Whatnot atinge avaliação de US$ 20 bi e supera varejistas como Best Buy

O Whatnot, aplicativo americano de compras em tempo real, atingiu uma avaliação de mercado de US$ 20 bilhões após concluir uma nova rodada de captação de recursos. O valor representa quase o dobro da avaliação registrada em outubro de 2025.
A empresa arrecadou US$ 545 milhões na rodada mais recente, anunciada nesta sexta-feira (7/8), conforme informou o Valor. Com esse resultado, o Whatnot supera a capitalização de mercado de varejistas tradicionais como Best Buy, Lululemon e Wayfair. Desde sua fundação, em 2019, a companhia já captou cerca de US$ 1,5 bilhão ao total.
Sediada em Los Angeles, a plataforma opera um mercado digital baseado em leilões de vídeo ao vivo. Vendedores transmitem sessões em tempo real oferecendo itens como cards esportivos e roupas, enquanto espectadores dão lances. Os leilões são acelerados, com alguns itens disputados em apenas cinco segundos. A empresa retém uma comissão sobre cada transação concluída.
Crescimento e controvérsia
Os números operacionais reforçam a tese dos investidores. O volume bruto de mercadorias no primeiro semestre de 2026 superou os US$ 8 bilhões registrados em todo o ano de 2025, segundo a própria companhia. O número de compradores mais do que dobrou nos últimos 12 meses, e a plataforma hospeda mais de 550 mil horas de transmissões ao vivo por semana.
A rodada foi liderada pelas gestoras Iconiq, Lightspeed e Avra. A plataforma também conta com o apoio de fundos de capital de risco como Andreessen Horowitz, Sequoia Capital e CapitalG. Em comunicado endereçado aos vendedores, a empresa afirmou que os recursos serão investidos no crescimento dos lojistas da plataforma e na construção de confiança no ambiente de negócios.
Processos por alegação de cassino ilegal
O crescimento ocorre em paralelo a uma série de questionamentos legais e regulatórios. O Whatnot enfrenta processos movidos por mais de 70 pessoas, que alegam que a plataforma funciona como um cassino não regulamentado. Críticos apontam que o aplicativo é viciante, e alguns usuários teriam acumulado dezenas de milhares de dólares em dívidas, conforme reportagem do The Wall Street Journal.
A associação com jogos de azar decorre de formatos específicos adotados por parte dos vendedores na plataforma. Entre eles estão os chamados card breaks, em que o comprador paga um valor fixo por uma “vaga” antes da abertura ao vivo de um pacote lacrado de cartas, sem saber de antemão o que vai receber. Mystery boxes seguem lógica semelhante; caixas fechadas cujo conteúdo só é revelado após a compra, com apelo psicológico comparável ao de caça-níqueis. Alguns vendedores também recorrem a roletas para definir descontos, brindes ou qual item o comprador receberá. Especialistas em comportamento alertam que o formato de leilões acelerados, combinado com essas dinâmicas, pode atuar como gatilho para pessoas propensas ao vício em jogos de azar.
A empresa negou que sua plataforma permita jogos de azar e afirmou que o vício e o consumo excessivo não aparecem como problemas relevantes em seus dados internos nem em fontes externas. A companhia também disse ter adotado medidas para combater fraudes.


