Camarote de luxo é interditado em Salvador durante operação contra lavagem de dinheiro

A Polícia Civil da Bahia interditou um camarote de luxo no circuito do Carnaval de Salvador nesta segunda-feira (15/2). A estrutura pertence ao influenciador Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305, investigado por suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro do tráfico através da venda de rifas online.
De acordo com reportagem exibida neste domingo (15), pelo Fantástico, espaço que comporta 825 pessoas e possui três andares, três palcos e 14 telões de LED, foi lacrado antes mesmo de receber os primeiros convidados. Localizado no bairro Barra, com vista privilegiada para o circuito, o camarote 305 foi fechado para o Carnaval de 2026 como parte de uma operação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro possivelmente ligado a organizações criminosas do tráfico de drogas.
As investigações começaram em 2024, quando a polícia passou a monitorar transações financeiras entre traficantes de diversos estados e influenciadores que vendem rifas nas redes sociais. O Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco) identificou movimentações atípicas que levaram à Operação Falsas Promessas. Em 2025, os investigadores descobriram uma movimentação suspeita.
“Então, quando houve essa comunicação dessa transferência de valores para aquisição desse avião, nós iniciamos o processo de investigação em relação ao investigado atual, Diogo”, explicou Fábio Lordelo, diretor da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Compra de aeronave milionária levantou suspeitas
A polícia identificou que Diogo 305 e Manuel Ferreira da Silva Filho, já indiciado por lavagem de dinheiro, compraram juntos uma aeronave avaliada em mais de R$ 10 milhões. Esta aquisição levantou suspeitas dos investigadores, que intensificaram a apuração sobre a origem dos recursos usados pelo influenciador, que ostenta prêmios caros e vida de luxo no Instagram.
O influenciador comercializa rifas com valores extremamente baixos, chegando a cobrar apenas seis centavos por algumas delas, oferecendo prêmios de alto valor como carros de R$ 200 mil e cavalos de raça. Segundo os investigadores, essa prática cria pulverização das vendas e dificulta o rastreio do dinheiro, que pode alimentar organizações criminosas.
Durante operação na residência de Diogo, localizada em um condomínio de alto padrão com vista para o mar em Salvador, os agentes apreenderam cerca de dez veículos, incluindo uma Lamborghini avaliada em mais de R$ 4 milhões.
“Encontramos dinheiro em espécie, cerca de R$ 125 mil. Encontramos também bastante munição, inclusive .556, que é de fuzil”, detalhou a delegada Emily Figueiredo.
Prisão preventiva e uso do espaço pela polícia
Diogo tentou fugir ao perceber a chegada dos policiais, mas foi perseguido e detido em uma rodovia. A Justiça converteu sua prisão em flagrante para preventiva.
“Ele foi preso pela prática das rifas ilegais, que em si já é uma contravenção penal, por organização criminosa e por lavagem de dinheiro”, informou a delegada Emily.
Fábio Lordelo esclareceu a ilegalidade da atividade: “A rifa em si, ela só pode ser feita com fins filantrópicos. Ela não pode gerar lucro para quem propaga essas rifas”.
Após a interdição, a Justiça autorizou que o camarote seja utilizado como ponto de vigilância policial durante o Carnaval, especialmente para operações com drones de monitoramento. O relatório policial aponta que os artigos de luxo divulgados pelos rifeiros podem ser comprados com dinheiro do tráfico de drogas, e as quadrilhas embolsam o valor arrecadado com as rifas ilegais.
A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão contra outros 13 investigados nas cidades de Feira de Santana, São Bernardo do Campo (SP), São Paulo, Salvador e Camaçari, além de bloquear aproximadamente R$ 125 milhões em capitais dos integrantes do grupo criminoso. No total, foram apreendidos quase R$ 130 mil em espécie, 10 veículos de luxo (incluindo Lamborghini, SW4 blindadas e bicicletas elétricas), uma pistola 9 mm, mil munições de calibres 556 e 9 mm, 5 carregadores de fuzil, uma scooter subaquática, 5 caixas de som boombox, 15 caixas de uísque 21 anos, 4 caixas de iPhones 17, 5 caixas de PlayStations, todas lacradas, além do avião avaliado em mais de R$ 10 milhões.
As investigações prosseguem para determinar se os prêmios anunciados nas rifas eram efetivamente entregues aos ganhadores ou se as entregas eram forjadas.
As defesas de Diogo Santos de Almeida e Manuel Ferreira da Silva Filho não foram localizadas pela reportagem.


