Betano defende publicidade de apostas e elogia regulação do governo Lula

Apostas I 19.07.26

Por: Magno José

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Betano defende publicidade de apostas e elogia regulação do governo Lula
Em entrevista ao Painel S.A da Folha de S.Paulo, o diretor de relações institucionais da Betano no Brasil, Guilherme Figueiredo destaca investimentos no futebol brasileiro e repasses a programas sociais como vitrine do setor (Foto: Vivian Koblinsky/Betano)

O diretor de relações institucionais da Betano no Brasil, Guilherme Figueiredo, defendeu a manutenção da publicidade de apostas esportivas no país e avaliou positivamente a atuação do governo federal na regulação do setor. Para ele, o investimento das casas de apostas no futebol é um dos fatores por trás dos sete anos consecutivos de títulos da Libertadores por clubes brasileiros.

Em entrevista ao Painel S.A. da Folha de S.Paulo, Figueiredo também afirmou que o governo Lula acertou ao priorizar o bloqueio de operadoras ilegais e a educação do consumidor, em vez de proibir o setor. A Betano detém cerca de um quarto do mercado de apostas regulado no Brasil.

Sobre a polêmica envolvendo a CazéTV durante a Copa do Mundo, Figueiredo admitiu que a repercussão foi negativa para o setor, mas destacou a correção de rota adotada pela emissora. “As três empresas envolvidas não fizeram nada ilegal, mas como o incentivo de odds durante as partidas foi feito num momento de muita exposição, acabou virando algo negativo”, disse. Segundo ele, a CazéTV ajustou o posicionamento em três dias, mantendo a exposição das marcas com foco em jogo responsável.

Em relação às medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, para regular a publicidade do setor, Figueiredo defendeu a regulação das mensagens publicitárias e disse que a Betano está aberta a adequações. “O que a gente sempre defende é que a mensagem precisa ser regrada. Se tem que ter um aviso de que a aposta pode gerar perda financeira e vício, a gente vai obedecer e vai colocar”, afirmou.

Pressão no Congresso

Figueiredo reconheceu que propostas de restrição ou extinção das apostas no Congresso preocupam o setor, mas avaliou que a proibição não é politicamente viável. “Quando você deixa ali protocolado um negócio que pode acabar com o setor, é óbvio que nos preocupa. Mas acho que hoje o parlamento e especialmente o governo entenderam que proibir as casas de apostas seria pior”, disse.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou à Folha que as bets têm “destruído famílias” e são responsáveis “pelo vício e pela manipulação” das pessoas. Figueiredo respondeu com base no argumento da autonomia individual e destacou o papel econômico do setor. Para ele, o investimento das apostas esportivas é o que sustenta a força do futebol brasileiro. “A gente investe no futebol porque quer que o esporte brasileiro seja melhor”, declarou, citando ainda a repatriação de jogadores como Neymar, Lucas Paquetá e Vitor Roque.

Impacto no esporte paralímpico

O diretor da Betano também mencionou o repasse de impostos das casas de apostas ao esporte paralímpico. No ano passado, segundo ele, a arrecadação tributária do setor gerou mais de R$ 50 milhões para essa área, valor superior ao patrocínio da Caixa ao segmento. Parte desse recurso chega ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que custeia transporte e atividades esportivas para crianças com deficiência.

Na avaliação de Figueiredo, a regulamentação brasileira se destaca internacionalmente pelo processo de reconhecimento facial, que associa cada conta ao CPF do usuário e permite verificar se o apostador é maior de idade, beneficiário de programas sociais como o Desenrola ou com histórico de restrições. Antes da regulação, as empresas eram obrigadas a manter os recursos fora do país. “Todo dia fazia o câmbio para fora do Brasil. Isso era uma loucura completa. Mas era obrigatório, o dinheiro não poderia ficar no Brasil”, afirmou.

Sobre a saída de patrocinadores do futebol brasileiro, Figueiredo disse esperar recuperação do movimento em 2027. Também projetou consolidação do mercado, com fusões e fechamentos de empresas que não atingirem retorno esperado. Questionado sobre aquisições, afirmou que a Betano comprou recentemente uma plataforma internacional de inteligência artificial, em fase de implementação em mercados menores antes de chegar ao Brasil.

 

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