O melhor, disparado: J. Ricardo busca recorde de todos os tempos.

Jockey I 27.01.04

Por: sync

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É uma contradição. O turfe carioca está em baixa. O esporte aos poucos perde visibilidade e já não mobiliza a atenção dos cariocas. Ao mesmo tempo, está em alta. Possui o privilégio de ter um jóquei como Jorge Antônio Ricardo, 42 anos, atleta que não se cansa de quebrar recordes. O último deles foi no fim do ano passado. J. Ricardo, como vem escrito nos programas turfísticos, ou Ricardinho, como é conhecido, atingiu a marca de 8.606 vitórias e tornou-se o jóquei em atividade com o maior número de páreos ganhos em todo o mundo. O líder era o americano Pat Day, com 8.603, e a vantagem do brasileiro já subiu para vinte vitórias. O feito motivou o Jockey Club a espalhar outdoors pela cidade enaltecendo o filho pródigo. O mais impressionante no recorde é exatamente como Ricardinho o alcançou. Há duas décadas ele permanece imbatível, com o maior número de vitórias por temporada no país. Na atual, iniciada em junho, já acumula mais de 150 vitórias, setenta à frente do segundo colocado. "Esse recorde foi um feito importante, principalmente se levarmos em consideração que no Brasil as corridas ocorrem quatro vezes por semana, enquanto lá fora são diárias", lembra. As diferenças não param por aí. No Brasil, um páreo paga em média 5.000 reais ao vencedor. O prêmio fica com o haras proprietário do animal, e o jóquei recebe 10% do valor. No fim das contas, o ganho mensal de Ricardinho gira em torno de 10.000 reais. "Nos Estados Unidos ou na Europa eu seria milionário. Por lá, sempre há páreos de 500.000 dólares", diz o jóquei. Apesar da diferença, Jorge Ricardo preferiu ficar no Brasil. "Não valia a pena abandonar tudo o que conquistei aqui para me arriscar lá fora", pondera. A próxima meta é tornar-se o número 1 de todos os tempos. Para isso, Ricardinho precisa ultrapassar as 9.530 vitórias do panamenho Laffit Pincay. "Costumo obter 300 vitórias por ano e calculo que em três anos consiga bater o recorde mundial. A idéia é chegar pelo menos a 10.000 vitórias", diz ele. Laffit parou de correr no ano passado, aos 56 anos. Jorge Ricardo tem catorze anos a menos e permanece no auge de sua forma. Pelo andar da montaria, o próximo desafio será vencido com vários corpos de vantagem.  
Galope campeão.
• Há 22 anos Ricardinho lidera as estatísticas nacionais com o maior número de vitórias por temporada.
• Disputou mais de 35 000 páreos e obteve 8 630 vitórias (até domingo passado), o melhor desempenho no mundo entre os jóqueis em atividade.
• Em 1994, venceu o Grande Prêmio Brasil, o Carlos Pelegrini, disputado na Argentina, o GP São Paulo e o Latino-Americano.

Entrevista: Jorge Antônio Ricardo, jóquei, 42 anos

Veja Rio — Você se tornou o jóquei em atividade com o maior número de vitórias no mundo. Qual é o próximo recorde a ser batido?
Jorge Ricardo — Esse foi um feito importante, principalmente, se você levar em consideração que no Brasil as corridas ocorrem quatro vezes por semana, enquanto lá fora são diárias. O líder era o americano Pat Day. Consegui ultrapassá-lo no mês passado. Agora vou tentar ser o jóquei com maior número de vitórias na história do turfe. O recordista é o panamenho Laffite Pincay, que já parou de correr. Faltam menos de 900 vitórias e calculo conseguir bater o recorde em três anos. Quero chegar a 10 mil vitórias.
Veja Rio — Você costuma apostar em corridas de cavalo?
Jorge Ricardo — Não gosto de jogar. Já cheguei a apostar e, por acaso, sempre que apostei em mim, perdi.
Veja Rio — Você ficou rico com o turfe?
Jorge Ricardo — A maioria dos profissionais costuma ter um padrão bom de vida, mas não dá para ficar rico com o turfe aqui no Brasil. Nos Estados Unidos ou na Europa, eu seria milionário com o número de vitórias que tenho. Por lá, sempre há páreos de 500 mil dólares. Aqui a premiação é muito baixa em páreo normal. O primeiro colocado geralmente ganha em torno de 5 mil reais. O jóquei fica com 10% desse valor. A exceção é um grande prêmio como o GP Brasil que chega a 150 mil reais.
Veja Rio — Por que não tentou a carreira lá fora?
Jorge Ricardo — Não valia a pena abandonar tudo o que conquistei aqui para arriscar lá fora. É muito difícil o acesso de profissionais brasileiros ao mercado da Europa e dos Estados Unidos.
Veja Rio — E os patrocínios?
Jorge Ricardo — Em algumas ocasiões já tive, atualmente estou sem patrocinador. Não é fácil arrumar patrocínio porque o turfe não tem muita penetração. As pessoas precisavam conhecer mais o esporte para descobrir como é emocionante.
Veja Rio — Emocionante e perigoso…
Jorge Ricardo — Na semana passada, uma égua virou comigo dentro do boxe, pouco antes da largada. Fiquei preso e machuquei o polegar. Já fraturei costela, clavícola, perna, braço, dedos da mão. Não é fácil estar em cima de um cavalo de 500 quilos correndo a 60 km/h. É uma profissão arriscada. 
Revista Veja Rio – Fabio Brisolla


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