações indianas.
Essa tendência surge após o Parlamento indiano ter aprovado, em agosto de 2025, uma lei que proíbe jogos de azar online em todo o território nacional. A legislação estabelece penas de até cinco anos de prisão para pessoas ou empresas que oferecerem esses serviços digitais, visando combater problemas como vício e prejuízos financeiros que afetam aproximadamente um terço da população do país.
A nova regulamentação sobre “promoção e regulação dos jogos online” impactou diretamente plataformas de pôquer virtual e sites de esportes fantasiosos, incluindo aplicativos de “fantasy” de críquete, que atuavam como patrocinadores tanto da liga indiana de críquete quanto da seleção nacional.
Estatísticas oficiais mostram que os indianos perdem anualmente US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 12,6 bilhões) em aplicativos de jogos de azar, demonstrando o impacto financeiro direto dessas plataformas na economia das famílias do país. A proibição afetou cerca de 450 milhões de indianos que utilizavam plataformas de jogos de azar online.
A legislação prevê exceções para e-sports e jogos educativos, que serão incentivados como parte da economia digital indiana. O primeiro-ministro Narendra Modi declarou que a nova legislação “promoverá os e-sports e os jogos sociais online” e “protegerá a sociedade dos efeitos nocivos dos jogos de azar virtuais”.
Representantes da indústria haviam defendido uma abordagem de regulamentação e tributação, argumentando que a proibição total poderia direcionar milhões de jogadores para plataformas estrangeiras não regulamentadas – exatamente o que os dados da CUTS International agora parecem confirmar. Por outro lado, defensores da lei apontaram os custos sociais dos jogos de azar, incluindo casos de vício extremo e suicídios, além do potencial uso dessas plataformas para lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.


