Jockey Club da Grã-Bretanha é acusado de viver com corrupção

Jockey I 30.10.02

Por: sync

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LONDRES – O Jockey Club da Grã-Bretanha está sendo acusado de não ter reprimido “15 anos de corrupção sistemática”, disse o jornal Evening Standard, de Londres.
Ele dirá que “toda uma geração de jóqueis têm ligações próximas com o crime organizado” e questionará a disposição do Jockey Club de lidar com problemas causados pela “corrupção institucional em algumas partes” das corridas.
O chefe da Associação de Jockeys, Michael Caulfield, rejeitou as acusações. Ele disse à rádio BBC que “não há evidência, nunca houve e nunca haverá.”
No mês passado, o programa Panorama ganhou uma disputa judicial com o Jockey Club para usar documentos de Buffham, que saiu da empresa em setembro, após nove anos no cargo.
O programa, chamado “A Corrupção das Corridas,” deverá prejudicar o esporte. Ironicamente, será mostrado horas antes do final de um dos maiores eventos da Europa, o Prêmio Arco do Triunfo.
A BBC disse em seu site que o programa, de uma hora de duração e que levou um ano para ser feito, mostrará alegações de “acertos de corridas, redes de apostas duvidosas e jóqueis misturados com criminosos.”
APOSTAS GRÁTIS
O programa mostra que uma das principais casas oferecia apostas grátis a treinadores em troca de informações.
No começo do programa, Buffham dirá: “As corridas não são tão corretas quando o Jockey Club e outros pedirão para o público acreditar.”
“Acredito que seja institucionalmente corrupta em alguns aspectos e o Jockey Club não tenha a coragem moral e resolução para lidar com alguns dos problemas.”
Mas o diretor-executivo do Jockey Club, Christopher Foster, dirá ao apresentador Andy Davies: “Não acho que qualquer evidência que você produziu mostra que há alguma coisa com que alguém tenha que se sentir culpado.”
“Agimos quando há evidência. Não me lembro de nenhuma situação em que havia evidência e que não tomamos alguma providência.”
SENTENÇA DE PRISÃO
Em junho, Brian Wrigh, 56, conhecido nos círculos de corridas britânicos, foi acusado de estar no centro de uma gangue internacional de tráfico de cocaína. Muitos foram julgados e condenados a longas sentenças.
Ainda há um mandado de prisão válido contra Wright, mas no programa Panorama o ex-jóquei Dermot Browne dirá como Wright supostamente arranjou corridas subornando “vários jóqueis.”
Browne, afastado por 10 anos em 1992, dirá que um período de dois meses em 1990 envolveu-se em casos de dopings de 27 cavalos a pedido de Wright.
Depois dos julgamentos, o ex-jóquei Graham Bradley foi ordenado a se apresentar a uma audiência disciplinar do Jockey Club após afirmar a uma corte, onde era testemunha, que recebera dinheiro para dar informação a Wright. A audiência está marcada para o próximo mês.
Ao todo, 16 pessoas foram condenadas, num total de 215 anos, incluindo o filho de Wright, que está cumprindo 16 anos de cadeia.
CORRIDAS VULNERÁVEIS
Na época, o diretor do Jockey Club Christopher Spence disse que as atividades da gangue ressaltaram a “vulnerabilidade das corridas à corrupção por criminosos e ao potencial das apostas como veículo de lavagem de dinheiro.”
Autoridades do Jockey Club insistem que o esporte é administrado de maneira apropriada e honesta.
Mas lembraram que sua capacidade de lidar com atividade criminosa de outros continua limitada por falta de poderes de investigação e apreensão.
As corridas de cavalo da Grã-Bretanha ainda estão se recuperando de um programa da BBC transmitido em junho, em que três treinadores foram filmados conversando sobre limitar a capacidade de um cavalo.
Os três serão levados a audiência do comitê disciplinar do Jockey Club e afirmam que as declarações foram tiradas do contexto.
Agência Reuters

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