Até quando a Rede acredita que será sustentada com seus joguinhos no físico ou através dos serviços financeiros?

Lotérica, Opinião I 01.03.23

Por: Magno José

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Sueli Falcão*

Aquela imagem do empresário atrás do Terminal Financeiro Lotérico – TFL está com os dias contados. Quem continuar acreditando neste modelo estará fadado a sair do negócio e ainda contrair dívidas e sérios problemas jurídicos.

O mundo, as ferramentas e os clientes mudaram e, os lotéricos, terão que se adaptar a este novo momento e ajudar ao órgão concedente, no caso a Caixa Econômica Federal, a acelerar processos, modernizar e encontrar alternativas para sobrevivência da Rede Lotérica.

A pandemia da COVID-19 acelerou vários processos e ferramentas para facilitar a vida dos clientes, mas também gerou novas concorrências para a rede lotérica.

Aplicativos como o Caixa Tem, PIX, códigos QR Code nas contas das concessionárias de energia e água, aplicativos de vendas de apostas das Loterias Caixa, entre outras facilidades desidrataram a Rede e retiraram clientes das lotéricas. Até mesmo a plataforma Loterias On-line da própria CAIXA transformou-se em um grande concorrente da Rede Lotérica. O aplicativo já é responsável pela comercialização de mais de 20% dos produtos lotéricos, com uma remuneração reduzida para os empresários.

Lotéricos também são obrigados a trabalhar com um portfólio de produtos envelhecidos e, por uma questão de sobrevivência, acabam torcendo pelo azar dos clientes para que as loterias acumulem para aumentar o faturamento das Unidades Lotéricas.

Este foi o caso da Mega-Sena em 2022. A modalidade foi responsável pelo maior percentual do faturamento devido a 12 prêmios acumulados acima dos R$ 50 milhões, correspondendo a 47% do total arrecadado. Em seguida veio a Lotofácil com 28,3% e a Quina com participação de 13,1% do portfólio de jogos da CAIXA. Os três produtos representam 88,4% das vendas de apostas entre os 11 produtos da Loterias Caixa. O saudável para o Negócio Loterias seria a renovação e modernização deste portfólio.

A CAIXA tem que enfrentar alguns gargalos para garantir uma sólida arrecadação das loterias, como a questão do payout, reformulação no mix de produtos operados, critérios técnicos para lançamento de novos produtos, já que os últimos três lançados (Dia de Sorte, Super Sete e +Milionária) foram grandes fiascos.

Além disso, a Rede ainda tem que enfrentar a fuga de apostadores para outros produtos como as apostas esportivas e os jogos ilegais.

O Marketplace Bolão Lotérico, que está sendo proposto pela Caixa, pode ser um primeiro passo para acabar com o medo da Rede pelas inovações impostas pela tecnologia e mudança de comportamento da sociedade.

A antiga sugestão de liberdade comercial faz-se cada vez mais necessária no momento atual, além disso, poderíamos discutir novas iniciativas como um aumento da comissão nas vendas do Loterias Online, que inicialmente poderiam contemplar todos aqueles que estarão comercializando através do Marketplace Bolão Lotérico, assim como, transferência para a Rede de parte do percentual da Taxa de Administração da Caixa ou até mesmo uma comissão para as lotéricas que comercializarem as apostas premiadas, como já acontece nos Estados Unidos.

Os empresários necessitam urgentemente de uma libertação através da verdade que vivemos na realidade atual. Até quando a Rede acredita que será sustentada com seus joguinhos no físico ou através dos serviços financeiros?

Definitivamente, a Rede Lotérica tem que parar de vender almoço para pagar o jantar da Caixa Econômica Federal!

(*) Sueli Falcão é empresária lotérica e vice-presidente do Sindicato dos Lotéricos de São Paulo – Sincoesp. O editorial acima foi veiculado na Revista Sincoesp – Fevereiro.

 


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