Carlos Martins depõe na Polícia Federal e denuncia que Procuradores do Ministério Público Federal distorceram as suas declarações.
Em depoimento à Polícia Federal no Rio de Janeiro, na semana passada (13.04), ao delegado da PF Herbert Mesquita, o Sr. Carlos Roberto Martins negou as declarações feitas ao Ministério Público Federal em Brasília, no sábado, dia 7 de fevereiro, ao subprocurador-geral José Roberto Santoro e aos procuradores Marcelo Serra Azul e Mário Lúcio de Avelar. Disse que "se sentiu pressionado a prestar o depoimento" e que, depois de ouvido, Serra Azul teria "mexido no texto" das declarações colhidas enquanto ele "foi tomar um café com Santoro".
Apesar da gravidade das denúncias apresentadas por Carlos Roberto Martins em seu depoimento a Polícia Federal, apenas o jornal A Folha de São Paulo repercutiu o fato.
O BNL teve acesso ao conteúdo do depoimento e vai reproduzir algumas partes para que os assinantes avaliem os métodos que estão sendo utilizados para denegrir a imagem da atividade de bingos e máquinas de videobingos e de alguns empresários desse setor.
Vale destacar que foi baseado nesse depoimento do Sr. Carlos Roberto Martins e na carta rogatória do governo italiano, enviada ao STF, em 1998, que o Ministério Público obteve junto juiz federal Clóvis Barbosa Siqueira, mandado de busca e apreensão nas empresas e residências de vários empresários do mercado de bingos e máquinas de videobingos.
Carlos Roberto Martins chamou de "inverídicas" muitas das afirmações registradas no depoimento que prestou ao MP e ainda “que recebeu um telefonema do jornalista Mino Pedrosa, conhecido seu, dizendo que o subprocurador-geral Dr. José Roberto Santoro e os procuradores Marcelo Serra Azul e Mário Lúcio de Avelar exigiam a sua presença às 8h30m da manhã, do dia seguinte, que foi sábado, a fim de ser interrogado, sem ter sido previamente notificado ou adiantado do assunto”.
Informou também “que caso não comparecesse o MPF mandaria busca-lo em Goiânia”. Messias informou que compareceu a sede da Procuradoria Geral às 13h30m, sem advogado e “que no gabinete do Procurador Santoro, além dos procuradores, estavam os repórteres Mino Pedrosa e Andreis Meirelles, respectivamente das revistas Isto É e Época”.
Disse que muitas afirmações consignadas naquele ato não correspondem ao que disse, sendo, portanto, “inverídicas”.
Com relação à passagem “neste período, Alejandro Ortiz encontrava-se enfraquecido em face da descoberta de suas ligações com a máfia italiana” e que “a ligação com a família Ortiz com a máfia se dá através de Lilo Lauricela (sic) que era o investidor pelo grupo francês François Philippedou que permitiu o ingresso nos negócios de caça-níqueis”, disse que nunca fizera tal afirmação, tendo apenas dito aos Procuradores que se quisessem maiores informações acerca de tal fato, consultassem a Carta Rogatória que se encontrava-se sobre as mesa. Disse que jamais faria tal afirmação, uma vez que, seria o mesmo que confessar um crime que não cometeu, já que o depoente possuía relações comerciais com o Sr. Ortiz.
Com relação ao trecho “em razão do Ortiz temer Carlos Cachoeira os novos “donos”da Loterj resolveram atrair Cachoeira para o Rio de Janeiro, que tinha o jogo cotrolado pelo “laranja” de Ortiz, José Renato Granado”, assegurou que jamais disse ser José Renato laranja de qualquer pessoa, sendo de fato, um empresário representante de Ortiz e que o depoente também era em Goiás. Disse também que nunca pronunciou a expressão “os novos donos da Loterj” ou “laranja”, sendo as mesmas de autoria dos Procuradores.
Outra afirmação importante para o conhecimento do mercado foi que “Waldomiro passou, após ser afastado da Loterj, a defender os interesses de Ortiz no Congresso e no Governo e que essa defesa não se dá às claras e sim, é intermediada pelos contatos entre o dono do Bingo Augusta e presidente da Abrabin, Olavo Sales, que carrega as instruções de Ortiz para Waldomiro”, Carlos Roberto Martins garantiu que também não afirmou nada disso e completou “Olavo sempre falou ao Congresso em prol da regulamentação do jogo de bingo, sendo o porta-voz dos empresários”.
Martins foi indagado por que assinou tudo então, disse que “a bem da verdade nem leu”, uma vez que as circunstancias praticamente impuseram isso, não sendo entregue cópia do depoimento e que se sentiu pressionado para prestar o depoimento, sem saber do que se tratava, sem auxílio de advogado, sem lhe ter sido pronunciado o direito de ficar em silêncio.
Carlos Roberto Martins disse que depois de depor, foi tomar um café com Santoro e o Procurador Serra Azul ficou “mexendo” no texto, até que perguntou “o que ele estava colocando a mais”, tendo ouvido a resposta de que “estava apenas fazendo correções”.
Em entrevista a Folha de São Paulo, no último dia 16 de abril, o subprocurador-geral José Roberto Santoro disse que não poderia se pronunciar por se tratar de um caso conduzido pelo Ministério Público Federal no Rio. Segundo o procurador Marcelo Serra Azul, "o depoimento transcorreu na maior normalidade. Ele [Martins] foi convocado e avisado de que, se não comparecesse, seria intimado coercivamente nos termos da lei. Quanto a não ter lido, a praxe é o depoente ler e confirmar suas declarações". Segundo o procurador Mário Lúcio de Avelar, "não houve nenhuma pressão. O depoimento foi colhido na forma da lei. Qualquer dita além disso é diversionismo". Comentando os desmentidos a Folha de São Paulo, Carlos Roberto Martins disse: "Não mudei nada. Só coloquei algumas coisas nos seus devidos lugares".


