Governo não usou Inteligência

Bingo I 07.03.04

Por: sync

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Na estrutura da Presidência da República existe um órgão de assessoramento, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que tem, entre outras, a missão de identificar ameaças aos interesses da sociedade e à eficácia do poder público. Por essa definição, encontrada na página oficial da Agência na Internet, seria atribuição da Abin alertar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre os riscos da permanência do ex-assessor Waldomiro Diniz no Governo, principalmente depois das denúncias, em julho, do seu envolvimento com o bingo. Mas o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, a quem a Agência está subordinada, se defende.
Questionado pelo DIA, ele explica que a Abin só investiga servidores públicos se for solicitada. E dá a entender que não houve qualquer pedido com relação ao ex-assessor do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
“A Abin, atendendo a solicitação, realiza levantamento de dados de pessoas indicadas para cargos de confiança no Governo, permanecendo, sob sigilo, as pessoas que já foram, estão, ou serão cogitadas”, limita-se a informar.
A explicação não convence o presidente da OAB, Roberto Busato, para quem a Abin foi incompetente ou impedida de agir.
“O Waldomiro era um problema que vinha há tempos, e que poderia ser facilmente detectado. Ele estava em posição de vitrine. Se não houve nenhuma interferência a favor de Waldomiro, a Abin perdeu abruptamente sua eficiência”, avalia Busato.
Waldomiro não passou por checagem no início do Governo
Segundo o deputado Ricardo Zaratini (PT-SP), que trabalhava com Waldomiro na Casa Civil até assumir, como suplente, a cadeira deixada pelo ministro Aldo Rebelo (Articulação Política) na Câmara, é regra do Governo Lula levantar os antecedentes das pessoas que ocupam cargos de confiança com DAS 5 e 6, que representam salários de, respectivamente, R$ 6.343 e R$ 7.575. Waldomiro estava um patamar acima: ocupava um “cargo de natureza especial”, que tem salário variável (sempre acima de R$ 8 mil). Mas não foi por isso, segundo fontes, que ele deixou de ser investigado. Simplesmente, Waldomiro estava entre os 27 assessores nomeados no Diário Oficial de 1º de janeiro do ano passado, antes de a Abin começar a trabalhar para o atual Governo. Nenhum deles passou pela checagem.
Mesmo que fosse submetido à investigação de rotina, Waldomiro não seria barrado no Palácio do Planalto. Ela se limita a pesquisar se o candidato a membro do segundo escalão responde a processos ou inquéritos criminais, em que, até 13 de fevereiro, nada constava contra Diniz.
Em novembro, o Governo iniciou um processo de consultas à sociedade para redefinir as atribuições e a forma de atuação da Abin. Quer aumentar sua eficiência e acabar com os estigmas de “arapongagem” e perseguição política e ideológica, herdados do passado. As consultas começaram por parlamentares e devem prosseguir no mês que vem, justamente por Busato e outros dirigentes da OAB.
O Dia – Lucia Leão 

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