Maioria dos brasileiros que apostaram na Copa do Mundo diz que não ganhou dinheiro

A maioria dos brasileiros que apostou em jogos da Copa do Mundo de 2026 não saiu no lucro. Segundo pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo, 63% dos apostadores relataram não ter ganho dinheiro com o torneio.
Desse grupo, 48% afirmaram ter perdido dinheiro e 15% disseram que não ganharam nem perderam. Apenas 37% dos apostadores relataram ter ganho mais do que perderam.
O levantamento apurou que 6% dos brasileiros com 18 anos ou mais fizeram apostas esportivas em jogos da Copa. A pesquisa excluiu apostas em outras modalidades e em caça-níqueis online, como o Fortune Tiger, conhecido como jogo do tigrinho. Entre os homens, a parcela de apostadores chegou a 9%; entre as mulheres, ficou em 3%.
Os dados foram coletados nos dias 22 e 23 de julho de 2026, nos dias seguintes à final da Copa do Mundo, com 2.004 entrevistados de 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Bets como patrocinadores do torneio
As casas de apostas esportivas estiveram entre os principais patrocinadores da edição deste ano da Copa. A Betano, empresa grega com a maior base de consumidores do Brasil, adquiriu espaços publicitários à beira dos gramados. O valor do acordo não foi divulgado. A controladora da Betano, a Kaizen Gaming, foi a primeira plataforma a fechar um acordo de patrocínio com a FIFA (Federação Internacional de Futebol), ainda em 2022.
Nas transmissões do torneio pelos canais CazéTV, Globo, SBT e NSports, os sites BetNacional, Bet365, KTO, Esportes da Sorte e BetMGM veicularam anúncios durante os intervalos regulamentares e nas pausas para hidratação. Essa pausa é uma inovação da edição realizada nos Estados Unidos; uma interrupção de três minutos aos 22 minutos de cada tempo de jogo.
Balanços do setor indicam que a maior parte das receitas das casas de apostas vem dos jogos eletrônicos, embora o cenário varie entre empresas. Algumas afirmam faturar mais com prognósticos esportivos. A Copa fez crescer o número de apostadores e elevou o valor médio dos depósitos nos sites, conforme levantamentos do setor. O desempenho, no entanto, ficou abaixo do projetado em razão da eliminação precoce da seleção brasileira e da crise de imagem gerada pelas propagandas nas transmissões.
Queda no interesse pelo futebol
A pesquisa Datafolha de julho de 2026 registrou recuo no interesse dos brasileiros pelo futebol em relação a 2023, último ano antes do início do processo de regulamentação do setor de apostas.
Em julho de 2026, 64% dos brasileiros declararam ter interesse no esporte. Desse total, 28% afirmaram ter muito interesse e 35% disseram ter um pouco de interesse; a soma resulta em 64% por arredondamento. Os 36% restantes disseram não ter nenhum interesse.
Na pesquisa anterior sobre o tema, realizada entre 31 de julho e 7 de agosto de 2023, 72% dos brasileiros afirmavam ter interesse no futebol. A parcela dos desinteressados subiu de 28% para 36% no mesmo período. Um levantamento Datafolha realizado em maio de 2026 havia registrado que 7% das pessoas com 18 anos ou mais apostavam com regularidade, em pergunta que englobava qualquer modalidade de aposta. Os resultados não são diretamente comparáveis com os da pesquisa sobre a Copa por causa de mudanças na formulação das perguntas.


