Jogos clandestinos são os que causam maior dependência
Os jogos clandestinos de cartas, o ciberjogo e as slot machines são os que causam maior dependência aos portugueses, revela o estudo "Dependência do jogo em Portugal" apresentado em Lisboa.
Da autoria de Henrique Lopes, da Universidade Católica de Lisboa, o estudo alerta também para "os novos focos de preocupação" de dependência de jogo a dinheiro: os jovens entre os 12 e os 18 anos e os doentes que estão em casa ou com mobilidade reduzida.
Encomendada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), a análise sublinha que "a taxa de prevalência entre os jovens, à semelhança do que se passa na generalidade dos países ocidentais, é motivo de séria reflexão".
Henrique Lopes concluiu que os jogos a dinheiro que causam maior dependência em Portugal são os clandestinos de cartas, seguidos dos ciberjogos e das slot machines.
Segundo o estudo, a taxa de prevalência de dependência de jogo a dinheiro em Portugal é idêntica à da generalidade dos países europeus e o "essencial do problema" é devido a jogos "não explorados" pela Santa Casa da Misericórdia.
Dos jogos explorados pela SCML, o Euromilhões é aquele que mais vende, mas é também "o menos problemático". No lado oposto, os que causam mais vício é o Totobola e a Loteria.
O estudo indica ainda que a responsabilidade principal da SCML está na massa populacional que frequenta os seus jogos.
A análise, que visou medir quais os jogos de maior risco de dependência em Portugal, teve por base 3.850 entrevistas feitas a pessoas que no último ano jogaram pelo menos uma vez.
Segundo Henrique Lopes, a representatividade do estudo é estimada em 95 por cento.
O estudo "Dependência do Jogo em Portugal" foi apresentado numa conferência destinada a avaliar as consequências e o impacto do acórdão do Tribunal Europeu de Justiça das Comunidades, que decidiu a favor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e contra a empresa de apostas online Bwin, que pretendia operar em Portugal. (Destak/Lusa – Portugal)


