SINDIBETS-SP defende responsabilidade e evidências no debate sobre trabalho, consumo e o setor de apostas

Apostas I 15.10.26

Por: Magno José

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Mais de 5 mil empregos foram perdidos, atingindo profissionais, famílias e projetos de vida. Discutir consumo passa por manutenção de empregos

O SINDIBETS-SP vê com excelentes olhos a aprovação do fim da escala 6×1 pelo Congresso Nacional na data de ontem. A adoção de jornadas e práticas de trabalho que garantam maior equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal, além de representar uma forma de valorização do trabalhador, pode contribuir para a melhoria da produtividade nas empresas. Essa não é uma discussão distante da realidade do setor: várias empresas reguladas já adotam a escala 5×2 há mais de dois anos, demonstrando que é possível combinar produtividade, organização e melhores condições para o desempenho das atividades profissionais.

Essa medida, que consideramos sensata, chega em um momento no qual o setor de bets luta para sobreviver e manter milhares de postos de trabalho, diretos e indiretos, vinculados à atividade. Ao mesmo tempo que registramos uma medida em favor do trabalhador, enfrentamos, dentro de nossas empresas, o desafio de manter nossa força de trabalho empregada.

Ainda não se passaram trinta dias desde a publicação da MP 1.394/2026, que impôs medidas com impactos severos sobre o setor, e já nos deparamos com conclusões e afirmações pouco sustentadas sobre os efeitos do fim das bets.

Defendemos, institucionalmente, a importância de cautela diante de conclusões apressadas. Uma percepção registrada em poucos dias, sem dados concretos de vendas ou uma análise capaz de isolar os diferentes fatores que influenciam o varejo, por exemplo, não permite afirmar que uma eventual melhora no consumo tenha sido causada pelo fim das bets. Renda, emprego, inflação, crédito e poder de compra continuam sendo elementos decisivos nessa equação. Não se trata de negar a possibilidade de aumento no consumo, mas de reconhecer que, sem dados consistentes e análises adequadas, ainda não há elementos suficientes para atribuir esse resultado ao fim das apostas reguladas.

Enquanto algumas teses ainda precisam ser comprovadas, os impactos sobre o setor regulado já são concretos. Mais de 5 mil empregos foram perdidos, atingindo profissionais, famílias e projetos de vida. Além disso, a proibição não elimina a demanda por apostas: apenas empurra parte dela para plataformas ilegais, que não verificam adequadamente os usuários, não oferecem mecanismos de proteção e não se submetem às regras brasileiras.

O SINDIBETS-SP defende melhores condições de trabalho e acredita que o diálogo é o caminho para construí-las. Por isso, vem atuando junto às empresas e dialogando com entidades sindicais laborais para buscar alternativas que preservem o maior número possível de empregos e reduzam os impactos da MP 1.394/2026.

O Brasil precisa discutir políticas públicas com responsabilidade e base em evidências, evitando narrativas equivocadas ou superficiais e fortalecendo o mercado regulado, protegendo os trabalhadores e combatendo a ilegalidade.

 

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