Mercado ilegal de apostas se multiplica após proibição das bets, aponta monitoramento

Apostas I 14.10.26

Por: Magno José

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Mercado ilegal de apostas se multiplica após proibição das bets, aponta monitoramento 1
Divulgação de links suspeitos cresceu cerca de sete vezes depois da MP. Em 8 de outubro, já sem os sites autorizados no ar, surgiram 55 novos sites de apostas confirmados como suspeitos

A proibição das bets não acabou com as apostas online no Brasil, apenas mudou o endereço delas. É o que mostra relatório do sistema LegitBet, de 9 de outubro, compartilhado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que monitora sites suspeitos voltados ao público brasileiro.

Até 8 de outubro, o monitoramento acumulava 41.716 sites suspeitos detectados, dos quais 30.593 foram confirmados. Só naquele dia, dois dias depois de as plataformas autorizadas tirarem sites e aplicativos do ar, surgiram 79 novos sites suspeitos, 55 deles confirmados. Entre 2 e 7 de outubro, o sistema registrou de 70 a 233 novos domínios por dia.

Divulgação disparou após a MP

O dado mais expressivo é o da divulgação nos canais monitorados. Entre 8 e 23 de setembro, a média era de 77 links suspeitos por dia. A MP que proibiu as bets entrou em vigor em 25 de setembro, e a curva mudou de patamar. Entre 1º e 7 de outubro, a média chegou a 549 links por dia, cerca de sete vezes mais. O pico foi em 7 de outubro, com 948 links, um dia depois da retirada dos sites legais. Em 8 de outubro, foram 733.

Mercado ilegal de apostas se multiplica após proibição das bets, aponta monitoramento

O perfil dos sites

Os 55 sites confirmados em 8 de outubro têm o perfil típico do mercado ilegal:

⇒ Domínios descartáveis. 82% têm números no nome, e há famílias inteiras de endereços que variam só os números: um mesmo nome aparece em 13 domínios.

⇒ Terminações genéricas. Predomina o .com (43,6%), seguido de .vip (12,7%) e .bet (7,3%). Também aparecem .org, .cc, .co, .net e .top.

⇒ Ofertas agressivas. As páginas oferecem “jogos Fortune”, pagamento por PIX, cadastro apenas com celular, bônus diários e bônus por convite, que num dos casos chega a R$ 1 milhão.

De onde vêm

Naquele dia, a principal origem das detecções foi a pesquisa na internet (32%), seguida da inclusão a partir de outras bases de dados (30%), das redes de sites já monitorados (18%), dos canais do Telegram (13%) e das redes sociais (8%), como Kwai, Instagram, Reddit e Snapchat. No Telegram, 90% dos sites detectados foram confirmados como suspeitos.

Números conservadores

O relatório faz ressalvas. Ele não atribui ilegalidade a nenhum endereço, apenas aponta os que reúnem as características acompanhadas pelo monitoramento. A situação de cada site depende de análise das autoridades. Desde 5 de outubro, só são contados sites voltados ao público brasileiro. Os domínios da lista de bloqueio da Anatel ficam fora de todas as contagens, e as páginas de operadores autorizados também são excluídas. Na prática, os números tendem a subestimar o tamanho do mercado clandestino.

A “troca de mão” que não acontece

Os dados contrariam o argumento repetido pela equipe econômica. Em entrevista a O Globo nesta quarta-feira (14), o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Mello, disse ter dúvidas sobre a perda de arrecadação com o fim das bets. Na avaliação dele, o apostador deixaria de gastar na bet para gastar em outra coisa: “Então é uma troca de mão de dinheiro”. É a mesma tese defendida pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, em entrevista ao mesmo jornal em 8 de outubro.

O raciocínio só se sustenta se o apostador parar de apostar. Se ele migra para plataformas ilegais, o dinheiro continua indo para apostas, só que agora para fora do país. Deixa de pagar tributos e outorgas e de financiar as destinações legais, que sustentavam segurança pública, esporte, saúde e turismo, inclusive o fundo da Polícia Federal. O apostador também perde todas as proteções que a regulamentação garantia. Antes da MP, o mercado ilegal já respondia por mais de 40% das apostas, mesmo após 22 meses de regulação. Agora, segundo o monitoramento, ele ocupa o espaço deixado pelos operadores autorizados.

 


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