Especialista esclarece críticas que responsabilizam sites de apostas pelo endividamento

Apostas I 11.02.26

Por: Magno José

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Especialista rebate crítica que sites de apostas são responsáveis pelo endividamento
Marcio Falcão defende que o tema precisa ser analisado com maior rigor. Ele ressalta que as empresas de apostas não oferecem crédito aos usuários, que só podem apostar com saldo disponível em suas contas

O governo federal divulgou no final de janeiro dados que mostram arrecadação de R$ 9,95 bilhões em impostos provenientes do setor de apostas esportivas e jogos online no Brasil. Os números correspondem ao primeiro ano do mercado regulado no país.

Marcio Falcão, CEO da Casa de Apostas, comentou os resultados após a divulgação oficial. Durante o evento internacional ICE Barcelona, realizado em meados de janeiro, profissionais do setor discutiram os números apresentados pelo governo brasileiro. Essa reportagem foi produzida a partir das reflexões do executivo veiculadas nas mídias sociais, trazendo uma perspectiva sobre o impacto econômico do setor regulamentado.

“A indústria de jogos é séria e gerou uma mega arrecadação para o país”, foi um dos comentários ouvidos nos corredores do evento, segundo Falcão, que acrescentou que em outros países isso seria celebrado, mas no Brasil “e aqui tudo é mais difícil”.

A regulamentação implementada permite ao governo federal monitorar o perfil dos apostadores, incluindo valores apostados e identificação dos participantes. O sistema bloqueia Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) e beneficiários do Bolsa Família, além de estar desenvolvendo ferramentas para identificar jogadores compulsivos.

Detalhamento da arrecadação tributária

O Gross Gaming Revenue (GGR) do setor atingiu R$ 37 bilhões, gerando os R$ 9,95 bilhões em impostos. Esta arrecadação tributária vem de três fontes principais: a alíquota de 12% sobre o GGR, contribuições de PIS/COFINS e os impostos corporativos IRPJ/CSLL.

A decomposição dos valores mostra que a alíquota de 12% sobre o GGR resultou em R$ 4,44 bilhões arrecadados. As contribuições de PIS e COFINS somaram aproximadamente R$ 3,01 bilhões. IRPJ e CSLL representaram cerca de R$ 2,5 bilhões do total de impostos.

Com base na alíquota combinada de 34% para IRPJ e CSLL, o lucro anual do setor pode ser estimado em aproximadamente R$ 7,35 bilhões. Distribuindo esse valor entre as 190 marcas regulamentadas no país, chega-se a uma média de R$ 38,6 milhões de lucro anual por empresa, ou R$ 3,2 milhões mensais.

O especialista destaca que se descontar R$ 2,5 bilhões referente ao IRPJ e CSLL (tributos federais obrigatórios, incidentes sobre o lucro de empresas) do lucro bruto de R$ 7,35 bilhões o lucro líquido é menor ainda. Seria R$ 4,85 bilhões, que seguindo a mesma lógica dividindo por 190 e por 12 meses o lucro líquido mensal seria de R$ 1,9 milhões em média por mês.

Destino dos recursos e impacto econômico

Falcão contesta a narrativa de que o dinheiro desapareceu da economia. “Mas para onde foi todo esse dinheiro?”, reproduz o executivo, respondendo que, diferente do que vem sendo propagado, esses valores retornaram ao mercado através de diversos setores.

O CEO explica que os recursos circularam em áreas como mídia, futebol, shows, eventos, além de pagamentos a influenciadores, artistas, atletas, ex-atletas e no mercado publicitário em geral, permanecendo dentro do fluxo econômico nacional.

Segundo especialistas, é importante contextualizar os números para entender o real impacto financeiro das apostas. Quando se divide o valor total apostado (R$ 37 bilhões) pelo número de apostadores (25,2 milhões), chega-se a uma média de R$ 1.468,25 por pessoa ao ano, ou aproximadamente R$ 122,35 por mês – valor comparável ao de uma ida ao cinema ou a uma pizzaria. Esta análise contraria tentativas de demonizar o setor ou caracterizar os apostadores como irresponsáveis financeiramente.

Críticas ao setor e endividamento

Nos últimos dias, o setor enfrentou críticas nas redes sociais, com afirmações de que as plataformas de apostas “retiraram dinheiro do varejo” e causaram endividamento populacional.

Sobre as acusações relacionadas ao endividamento, Falcão defende que o tema precisa ser analisado com maior rigor. Ele ressalta que as empresas de apostas não oferecem crédito aos usuários, que só podem apostar com saldo disponível em suas contas.

O executivo estabelece uma distinção entre apostas online e jogos físicos. Nas plataformas digitais, quando o saldo acaba, o apostador não pode continuar jogando. Não existe possibilidade de um “novo sorteio” sem um pagamento prévio, diferentemente do que pode ocorrer em ambientes físicos.

Falcão atribui o endividamento a instituições financeiras que oferecem empréstimos consignados, antecipação de cartão e crédito rotativo. Ele destaca que a legislação proíbe que empresas de apostas regulamentadas mantenham “crédito a receber” de clientes em seus balanços financeiros.

O CEO também afirma que a responsabilidade pela avaliação da capacidade de pagamento recai sobre as instituições que concedem crédito. Em casos de inadimplência, são as instituições financeiras que ficam com garantias como documentos de veículos ou escrituras de imóveis.

“No final do dia, quem vai ficar com o DUT do carro ou a escritura do imóvel não são as bets, é o sistema financeiro”, comentou.

 

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