Betano aposta no Congresso e garante empregos até a votação da MP das Bets

Apostas I 13.10.26

Por: Magno José

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Betano aposta no Congresso e garante empregos até a votação da MP das Bets
Operadora da Betano defende a regulação, evita confronto com o governo e não menciona o STF. A garantia aos funcionários tem prazo: vale até o Congresso decidir a MP 1.394/2026 (Foto: Linkedin/Kaizen Gaming)

A Kaizen Gaming, operadora da Betano, publicou nesta segunda-feira (12) em sua página corporativa no LinkedIn um posicionamento sobre a proibição das apostas no Brasil. É uma das manifestações mais extensas de uma grande operadora desde a edição da Medida Provisória nº 1.394/2026, em 25 de setembro. A mensagem é otimista na forma. Uma leitura atenta, porém, revela uma estratégia mais cautelosa do que o tom sugere.

O texto parte do impacto social da medida. Segundo a empresa, os efeitos da proibição vão além das casas de apostas e atingem pequenas e médias empresas de tecnologia, telecomunicações, mídia, serviços e educação, além da economia do esporte, “afetando milhares de pessoas”. O alerta converge com o levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IBJR), que mapeia o impacto da MP sobre uma base de cerca de 15 mil trabalhadores do setor.

“A medida não é final”

A frase central da publicação é a afirmação de que a proibição não é definitiva. A Kaizen diz acreditar “no Estado de Direito, nas instituições do Brasil e no diálogo” e espera que o país preserve os avanços da regulação em vez de perdê-los. A empresa também reforça que está cumprindo integralmente a lei e que honrará os compromissos de investimento social já assumidos.

Na defesa do modelo regulado, a operadora lembra que o mercado tem menos de dois anos e trouxe autoexclusão, limites de apostas e proteção a beneficiários do Bolsa Família. Afirma ainda que a receita tributária do setor somou cerca de R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, com projeção de aproximadamente R$ 15 bilhões no ano. A cifra é da própria empresa e parece incluir, além da contribuição sobre o GGR destinada aos beneficiários legais, os tributos federais pagos pelos operadores, como IRPJ, CSLL e PIS/Cofins. Para comparação, dados oficiais da Fazenda obtidos pelo BNLData via LAI apontam GGR de R$ 20,07 bilhões no mesmo período.

O argumento final retoma o ponto mais repetido pelo setor desde 25 de setembro: proibir não elimina a demanda e empurra o apostador para operadores ilegais, sem proteção e sem arrecadação. A empresa resume essa ideia no fecho da mensagem com a frase “Proibição não é proteção”.

Garantia com prazo de validade

O trecho mais revelador é o dirigido aos funcionários. A Kaizen garante que os empregos no Brasil estão seguros “até o fim do processo perante o Congresso Nacional”, ou seja, até a validação ou não da MP. É um gesto relevante num momento de demissões no setor, mas tem limite explícito. Se a medida for convertida em lei, o compromisso termina. A empresa não promete manter a operação no país em qualquer cenário. Promete atravessar a janela de tramitação, que pela Constituição pode chegar a 120 dias, sem contar o recesso parlamentar.

O que a carta não diz

Tão significativo quanto o conteúdo é o que ficou de fora. A publicação não menciona o Supremo Tribunal Federal, onde as ADIs contra a MP estão sob relatoria do ministro Luiz Fux. A referência genérica às “instituições” contempla o Judiciário, mas a aposta declarada é no Congresso.

Também não há críticas ao governo, nem menção ao caráter eleitoral da medida, apontado por adversários e pela própria avaliação interna da campanha de Lula após o primeiro turno. A Betano patrocina clubes e eventos esportivos e tem forte exposição de marca. Por isso, optou por um tom de diálogo e conformidade, preservando a interlocução com qualquer governo que saia das urnas em 25 de outubro.

O resultado é uma mensagem de resistência e de diálogo, não de certeza. A Kaizen sinaliza que pretende ficar, como diz o encerramento (“estamos aqui para o longo prazo”), mas organiza seus compromissos de modo a não ser surpreendida se a proibição prevalecer.

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“Desde que a proibição das apostas no Brasil foi anunciada em 25 de setembro, houve várias publicações sobre pessoas que perderam seus empregos.

O efeito vai muito além das empresas de apostas, para pequenas e médias empresas de tecnologia, telecomunicações, mídia, serviços e educação, e para a economia esportiva em geral, afetando milhares de pessoas.

O mercado regulado no Brasil foi inaugurado há menos de dois anos. A regulamentação trouxe autoexclusão, limites de apostas e proteções para os beneficiários da Bolsa Família. Também gerou receita tributária de uma atividade que antes não tinha regulação ou supervisão. Somente no primeiro semestre de 2026, a receita tributária foi de aproximadamente R$7,3 bilhões, colocando o ano inteiro no caminho para cerca de R$ 15 bilhões. A arrecadação tributária da indústria vinha apoiando áreas como saúde, turismo e segurança pública.

Uma proibição não faz a demanda desaparecer, como a experiência internacional mostrou. Isso corre o risco de empurrar os apostadores de volta para operadores ilegais, sem proteções e sem contribuição para o país.

A medida não é final. Acreditamos no Estado de Direito, nas instituições do Brasil e no diálogo, e esperamos que o país construa sobre o progresso que fez, em vez de perdê-lo. Enquanto isso, estamos cumprindo totalmente a lei e honraremos os compromissos de investimento social que já assumimos.

Aos nossos colegas no Brasil: garantimos que seus empregos estão seguros até o fim do processo perante o Congresso Nacional do Brasil para validação ou não da Medida Provisória. Obrigado, e obrigado aos nossos clientes, parceiros e a todos que ajudaram a construir esta indústria.

Apostar envolve riscos reais. Proibição não é proteção. Regras, supervisão e educação são.

Continuamos comprometidos com o Brasil e estamos aqui para o longo prazo.”

 


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