Domingo é dia de Derby no prado carioca

Jockey I 05.04.22

Por: Elaine Silva

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Hipódromo da Gávea organiza 26 páreos em três reuniões
Os três ganhadores das provas das tríplices-coroas de potros, em Cidade Jardim, Orfeu Negro, Iene Fortune e Planetário foram para o exterior

No próximo domingo, dia 10 de abril, o turfista carioca terá o privilégio de reviver, no belo Hipódromo da Gávea, a magia do Derby. Em todos os países do mundo, onde são realizadas as corridas de cavalos, este é um momento muito especial. Todo criador e proprietário de um puro-sangue inglês sonha com a possibilidade de vencer a prova. A criação nacional, na atualidade, possui números reduzidos na quantidade de produtos criados. Por outro lado, em termos qualitativos, não pode se queixar. Os três ganhadores das provas das tríplices-coroas de potros, em Cidade Jardim, Orfeu Negro, Iene Fortune e Planetário foram para o exterior. Ou seja, poderiam estar alinhados no campo de 10 competidores, domingo na raia carioca. Os próximos cinco dias serão longos para esta dezena de proprietários dos candidatos. Até chegar a hora da largada, e presenciar as suas fardas na pista, estes 10 corações estarão acelerados a bater mais forte. Em pouco mais de 2m25s segundos, apenas um deles realizará o eterno sonho turfístico de ganhar o Grande Prêmio Cruzeiro do Sul. De ter para a eternidade, a sua farda, na galeria dos ganhadores do Derby.

Latino-Americano

O Clássico Associação Latino-Americana de Jockeys Clubs, realizado no Hipódromo Nacional do Chile, teve predomínio absoluto dos concorrentes de dois países da América do Sul. O Chile, sempre um anfitrião dos mais indigestos, e o Peru, cujo o seu principal hipódromo, o de Monterrico, é semelhante ao chileno. Em primeiro lugar, no traçado da pista, em formato de triângulo. E, também a raia de areia, escura e pesada. O’Connor, o ganhador, foi apostado como barbada, correu como tal, e também ganhou nesta condição, de dono absoluto do páreo. Super Corinto, de origem argentina, mas radicado no Peru, foi o segundo. We Here, outro chileno, foi o terceiro, e Nuremberg e Matarani, outros dois peruanos, completaram o placar. Até o sexto colocado, Super Nao, também é peruano. Os cavalos representantes do Uruguai, Argentina e Brasil nada produziram.

Cidade Jardim

No próximo sábado, no Hipódromo de Cidade Jardim, serão disputadas as últimas provas preparatórias para o Grande Prêmio São Paulo. A diretoria do Jockey Club paulistano vive a expectativa de realizar uma festa especial, em maio, para resgatar a tradição e a magia do tradicional evento turfístico. Na temporada passada, a exemplo do que aconteceu em todas as outras provas do calendário clássico nacional em outros hipódromos, a festa foi prejudicada devido aos rígidos protocolos da pandemia.

Puro-sangue melhor apresentado

O treinador Mário André se foi. Para tristeza da família, dos amigos e dos colegas profissionais que conviveram com ele. Porém, a marca do seu talento ficou na apresentação magnífica dos seus pensionistas. Youdobest, do Stud Boa Estrela, e criado no Haras Mabruk, entrou na raia com jogo de favorito, preparo impecável de concorrente apostado, e, ao estilo Jorge Antônio Ricardo, ganhou de ponta a ponta, sem dar chance aos adversários. Chamou a atenção a vibração do homem das 13.173 vitórias. Desolado com a morte do amigo ficou feliz de poder homenageá-lo na raia. Um momento espetacular!

Joqueada da Semana

Jorge Ricardo viajou mais cedo para São Paulo. Amigo particular do treinador Mário André, queria acompanhar o velório e o sepultamento do profissional que abriu as portas do turfe paulista para ele, com montarias, solidariedade e companheirismo. No dorso de Pingos Nos Is, de criação do Haras Phillipson, e propriedade do Los Quatro Stud, ele colocou a cereja do bolo, da homenagem pessoal a Mário André. No dorso do filho de Going Somewhere e Katie Runner, Ricardinho presenteou o público com pequena obra-prima, do seu vasto repertório de joqueadas. Correu no fundo do lote, como alguns idiotas da objetividade, o acusam de não saber fazer. Aproveitou cada centímetro da corrida, e numa atropelada sensacional entre os adversários, obteve um triunfo bastante comemorado por ele. O extraordinário locutor, Roberto Casela, chamou a atenção de todos, durante a narração, pela vibração de Ricardinho no dorso do ganhador. Uma volta ao passado. Estava ali o jóquei de Much Better, Falcon Jet, Gorila, Jimwaki, Sandpit, Ramirito, Little Baby Bear, Head Office, e tantos outros campeões de conquistas lendárias na América do Sul.

Personagem

Há uma semana, sem poder imaginar o futuro, destaquei a apresentação da égua Bellawatch aqui neste espaço, como a melhor da semana, por parte do querido, Mário André Gonçalves. Que tristeza, a sua partida, aos 55 anos. Talentoso, intuitivo e arrojado nas inscrições. Era bom na raia e na cocheira. A amizade entre ele, e Ricardinho, de quem sou agente de montarias, nos aproximou bastante. Gaúcho de Bagé, amante de um bom churrasco, do futebol bem jogado, do papo furado, regado de maneira generosa por um drinque de qualidade, Mário ainda tinha muita coisa para dar ao turfe nacional. Na minha convivência com Jorge Ricardo, de mais de 40 anos, só vi ele tão triste quando nos deixou o seu pai, Antônio Ricardo e o treinador, João Luiz Maciel, uma parceria profissional histórica na sua carreira. Mário era solidário e afetivo. Um amigo de todos os momentos, nas alegrias e nas frustrações. Meus sentimentos a família. (Raia Leve – Páreo Corrido, por Paulo Gama)

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