Influenciadores de Roraima são denunciados por esquema de jogos de azar e lavagem de dinheiro

Blog do Editor I 05.09.26

Por: Magno José

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Influenciadores de Roraima são denunciados por esquema de jogos de azar e lavagem de dinheiro
Investigados por esquema de jogos de azar: Adrielly Vivianny Araújo de Jesus e o marido Dione dos Santos da Silva, Raniely Silva Carvalho, Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, Amanda Lourenço Faria, Laís Ramos Gomes da Silva, Victoria Paixão Barros, Vitória Reis da Silva, Juliana Lima do Nascimento e Gildázio Sobrinho Santos Cardoso (Foto: Reprodução)

Nove influenciadores digitais e um empresário foram denunciados à Justiça por integrar um esquema de divulgação de plataformas clandestinas de jogos de azar, em Roraima. A denúncia foi apresentada nesta sexta-feira (4/9) pelo Ministério Público do estado.

Conforme apuração do G1 RR, o grupo recebeu, em conjunto, R$ 67,5 milhões em cerca de dois anos de atuação. A Promotoria de Justiça Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Capitais conduziu o caso e pediu, na mesma denúncia, indenização para três vítimas identificadas.

Os denunciados respondem pelos crimes de exploração de jogos de azar, afirmação falsa ou enganosa sobre produtos ou serviços, indução do consumidor a erro, crimes contra a economia popular, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Três deles também foram denunciados por estelionato.

São eles:

⇒ Adrielly Vivianny Araújo de Jesus — influenciadora;

⇒ Dione dos Santos da Silva — empresário e marido de Adrielly;

⇒ Raniely Silva Carvalho — influenciadora;

⇒ Patrik Adhan dos Santos Ribeiro — influenciador;

⇒ Amanda Lourenço Faria — influenciadora;

⇒ Laís Ramos Gomes da Silva — influenciadora;

⇒ Victoria Paixão Barros — influenciadora;

⇒ Vitória Reis da Silva — influenciadora;

⇒ Juliana Lima do Nascimento — influenciadora;

⇒ Gildázio Sobrinho Santos Cardoso — influenciador.

Como o esquema funcionava

Segundo o MP, os influenciadores publicavam stories, reels e vídeos em redes sociais com links personalizados para as plataformas clandestinas. Nas publicações, exibiam supostos ganhos, veículos, imóveis e viagens para atrair seguidores com a promessa de lucro fácil.

Os seguidores eram direcionados às plataformas para realizar cadastros e depósitos. Os divulgadores, por sua vez, recebiam comissões pela captação de novos apostadores. Para ampliar o efeito, usavam contas de demonstração fornecidas pelas próprias plataformas para simular ganhos expressivos e irreais.

Após depositar, as vítimas visualizavam supostos lucros e eram incentivadas a continuar apostando. Ao tentar sacar valores maiores, no entanto, se deparavam com bloqueios ou negativas para a retirada do dinheiro.

Três núcleos interligados

O MP descreveu a associação criminosa como estruturada em três núcleos. O primeiro, operacional e empresarial, reunia os responsáveis pela administração das plataformas, operadores financeiros e intermediadoras de pagamento. O segundo, de divulgação e captação, era integrado pelos influenciadores. O terceiro núcleo seria responsável por ocultar e dissimular a origem dos recursos obtidos com o esquema.

A lavagem de dinheiro ocorria por meio da movimentação dos valores em diferentes instituições financeiras, contas pessoais e jurídicas, além de transferências entre os denunciados e terceiros. Os recursos também eram convertidos em veículos, imóveis, viagens e procedimentos estéticos.

O promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto, autor da denúncia, afirmou que “estamos falando de um esquema que explora a confiança das pessoas e a expectativa de obter ganhos financeiros, causando prejuízos que podem comprometer a renda e o patrimônio das vítimas. A atuação do Ministério Público busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos e impedir que estruturas como essa continuem utilizando as redes sociais para alcançar novos consumidores”.

O que dizem as defesas

A defesa de Raniely Silva Carvalho declarou que “as acusações não correspondem à realidade dos fatos” e afirmou que demonstrará, no momento processual adequado, a ausência de responsabilidade penal de sua cliente.

A defesa de Adrielly, Dione e Patrik informou que “se pronunciará nos autos e não adiantará qualquer estratégia técnica”. Já a defesa de Gildázio Cardoso negou os crimes atribuídos a ele e afirmou que “confia que terá assegurados o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal”, ressaltando que o oferecimento de denúncia não implica condenação e que permanece vigente a presunção de inocência até decisão judicial definitiva.

A defesa das investigadas Victoria e Vitória foi procurada, mas não havia enviado resposta até a publicação desta matéria.

 

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