Influenciadores de Roraima são denunciados por esquema de jogos de azar e lavagem de dinheiro

Nove influenciadores digitais e um empresário foram denunciados à Justiça por integrar um esquema de divulgação de plataformas clandestinas de jogos de azar, em Roraima. A denúncia foi apresentada nesta sexta-feira (4/9) pelo Ministério Público do estado.
Conforme apuração do G1 RR, o grupo recebeu, em conjunto, R$ 67,5 milhões em cerca de dois anos de atuação. A Promotoria de Justiça Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Capitais conduziu o caso e pediu, na mesma denúncia, indenização para três vítimas identificadas.
Os denunciados respondem pelos crimes de exploração de jogos de azar, afirmação falsa ou enganosa sobre produtos ou serviços, indução do consumidor a erro, crimes contra a economia popular, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Três deles também foram denunciados por estelionato.
São eles:
⇒ Adrielly Vivianny Araújo de Jesus — influenciadora;
⇒ Dione dos Santos da Silva — empresário e marido de Adrielly;
⇒ Raniely Silva Carvalho — influenciadora;
⇒ Patrik Adhan dos Santos Ribeiro — influenciador;
⇒ Amanda Lourenço Faria — influenciadora;
⇒ Laís Ramos Gomes da Silva — influenciadora;
⇒ Victoria Paixão Barros — influenciadora;
⇒ Vitória Reis da Silva — influenciadora;
⇒ Juliana Lima do Nascimento — influenciadora;
⇒ Gildázio Sobrinho Santos Cardoso — influenciador.
Como o esquema funcionava
Segundo o MP, os influenciadores publicavam stories, reels e vídeos em redes sociais com links personalizados para as plataformas clandestinas. Nas publicações, exibiam supostos ganhos, veículos, imóveis e viagens para atrair seguidores com a promessa de lucro fácil.
Os seguidores eram direcionados às plataformas para realizar cadastros e depósitos. Os divulgadores, por sua vez, recebiam comissões pela captação de novos apostadores. Para ampliar o efeito, usavam contas de demonstração fornecidas pelas próprias plataformas para simular ganhos expressivos e irreais.
Após depositar, as vítimas visualizavam supostos lucros e eram incentivadas a continuar apostando. Ao tentar sacar valores maiores, no entanto, se deparavam com bloqueios ou negativas para a retirada do dinheiro.
Três núcleos interligados
O MP descreveu a associação criminosa como estruturada em três núcleos. O primeiro, operacional e empresarial, reunia os responsáveis pela administração das plataformas, operadores financeiros e intermediadoras de pagamento. O segundo, de divulgação e captação, era integrado pelos influenciadores. O terceiro núcleo seria responsável por ocultar e dissimular a origem dos recursos obtidos com o esquema.
A lavagem de dinheiro ocorria por meio da movimentação dos valores em diferentes instituições financeiras, contas pessoais e jurídicas, além de transferências entre os denunciados e terceiros. Os recursos também eram convertidos em veículos, imóveis, viagens e procedimentos estéticos.
O promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto, autor da denúncia, afirmou que “estamos falando de um esquema que explora a confiança das pessoas e a expectativa de obter ganhos financeiros, causando prejuízos que podem comprometer a renda e o patrimônio das vítimas. A atuação do Ministério Público busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos e impedir que estruturas como essa continuem utilizando as redes sociais para alcançar novos consumidores”.
O que dizem as defesas
A defesa de Raniely Silva Carvalho declarou que “as acusações não correspondem à realidade dos fatos” e afirmou que demonstrará, no momento processual adequado, a ausência de responsabilidade penal de sua cliente.
A defesa de Adrielly, Dione e Patrik informou que “se pronunciará nos autos e não adiantará qualquer estratégia técnica”. Já a defesa de Gildázio Cardoso negou os crimes atribuídos a ele e afirmou que “confia que terá assegurados o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal”, ressaltando que o oferecimento de denúncia não implica condenação e que permanece vigente a presunção de inocência até decisão judicial definitiva.
A defesa das investigadas Victoria e Vitória foi procurada, mas não havia enviado resposta até a publicação desta matéria.


