MC Ryan negocia R$ 300 mil para divulgar casa de apostas ilegal em áudios da PF

A Polícia Federal obteve gravações de conversas entre o funkeiro MC Ryan e o contador Rodrigo Morgado. Os diálogos tratam de negociações financeiras relacionadas a um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Os áudios foram exibidos no programa Fantástico neste domingo (19/4).
A investigação apura operações que teriam movimentado recursos superiores a R$ 1,63 bilhão por meio de rifas clandestinas, apostas online e jogos não autorizados.
Diálogos revelam negociação de divulgação
Os áudios registram conversas entre MC Ryan e Rodrigo Morgado sobre acordos financeiros. Em um dos diálogos, o contador questiona o artista sobre o preço para divulgar uma casa de apostas: “Eu tenho um cliente aqui que tem uma casa de aposta e queria saber quanto que tá pra você divulgar a casa dele”.
O funkeiro responde: “Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 [mil]. Mas, se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 [mil]”.
As gravações também contêm orientações sobre procedimentos para evitar que as movimentações parecessem ilegais. Morgado sugere que bens não sejam declarados em nome de Ryan. O contador afirma: “Aqui nóis não brinca em serviço (sic).”
Esquema usaria empresas de fachada
A Polícia Federal sustenta que recursos obtidos em atividades ilegais seriam inseridos na economia formal. O dinheiro passaria por empresas de fachada, contratos de shows e movimentações financeiras ligadas a artistas e seus intermediários. O objetivo seria ocultar a origem ilícita dos valores.
Conforme decisão judicial no processo, MC Ryan utiliza empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento. Essas companhias misturariam receitas legítimas com dinheiro arrecadado com apostas ilegais e rifas digitais.
A polícia afirma que o artista criou maneiras para blindar seu patrimônio. Ele teria transferido participações societárias para familiares e laranjas.
O cantor usaria uma rede de operadores financeiros para disfarçar sua relação com o dinheiro ilícito de apostas. Depois, reinvestiria os valores com a compra de imóveis de luxo, veículos, joias e outros ativos de alto valor.
Contador estruturava operações
Os investigadores sustentam que MC Ryan não seria apenas um beneficiário indireto. O artista teria ciência de parte das operações. As gravações apontam o papel do contador Rodrigo Morgado como responsável por estruturar a circulação financeira. Ele orientaria procedimentos para evitar rastreamento.
A investigação aponta que Raphael Sousa Oliveira recebia “altos valores” de integrantes do grupo. Os pagamentos eram feitos em troca de serviços como operador de mídia. Esses serviços consistiam na divulgação de conteúdos, promoção de apostas e gestão de imagem. O montante exato dos pagamentos não foi especificado.
Prisões na operação Narco Fluxo
A prisão de MC Ryan e MC Poze do Rodo ocorreu na operação Narco Fluxo. Raphael Sousa Oliveira, 31 anos, dono da Choquei, uma das maiores páginas de entretenimento do país, também foi preso na operação. Mais de 30 investigados foram detidos na mesma ação policial.
Rodrigo Morgado está preso desde 2025. O processo tramita na 5.ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista.
Defesas alegam desconhecimento e integridade
O advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, que defende MC Ryan, afirmou que não teve acesso ao procedimento. Isso o impede de se manifestar sobre detalhes do caso. Ele ressaltou que Ryan é uma pessoa íntegra. O advogado declarou que “todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos”.
O advogado de MC Poze, Fernando Henrique Cardoso Neves, declarou que desconhece o teor do mandado de prisão expedido contra seu cliente.
A reportagem tentou contato com a defesa de Raphael Sousa Oliveira por meio de email e mensagens enviadas às páginas administradas por ele. Não houve resposta até o momento da publicação.


