Ex-BBB Felipe Prior é proibido pela Justiça de associar apostas a lucro certo

O influenciador digital Felipe Antoniazzi Prior recebeu ordem judicial para excluir publicações sobre apostas esportivas de suas redes sociais. A determinação foi emitida pela Justiça do Distrito Federal em resposta a ação civil pública do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. O ex-participante do Big Brother Brasil tem três dias para remover os conteúdos que associam apostas a lucros certos.
A ação do MPDFT aponta indícios de publicidade enganosa e abusiva na promoção de apostas online, conforme informações divulgadas pela coluna da Mirelle Pinheiro no Metrópoles. A decisão judicial estabelece três medidas principais: suspensão de qualquer publicidade que associe apostas a lucro certo, ganho fixo ou ausência de risco; remoção de conteúdos com promessas irreais de ganho; e multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 100 mil.
A investigação revelou que Prior utilizava redes sociais e grupos abertos no Telegram para divulgar promessas de transformar R$ 20 em R$ 5 mil em 24 horas. A estratégia incluía suposta garantia de devolução do valor em caso de perda.
O MP identificou um grupo no aplicativo Telegram denominado “PRIOR — JOGA Y JOGA Tips (ALAVANCAGEM 10x)”. O grupo possui mais de 101 mil inscritos. Nele, o influenciador promove ativamente a criação de contas em uma plataforma por meio de um link de afiliado.
Para o Judiciário, a abordagem utilizada tem potencial de induzir consumidores ao erro ao apresentar a aposta como atividade segura ou previsível. “A atividade de aposta, por definição, é marcada por risco concreto de perda patrimonial”, destaca a decisão. O texto judicial aponta que a publicidade pode “falsear a percepção do destinatário acerca da própria natureza econômica da operação”.

O Ministério Público destacou o uso de linguagem acessível e estratégias voltadas a consumidores considerados mais vulneráveis. As promessas de “alavancagem” e ganhos rápidos foram identificadas como elementos centrais da divulgação questionada.
A decisão ressalta o potencial de alcance das publicações, impulsionadas por redes sociais e grupos com milhares de participantes. Para o juiz, a continuidade da divulgação poderia gerar danos difíceis de reverter, especialmente diante da velocidade de disseminação do conteúdo no ambiente digital.
O processo tramita em segredo de justiça. A decisão menciona a existência de investigações sobre o caso, inclusive na esfera policial, além da atuação de uma empresa ligada à plataforma de apostas divulgada.
O juiz não determinou, neste momento, a suspensão de cláusulas contratuais que remunerariam influenciadores com base nas perdas dos apostadores. Esta medida ainda será analisada no decorrer do processo.


